26 de fevereiro de 2012

E os Óscares, pah?

Não é por nada, mas este ano prevejo uma vitória esmagadora do Adam Sandler. Ao pé do The Artist, até parece um filme a sério...

 

31 de agosto de 2011

REVIEW
9



Ano: 2009
Realizador: Shane Acker
Actores: Elijah Wood, Jennifer Connelly

Num mundo pós-apocalíptico que mais parece um filho bastardo do Matrix, onde as máquinas dominam, um conjunto de pequenos e afáveis robots de sarapilheira, construídos a partir do último suspiro de um inventor de bom coração, procuram um meio de entenderem onde estão e qual é o seu propósito ali e, de caminho, arranjarem uma forma de destruir as máquinas.

Este original filme, produzido por Peter Jackson, é uma animação de alto calibre e um produto que, só por si, é imbuído de uma certa estranheza, pois o surrealismo bucólico das paisagens apocalípticas que grassam pela história fazem com isto pareça um renegado cinéfilo no meio do panorama putesco de Hollywood de "filmeco-vai-com-as-outras".

Não tem a alma nem a sensibilidade de um Toy Story, mas os "set-pieces" são bem conseguidos e os personagens são atractivos para o espectador, o que ajuda a levar o enredo para a frente e não o encravar em momentos de enchimento de chouriços.

Original e diferente, é quase um OVNI dos filmes de animação.

Classificação: 7.5

28 de agosto de 2011

NEWS
Ides of March

Tenho grandes esperanças nisto.


REVIEW
The Whistleblower



Ano: 2010
Realizador: Larysa Kondracki
Actores: Rachel Weisz, David Strathairn

Naquilo que me lembro de ser o meu tempo de vida, nunca distingui o cerne do objectivo dos discursos do sr. Kofi Annan e do sr. Ban Ki Moon, os dois "bosses" das Nações Unidas que me lembro de conhecer. E nunca os distingui porque via neles o arquétipo da ideologia vã, carregada de clichés, hipocrisia e muita ineficiência (que, talvez, até seria estudada) perante os diversos desastres que foram assolando o mundo e que, consecutivamente, gritavam por uma intervenção mais eficaz deste organismo.

Lamentavelmente, este é o filme que vem confirmar estes receios e incertezas ao expôr um escândalo do qual, francamente, não tinha qualquer ideia de ter acontecido, provavelmente por ter sido eficazmente encoberto pelas entidades "competentes" e que acaba por pôr ilustrar aquilo que as Nações Unidas não são, ao focar-se no tráfico de mulheres na ex-Jugoslávia do pós-guerra. Uma oficial de polícia competente e séria descobre a careca da podridão e luta para expôr o escândalo, não obstante os óbvios perigos a que se sujeita.

Este é a primeira longa-metragem da realizadora que, na primeira meia hora, exibe um estilo um bocado lento, errático e errante de direcção, o que dá a entender que a protagonista anda um bocado às aranhas de um lado para o outro. No entanto, rapidamente encarrila para um filme obscuro, negro e que expõe em toda a sua plenitude um dos mais problemáticos cancros da sociedade actual, cuja difícil resolução e luta titânica contra os lobbies e poderes vigentes acabam por, num momento climático, levar a protagonista e o espectador a exasperar de frustração perante a dimensão do problema aparentemente irresolúvel que está em jogo.

Podia, em alguns momentos, ser um filme mais cirúrgico, mas a forma gráfica e explícita como abre os olhos para este problema e a coragem que demonstra em chamar os bois pelos nomes é inédita em todo o cinema que já vi e, só por isso, trata-se de um filme absolutamente imprescindível de ser visto e digerido por todos aqueles que gostam de cinema e que têm consciência social, cívica e... humana.


Classificação: 9

14 de agosto de 2011

REVIEW
Super 8

super 8 Pictures, Images and Photos

Ano: 2011
Realizador: J.J. Abrams
Actores: Putos com demasiada adrenalina

Algures no início dos anos 80, um conjunto de putos prepara-se para fazer um filme de zombies em Super 8, ao bom velho estilo "produção caseira", mas com o máximo de credibilidade possível que os parcos meios financeiros permitem.
No entanto, no meio das filmagens assistem a um impressionante desastre que vai ser o catalisador para soltar uma força do outro mundo e que irá virar a cidade de pantanas.

Embora o realizador disto seja o J.J. Abrams, responsável por essa maravilha de culto que tanto prezo, de seu nome Cloverfield (e uma outra série qualquer, supostamente famosa, da qual só consegui ver o primeiro episódio), a mão inteira do Spielberg enquanto realizador faz-se notar, de forma bem grossa aqui.

Está presente um vigoroso espectáculo visual e o monstro, provavelmente idealizado por Abrams é original e exótico, mas se atentarmos a largas porções de filme, que parecem recalcadas a papel químico do E.T., imagino o Spielberg a mandar um abundante número de papaias ao ar, enquanto relembrava o realizador sobre quem é que mandava ali e quem é que era a vedeta que tinha dado o nome pelo sucesso do filme. Só assim se explica que à medida que o mesmo avançava, e não obstante os vastos talentos representativos da miríade de crianças de pululam pelo ecrã, ficava com a impressão clara que já tinha visto aquela história há alguns anos com um ser de outro planeta mais pequeno, castanho e que passava meio filme a querer telefonar para casa....

Nota de rodapé: A cena dos créditos finais está soberba!

Classificação: 6

11 de agosto de 2011

REVIEW
Hanna



Ano: 2011
Realizador: Joe Wright
Actores: Eric Bana, Saoirse Ronan, Cate Blanchett

Uma assassina, treinada desde cedo pelo pai enquanto exilados numas quaisquer montanhas remotas, procura a mulher que é a responsável pela sua presente situação, e que a persegue desde muito nova.

E o "set-piece" é interessante, perante a perspectiva de vermos um filme sério em que uma assassina que ainda não tem idade para beber malha a torto e a direito em todo e qualquer segurança de supermercado que se atreva a atravessar-se no caminho dela.

O problema é que o filme é tão sério, tão sério... que a dada altura torna-se desinteressante e vago. O argumento deriva para lado nenhum e o final não sabe a nada e não satisfaz de nenhuma forma palpável. E a inefável Cate Blanchett está tão perdida como uma bailarina num jogo de rugby.

Enfim, melhores dias virão e melhores filmes serão vistos este ano.

Classificação: 5.5

4 de agosto de 2011

REVIEW
Julia's Eyes



Ano: 2010
Realizador: Guillem Morales
Actores: Belen Rueda, Lluis Homar

Aqui está mais uma pujante e fresca obra, parida dessa aparentemente inesgotável mina que é o novo cinema de terror espanhol. E felizmente para todos nós, os espectadores ávidos de reviver as mais básicas sensações que o nosso cérebro reptiliano tem para nos oferecer, o interesse do filme não se esgota nos proeminentes e entumescidos seios da protagonista que, não obstante já ultrapassar em muito os 40 anos, é dona de uma saúde corporal tal que, por momentos, até nos faz esquecer de que é de um filme de terror que se trata.

Ou seja, temos aqui um saboroso twist de limão, na forma da doença visual da protagonista, que faz com que a perda progressiva de visão contribua para um aumento de tensão visual... só que nem sempre este aumento de tensão é visto através dos olhos cada vez mais turvos da Julia o que é uma pena. Adorava ter visto a acção através dos olhos dela, enquanto tentava encontrar, nas sombras da sua própria visão, a fugidia causa do mal que a persegue.

Mesmo assim, é um filme bem realizado e produzido (pela mão do inefável Guillermo Del Toro) e que, não obstante ir descambando progressiva e lentamente para os já vulgares clichés do género, consegue fazê-lo com algum estilo, rumo a um final satisfatório.

Classificação: 7

1 de agosto de 2011

19 de junho de 2011

REVIEW
Lars and the Real Girl


Ano: 2007
Realizador: Craig Gillespie
Actores: Ryan Gosling, Emily Mortimer

Um jovem demasiadamente tímido e recatado que vive num anexo ao lado da casa do irmão arranja uma boneca insuflável como companheira e desenvolve uma relação amorosa com ela.

Qualquer leitor astuto e inteligente que leia esta sinopse (e aposto que este blog tem muitos desses) deve pensar "mas que grande fantochada, oh pá!".

Pois, na verdade assim parece e admito que o que me atraiu para este filme foi o reconhecido talento interpretativo de Ryan Gosling. E o mais impressionante é como ele, mesmo assim, ainda conseguiu surpreender e arrancar uma performance digna de uma nomeação para o Óscar que, injustamente, nunca chegou!

O que começa como uma comédia desbregada resvala suavemente para o espanto (pela forma como Gosling constrói a relação com a boneca) e, logo de seguida, para um drama profundo sobre a natureza humana, a alucinação mental e sobre a união de uma comunidade para com um dos seus membros que necessita de ajuda e de ser amado. Chega a ser surpreendente, em determinados momentos, o quão poderoso se torna o filme depois de um início tão amalucado e quão firmemente caminha para um bom final, sem cair no dramalhão exagerado ou na lágrima fácil.

É um filmaço descomunal e um dos maiores "murros no estômago" da história deste blog!

Classificação: 9

REVIEW
The Believer


Ano: 2001
Realizador: Henry Bean
Actores: Ryan Gosling, Billy Zane

Este filme representa aquilo que é um dos principais objectivos aqui do estaminé, que passa por dar a
conhecer filmes obscuros mas não desprovidos de valor.

Assim sendo, e dois anos depois do impactante e fabuloso American History X, o desconhecido realizador Henry Bean traz-nos a história de um neo-nazi judeu e da sua ascensão nos "quadros" de um movimento fascista underground, ao mesmo tempo que se degladia com o seu passado e formação judia.

Ambos os filmes encontram-se em muitas das temáticas e questões ideológicas levantadas e até o protagonista (um Ryan Gosling até então desconhecido e, claramente, um dos melhores actores desta geração) acarreta consigo, ao longo do filme, muitas semelhanças com o personagem amargurado e enraivecido de Edward Norton.

Uma das coisas nas quais este filme se destaca em relação ao seu "semelhante" é, sem dúvida, os momentos frequentes de tensão, derivados da raiva e ódio do protagonista e que gera vários momentos de confronto iminente. Toda a temática e a questão ideológica inerente causam muitas comichões no cu ao espectador, pois é um assunto que não é fácil de abordar e o realizador, inteligentemente, opta por não se pôr com floreados e apanha o touro pelos cornos...

Muito, muito recomendável para quem gosta de filmes complexos e inteligentes.

Classificação: 8

1 de junho de 2011

REVIEW
Battle Los Angeles



Ano: 2011
Realizador: Jonathan Liebesman
Actores: Aaron Eckhart, Michelle Williams

Que saudades do Independence Day, esse guilty pleasure proveniente da mente retorcida do destruidor de mundos Emmerich que levou tantas pessoas às salas de cinema e esgotou, por incontáveis vezes, as tardes da SIC sob pomposos rótulos de "grande estreia".

Este realizador, Liebes qualquer coisa, também deve ter julgado o mesmo, e como tem amigos nos lugares certos (e, com uma certa dose de maledicência, um cavernoso buraco do rabo), conseguiu um budget astronómico para tentar, de alguma forma, emular esse mítico cromo dos nineties.

No entanto, não é preciso muito tempo para verificar a evidente falta de "cojones" para agarrar o toiro pelos cornos e todo aquele orçamento é gasto em coisa nenhuma, sendo que as bem feitas explosões do início do filme são apenas fogo fátuo e não contribuem em nada para nada. Os aliens são soldadinhos que parecem recortes de papel (longe, longe da imaginação e da frescura de um District 9), a quantidade astronómica de clichés (o sidekick preto, o sargento que sai da reforma para uma última missão, etc.), o argumento ridículo e os diálogos patéticos e carregados de uma emoção tão falsa e bacoca fazem com que este filme se veja afogado num fundo balde de esterco viscoso.

Apenas algumas cenas de tensão, logo no início do filme, e a "set-piece" na autoestrada, bem conseguida embora um bocado barulhenta de mais, salvam isto de ser uma estrumeira absoluta.

Classificação: 3

29 de maio de 2011

REVIEW
Closer



Ano: 2004
Realizador: Mike Nichols
Actores: Jude Law, Julia Roberts, Natalie Portman, Clive Owen

Mike Nichols, o excelente realizador de coisas tão boas e injustamente esquecidas como a série "Angels in America" dirige esta adaptação de uma peça de teatro homónima que, conforme se nota desde logo, tresanda a teatralidade por todos os poros, o que não é necessariamente uma coisa má, principalmente quando se tem um conjunto de 4 actores notáveis a fazerem coisas, ao longo do filme, que de notável têm muito pouco.

É uma clássica história de amores, traições e enganos, onde se disseca a fragilidade da psique humana em píncaros de intensidade dramática raramente vistos em cinema (e que devem resultar igualmente bem em teatro), onde as feridas da alma são sucessivamente lavadas e expurgadas através de sequências de injúrias ao próximo. Ou apenas porque sim, porque se gosta ou porque não se gosta. Porque o amor pode ser volúvel, complexo, difícil de compreender e de exprimir.

Não é demais realçar o notável trabalho de personagem efectuado pelos 4 actores, cada um com o seu próprio registo e maneira de estar na vida e perante o amor (que todos eles procuram). É esta distinção tão vincada entre pessoas que, tal como na vida, pinta o filme com tons de choque, complexidade e inteligência que poucos podem ter a ambição de conseguir.


Classificação: 8.5

22 de maio de 2011

REVIEW
Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides



Ano: 2011
Realizador: Rob Marshall
Actores: Johnny Depp, Penelope Cruz

Jack Sparrow é o filho predilecto de Johnny Depp. Vê-se isso em cada gesto, em cada trejeito, na forma trabalhadamente desajeitada, no limite do efeminado, de caminhar e de correr. É um estupendo trabalho de composição de um personagem e que contribui, de sobremaneira, para levar de arrasto um filme.

E, nesta quarta parte da saga, Johnny Depp faz por merecer o chorudo cheque que a Disney lhe pagou, arrastando o já lendário carisma do capitão Jack Sparrow por um filme entretido, que não lendário, onde a história e o climax do filme (a descoberta da lendária fonte da juventude) ganham um aspecto secundário perante outras vertentes, como os diálogos e a exploração dessa vaca leiteira que é o referido personagem.

De resto, Geoffrey Rush é igual a si próprio, o britânico Ian McShane faz um surpreendente e sólido vilão e a Penélope Cruz... mostra, em pleno 3D, as suas volumosas e soberbas mamas de recém mamã.

Não obstante isto, é um filme que é agradável de se acompanhar e que apesar de ter 2.30h parece ter menos tempo, mesmo não sendo um filme extraordinário, o que só diz bem de Johnny Depp e da leveza da história.

Porque, no fundo, a frase de Sparrow, no fim do filme, resume bem esta ida ao cinema:

"It's not the destination, so much as the journey".

Como nota de rodapé, o filme em 3D não acrescenta nada ao enredo, nem tão pouco à imersão do espectador na acção. Mais uma vez, temos um caso em que o 3D é igual a "2D às camadas"... e só em algumas cenas. Não há profundidade, o ecrã não é suficientemente grande e nunca temos a sensação de que algum salpico de água nos vá atingir a cara a qualquer momento. Ou seja, mais uma vez, o 3D não passa de um fogo de artifício para cobrar uma taxa "saca-euros-a-tolos" de 2€ para custear as câmaras cujo valor de aquisição deve ter sido ilimitado... Mas enfim, como estamos num país de chulos, tudo é permitido. A mim não me apanham mais em nenhum filme desta moda.


Classificação: 7

18 de maio de 2011

NEWS
Tim tim tim tim

Saiu o primeiro trailer do Tintim, realizado pelo Spielberg e produzido pelo Peter Jackson.
Para um primeiro teaser trailer... está assustadoramente vulgar!

Vejam com os vossos olhos aqui.

8 de maio de 2011

REVIEW
Due Date

Ano: 2011
Realizador: Todd Phillips
Actores: Robert Downey Jr., Zach Galifianakis

"Eh pá, vamos chamar o Robert Downey Jr. para fazer esta merda!"

"Boa... Mas olha que ele é um bom actor e quando vir este argumento vai fugir disto como se fosse a peste..."

"Isso não interessa... a gente paga-lhe bem e ele faz aquelas macacadas... O público gosta e, como é burro que nem um calhau, vai todo para o cinema e comprar o DVD porque é fixe gostar-se do Robert".

Não sou burro, mas sou masoquista. E só um masoquista vê este brutal monte de esterco até ao fim. Um comédia que não tem piada (e onde as piadas são tão forçadas como um intestino com prisão de ventre) vale tanto como um jogador de futebol que só tem pé esquerdo (estou a olhar para ti, Cardozo).

Filme a centímetros de ser premiado com o "galardão da bosta" (como este).

Classificação: 2

REVIEW
How Do You Know





Ano: 2011
Realizador: James L. Brooks
Actores: Reese Witherspoon, Owen Wilson, Jack Nicholson

O realizador do excelente As Good As It Gets regressa a cada lua cheia para fazer um novo filme e, mais uma vez, reune-se com Jack Nicholson que, desta vez, se deixa empurrar para um papel um bocado secundário.

O problema é que a personagem principal é a Reese Witherspoon que, por mais simpática, prestável e atractiva que possa ser, passa a primeira hora de filme a saltitar entre um Owen Wilson em modo amorfo e um gajo qualquer, nervoso e anódino que, a braços com um problema com a justiça, se vê atirado para os braços da Reese.

Os meus braços, esses.... largaram os braços da cadeira passado meia hora de filme, farto que já estava do argumento pedestre, rasteiro e inconsequente que não ia levar a lado nenhum.

Classificação: 3

REVIEW
Last Night





Ano: 2011
Realizador: Massy Tadjedin
Actores: Keira Knightley, Sam Worthington

Desde sempre se fizeram bons filmes sobre a infidelidade. Pelo menos, agora que penso nisso, não me vem nenhum mau à mente, desde o deliciosamente depravado Basic Instinct até ao excelente e denso Unfaithful.

Aqui temos mais uma sólida contribuição para o género que, não obstante tratar do tema com recurso a longas e, em alguns momentos pastosas, verborreias sobre a questão, acaba por deixar-se pegar pelos cornos pelo espectador que, sedento de ver os integrantes de um casal de classe média-alta cederem às sempre irresistíveis ondas da tentação (aqui habilmente personificadas pelas sinuosas curvas da Eva Mendes e de um qualquer francês supostamente charmoso), saliva como um cão pelo momento climático em que os membros do casal se vêem confrontados com as suas escolhas e acções, e as consequências que as mesmas irão ter para o casamento.

E acaba por sair um bocado desiludido, habituado que está a apoteoses grandiosas e a decisões críticas capazes de mudar o mundo. Aqui, não temos nada disso. Apenas um casal cujos membros se confrontam com uma tentação. Seres humanos, portanto, que erram e tentam aprender com isso. E o final do filme contribui para acentuar essa humanidade do dia a dia que podemos encontrar em qualquer um....

Classificação: 7

REVIEW
Source Code



Ano: 2011
Realizador: Duncan Jones
Actores: Jake Gyllenhaal, Michelle Monaghan

Eis um excelente filme, que pode até mesmo ser um dos "sleepers" do ano. Uma pequena jóia da ficção científica que mistura viagens da mente, universos paralelos, consciências, enredos com pinceladas de Matrix e um personagem principal que, não obstante a acção premente, mostra ter humanidade e sentimento através de uma performance capaz e competente de Jake Gyllenhaal.

Não obstante o filme levantar algumas questões pertinentes que podem levar o espectador mais atento a suspeitar que existem para ali "plot-holes" sabiamente camuflados, a acção e o inteligente argumento mascaram habilmente eventuais falhas e o espectador é levado pela mão numa viagem de comboio que se repete e repete... mas sempre com um ligeiro twist a limão que faz com que o filme não caia nos clichés do género que já vimos noutras bombas de esterco como esta.

Quase tudo aqui está bem pensado (excepto o final, que não gostei... Tinha feito a coisa de outra maneira) e executado e o realizador é um nome a reter na bexiga de Hollywood, após o também excelente filme de estreia da sua autoria, de nome "Moon", que também aconselho vivamente, embora isso já seja vaca para outro pasto...

É dinheiro bem empregue e um valor seguro. Tão seguro e saudável de consumir como um molho de nabiças.

Classificação: 7.5

24 de abril de 2011

REVIEW
Fantastic Mr. Fox





Ano: 2009
Realizador: Wes Anderson
Actores: George Clooney, Meryl Streep

Sob a capa de um filme para crianças feito numa animação ultra-manhosa em "stop-motion" que mais parece um resquício de um desenho animado checoslovaco do Vasco Granja (ahhhh, que saudades.... aturar toda aquela merda de leste antes do balsâmico efeito da Pantera Cor de Rosa...) reside uma surpreendente e inteligente comédia negra sobre uma raposa esperta que não resiste a roubar galinhas, perús e qualquer animal com penas que lhe apareça à frente, mesmo que isso implique ir contra três dos mais astutos e mefistofélicos agricultores que alguma vez passaram pela sétima arte.

E só é preciso mesmo dar uma hipótese a este filme pois bastam 5 a 10 minutos para que fiquemos como que magnetizados pela bizarra mescla de animação rudimentar, história básica e... várias e várias camadas de diálogo complexo que se fundem na perfeição com uma construção psicológica das personagens que é surpreendentemente densa e bem conseguida.

É um filme de crianças feito a pensar nos adultos pois só eles vão poder descascar as várias camadas desta cebola que não faz chorar, mas que é perfeita como refogado para uma das mais originais e surpreendentes obras de animação que já me passaram por estas mãos imundas...

Classificação: 7.5

15 de abril de 2011

REVIEW
London Boulevard


Ano: 2011
Realizador: William Monahan
Actores: Colin Farrell, Keira Knightley

Colin Farrell tem um jeitaço para fazer de gangster. O seu ar de irlandês durão de trazer por casa é forma perfeita para o sapato de filmes como este.

Junta-se uma starlette atormentada pela violência e exigência dos papéis que representa e que precisa de um guarda costas fiável para funcionar como pipo da panela de pressão da vida dela.

O problema é que também temos sucedâneos de gangsters derivados do Padrinho de Marlon Brando, jogadores da bola com tendência para a violência, sidekicks incapazes e toda uma miríade de personagens secundários cujas histórias nunca são totalmente desenvolvidas e cuja trama que com elas se pretende construir nunca é completamente explorada, apenas arranhada com o dedo.

Pelo meio, uma Londres escura, cinzenta e apagada, como a capacidade de redenção do protagonista quando inserido no meio onde se encontra e um filme que entretém, é competente, vê-se bem... mas que, quando acaba, deixa-nos aquela impressão de que podia ter sido muito melhor pois perde-se um pouco no meio de tanta personagem e nunca sabe onde fixar o foco do filme.

Classificação: 6.5

14 de abril de 2011

REVIEW
Chloe



Ano: 2009
Realizador: Atom Egoyan
Actores: Julianne Moore, Liam Neeson, Amanda Seyfried

Uma mulher desconfia que o seu marido, um proeminente professor, anda a ter um affair com uma das suas estudantes. Como tal, faz aquilo que qualquer mulher faria: contrata uma espécie de call-girl para tentar seduzir o marido para, dessa forma, testar a sua fidelidade.

No entanto, obviamente, a coisa acaba por descambar, na medida em que os relatos que a jovem senhora transmite à corroída esposa acabam por fazer com que a situação entre numa espiral destrutiva que vai pôr todos em risco (inserir riso catastrofista e mefistofélico).

Este é um filme com uma primeira parte bastante interessante, em que o clima de intriga, suspeita e traição apenas encontra paralelo no casal de excelentes actores e na surpreendente e desnudada performance de Amanda Seyfried, a verdinha protagonista desse clássico seminal (NOT!) chamado Mamma Mia, sendo que as "interacções" com a Julianne Moore foram, sem dúvida, o ponto alto do filme.

E depois.... tudo se perde, num dos mais horrendos e telegrafados finais de que me recordo, um verdadeiro case-study na arte de não terminar um filme em condições!


Classificação: 6

REVIEW
Fair Game


Ano: 2010
Realizador: Doug Liman
Actores: Sean Penn, Naomi Watts

Onde é que eu já vi Sean Penn a fazer um papel deste género? E a Naomi Watts, que é sempre apanhada no meio do fogo, neste ou noutro tipo de filmes?
Aqui não é diferente. Penn é um ex-diplomata de renome. Watts é uma agente da CIA que se vê desmascarada como parte de uma "vendetta" do governo Bush por um artigo nada amistoso que o seu marido escreveu, duvidando da existência de armas de destruição maciça como desculpa para invadir o Iraque.

E tudo isto parece muito apaixonante no papel pois a perspectiva de um thriller político é sempre assinalável, sendo capaz de nos deixar a salivar que nem os cães babosos que somos.

No entanto, o realizador Doug Liman, com uma tendência natural para tornar denso qualquer filme light, trata-nos a todos como discípulos do Nuno Rogeiro, perdendo-se na sua própria trama e enchendo-a de pormenores tão complexos e técnicos que o espectador vê-se em palpos de aranha para seguir a história...

Classificação: 6.5

13 de abril de 2011

REVIEW
The Runaways


Ano: 2009
Realizador: Floria Sisigmondi
Actores: Dakota Fanning, Kristen Stewart

Biopic sobre as Runaways, um dos mais proeminentes e pioneiros grupos de rock feminino dos anos 70, é um filme que se foca maioritariamente na vocalista Joan Jett, pessoa ostracizada e eclipsada pela sociedade que encontrou na música e na vontade de faazer algo com ela o seu escape a uma realidade na qual ela não se encaixava.

Joan Jett era a alma das Runaways e a sua busca pela vocalista perfeita levou-a a Cherie Currie (um papel magnético de Dakota Fanning, que faz uma esforçada transformação de eterna menina em sex-bomb adolescente), uma loira alheada com uma voz crua e bruta que irá ser afincadamente trabalhada pelo seu manager excêntrico e esotérico.

É um filme eminentemente musical, competente, rockeiro, com muita droga à mistura, que conta com muita solidez a já clássica história de ascensão e queda de muitos dos grupos da altura, iludidos pela sede de estrelato e por tudo o que o mesmo acarreta.

O que é mais interessante neste Runaways é que, durante a visualização o filme estranha-se mas depois de se acabar de ver, entranha-se durante algum tempo, principalmente se a excelente banda sonora do mesmo perdurar algum tempo no auto-rádio do carro...

Classificação: 7

28 de março de 2011

REVIEW
The King's Speech


Ano: 2011
Realizador: Tom Hooper
Actores: Colin Firth, Geoffrey Rush

O filme mais oscarizado do ano é, em alguns momentos, uma monumental pastelada quase vitoriana, não fosse passsar-se no tempo pré-Segunda Guerra Mundial.

O filme mais oscarizado do ano é, simultaneamente, um dos mais fracos que me lembro de alguma vez terem sido agraciados com as estatutetas do homenzinho careca.

O filme mais oscarizado do ano são murmúrios inconsequentes (e gagos) de uma história que ficava muito melhor encaixada num telefilme da SIC em duas partes (de 15 minutos cada uma, diga-se), com o Diogo Morgado a fazer de rei e o Vitor Espadinha como o seu terapeuta da fala e que haveria de passar às 2 da manhã de um qualquer dia da semana como forma de encher chouriços enquanto não inventavam novos anúncios para pôr na TVShop.

O filme mais oscarizado do ano é, admita-se, um grande papel de Colin Firth, merecedor em absoluto do Óscar de Melhor Actor como um aspirante a rei, gago, nervoso, irritável, mas que, ao mesmo tempo, tem o delicioso condão de cair no goto dos espectadores, como se ele fosse o único porto de abrigo do filme ao qual nos agarramos para não irmos ao fundo no mar de tédio que envolve tudo isto....

Classificação: 6.5

27 de março de 2011

REVIEW
Resident Evil: Afterlife



Ano: 2010
Realizador: Paul W. Anderson
Actores: Milla Jovovich, Ali Larter

A saga Resident Evil ocupou sempre um lugarzinho num recôndito obscuro do meu coração, eclipsado por outras obras de maior monta, não obstante o talento do realizador Paul Anderson ser o equivalente cinematográfico de um balde de bosta de boi.

No entanto, e chegados nós a este que será, com alguma esperança, o opus final, vejo-me forçado a concluir que a saga está, de facto, à beira da extinção (mesmo que ainda se lhe queira injectar uma afterlife tão artificial como vã).

Os primeiros minutos ainda prometem algo de bom com uma cena que mais parece tirada do Matrix mas o que vemos depois é uma sucessão desconexa de cenas de pseudo-acção em super slow motion onde até Milla Jovovich já parece um bocado longe do fulgor de outros filmes e caminha, arrastando-se de forma lânguida rumo a um final chocho e esquecível e que, com uma cena após os créditos, ainda prenuncia que pode, eventualmente, haver um novo filme da saga.... Deus nos livre a todos de tal fardo porque o que está extinto, extinto deve ficar! Perguntem aos dinossauros...

Classificação: 3

17 de março de 2011

REVIEW
Tron: Legacy



Ano: 2011
Realizador: Joseph Kosinski
Actores: Jeff Bridges, Garrett Hedlund

Este novo filme do Tron foi uma surpresa agradável, admito. Porque reconheço no original o estatuto de filme de culto que atingiu e porque não esperava mais desta sequela do que um saca-euros feito à pressão por revivalistas gordos e de boné verde a dizer "John Deere".

E, no entanto, eis que me engano. Embora o enredo seja, na sua génese, tão intelectualmente estimulante como um dólmen, pois não passa de um ripoff barato do Matrix, tecnicamente é uma obra mimada e arrojada, na qual a excelente banda sonora dos Daft Punk dá uma preciosa ajuda pois consegue surpreender com os seus acordes acertados e que acompanham a acção de forma perfeita.

Ou seja, nenhuma roda vai ser aqui reinventada e, quando o filme entra pelos trilhos da introspecção tecnológica espalha-se ao comprido como um jogador do Porto mas quando as cenas de acção entram em acção... aí sim, estamos perante um dos mais satisfatórios filmes do ano.


Classificação: 7

13 de março de 2011

REVIEW
Buried


Ano: 2010
Realizador: Rodrigo Cortés
Actores: Ryan Reynolds

Como eu gosto de ver terror espanhol.... Não há como os nuestros hermanos para reinventarem a roda e jogarem umas golfadas de ar fresco num género já por demais batido, explorado e sovado.

E, ironicamente, o pináculo da frescura e inovação é aqui simbolizado pelo cenário mais minimalista que há memória. Um caixão e um homem enterrado durante 90 minutos. Nada mais. Não existe qualquer outro actor secundário nem qualquer outro cenário para o filme. A totalidade dos 90 minutos é passada dentro das quatro claustrofóbicas "paredes" do caixão.

Ora bem, um filme com esta premissa ou é realmente bom ou é realmente uma grande merda. Felizmente para todos nós, é o primeiro caso e o argumento bem esgaçado e sem floreados só encontra paralelo na MAGISTRAL e ASSOMBROSA performance de Ryan Reynolds, um actor que sempre prezei, embora estivesse ostracizados em pseudo-filmes para pitas histéricas e donas de casa desesperadas, e que nunca tinha encontrado um papel à sua altura. É um soberbo, implacável, cru e visceral "one-man-show" que faz com que até o mais frígido espectador não possa deixar de sentir a proverbial comichão no rabo à medida que as dimensões da sala diminuem em igual proporção com as do caixão que encerra o protagonista.

Volto a repetir (porque nunca é demais martelar nesta tecla): é um verdadeiro "sleeper-hit", um filme digno de figurar no hall of fame desta estrumeira de blog que, provavelmente, só meia dúzia de peludos bêbados consome em noites de borracheira para ajudar a dormir. E eu adoro-vos a vocês todos! Continuem a ler que o meu ego inchado agradece.

Classificação: 9

8 de março de 2011

REVIEW
The Fighter



Ano: 2011
Realizador: David O. Russell
Actores: Mark Wahlberg, Chriatian Bale

Esta é a história verídica de Micky Ward, um lutador de boxe que chegou ao título de pesos plumas com a ajuda do seu meio irmão, um ex-lutador caído em desgraça por causa das drogas.

Parece familiar? Pois, é mais um "Rocky-wannabe" cuspido e escarrado, sendo que a única diferença palpável entre ambos é a presença de um Christian Bale num papel pujante e magnífico (que aliás lhe valeu um merecidíssimo Óscar). A "Adrian" do turno é uma Amy Adams a trepar bem alto na escala dos meus dedos, fruto das lingeries e decotes acentuados que orgulhosamente vai ostentando ao longo do filme.

De resto, Mark Whalberg está forte como um toiro e anódino e amorfo como Stallone. Valham-nos os combates de boxe que, filmados sob uma perspectiva televisiva, são reais e dolorosos q.b.

Classificação: 7

6 de março de 2011

REVIEW
Splice



Ano: 2010
Realizador: Vincenzo Natali
Actores: Adrien Brody, Monica Potter

Como foi refrescante assistir ao Cubo em 1997. O primeiro filme de Vicenzo Natali tinha o seu quê de Porkys, ou seja, era uma espécie de filme de culto, fruto proibido apetecido pela extrema violência (e não tanto a sexualidade do supracitado).

Uns bons 13 anos depois, Natali aventura-se na experimentação genética e este Splice é uma obra interessante e perturbadora q.b. que inclui a mais bizarra cena de sexo de que me recordo, daquelas de fazer arrepiar os cabelos do cu.

Fora a "kinkiness" da dita cena, o que resta é um enredo interessante, profícuo a levantar uma miríade de questões éticas e morais inerentes à área da experimentação genética, e que faz com o que filme seja um "sleeper hit" deveras atractivo e agradável de seguir, principalmente pelo espectador ávido de uma certa morbidez e de excelentes efeitos em CGI.

Classificação: 7

1 de março de 2011

REVIEW
127 Hours



Ano: 2010
Realizador: Danny Boyle
Actores: James Franco

127 Hours é um biopic de um explorador azarado que fica com uma mão debaixo de uma pedra e tem que a amputar para conseguir sobreviver e é, também, um notável "one man show" de James Franco, um bom actor que aqui se transcende por completo e supera, em variados momentos, as bizarrias dirigistas de Danny Boyle, numa tentativa desesperada de esticar ao máximo o filme até à hora e meia mínima.

Há certos momentos em que o filme perde o élan que trazia do início e, de alguma forma, sentimo-nos um pouco abandonados naquele buraco, tal como o protagonista. Mas tudo acaba por mudar quando Franco se decide a dar cabo do braço, com uma cena absolutamente delirante do corte de um nervo, dolorosamente bem conseguida. Não é tão brutal como os desmaios que por aí ocorrem dão a entender, mas dá para uns "eishh" de nojo.

Um excelente actor pedia outro realizador para isto. Olhem para o Buried (sobre o qual me debruçarei em breve...)

Classificação: 7

27 de fevereiro de 2011

Oscaralhada 2011


Como não podia deixar de ser, e porque eu preciso de saber se esta semana jogo no Euromilhões, deixo aqui, sem mais delongas, as minhas previsões para a cerimónia de hipocrisia e troca de favores que, daqui a umas horas, irá ocorrer no Kodak Theater...

Melhor Filme: The Social Network (embora o Inception seja, realmente, o melhor...)
Melhor Realizador: David Fincher
Melhor Actor: Colin Firth
Melhor Actor Secundário: Geoffrey Rush (Christian Bale merecia mais, mas aqui nem sempre ganha quem merece...)
Melhor Actriz: Natalie Portman (mas há dúvidas?)
Melhor Actriz Secundária: Melissa Leo
Melhor Argumento Original: Inception (esperando que não seja o único Óscar...)
Melhor Argumento Adaptado: The Social Network

26 de fevereiro de 2011

REVIEW
The Tourist


Ano: 2010
Realizador: Florian Henckel von Donnersmarck
Actores: Johnny Depp, Angelina Jolie

O que acontece quando se junta dois dos melhores e mais versáteis actores da actualidade? Nada de especial.
Um filme com uma localização interessante e aprazível é transformado num "shoot'em up" convencional e mais ou menos previsível, carregado de clichés e onde Johnny Depp se vê, em diversos instantes, reduzido a um papel de "comic relief" (que ele, por acaso, até executa bastante bem) um tudo nada deprimente.


Este Turista é uma mistela com pouco sal e uma tímida pitada de pimenta, fornecida pelos protagonistas que estão enfiados a martelo num argumento insípido e já visto por diversas vezes noutras ocasiões. Só mesmo num ano mau é que isto acarreta 3 nomeações para os Globos de Ouro. E sem a dupla de protagonistas que tem, este filme era menino para cair inexoravelmente nos interstícios do esquecimento cinéfilo... É que nem a belíssima Veneza fica destacada na fotografia!

Classificação: 4

REVIEW
Machete


Ano: 2010
Realizador: Robert Rodriguez
Actores: Danny Trejo, Jessica Alba, Michelle Rodriguez

Depois de ver este Machete, chego à conclusão que Robert Rodriguez seria o amigo ideal com quem compartilhar umas "pints" num bar de higiene duvidosa, enquanto friccionamos os sacos escrotais e falamos das prateleiras das empregadas.

Isto porque alguém que consegue congeminar um tão desmesurado cocktail de badalhoquice sanguinolenta e gratuitamente sexual, tendo como desculpa uma vendetta que nunca é bem explicada (nem precisa de ser!) só pode ser um pacholas e um gajo que sabe o que nós, espectadores ávidos de acção e sangue, apreciamos.

E quando reúne um elenco de personagens tão dispares como Robert DeNiro, Don Johnson, Steven Seagal (no seu melhor papel da história) e Lindsay Lohan a mostrar as "prateleiras" enquanto se veste de freira é um feito que não está ao alcance de qualquer pé rapado. Ainda mais quando todos eles constroem estereótipos de personagens que estão tão bem conseguidos, há todo um frémito de excitação a percorrer a espinha do espectador revivalista, principalmente depois da desilusão que foi o Expendables do Stallone.

Quanto a Danny Trejo, o eterno criminoso que, basicamente, diz "kill'em all" em todos os filmes (ou quase) tem, finalmente aqui, o papel perfeito e de uma vida, que lhe faz justiça e lhe assenta que nem uma luva.

E este "Machete" é, sem dúvida, o guilty pleasure da década! A comprar em DVD/Blu-ray e rever até o disco ficar gasto!

Classificação: 8.5

REVIEW
Black Swan


Ano: 2010
Realizador: Darren Aronofsky
Actores: Natalie Portman, Mila Kunis

O novo filme de Aronofsky, sucessor espiritual do fabuloso The Wrestler encerra em si uma dualidade única. É um filme sobre paranóia, obsessão e (in)sanidade, personificada por uma metáfora a uma encenação do Lago dos Cisnes e é, ao mesmo tempo, um filme sobre bailado, cujo grau de exigência requerido leva qualquer protagonista mais emocionalmente frágil ao descontrolo emocional absoluto.

Seja qual for o prisma pelo qual se veja este filme, ele é sempre uma obra prima. Um filme negro e progressivamente opressivo, tem na direcção de Aronofsky um bastião de ferro que manda, com absoluta mestria e total confiança, a pobre Natalie Portman numa espiral crescente de desconfiança, paranóia e separação da realidade, uma verdadeira descida ao inferno de cada um de nós ancorada na metáfora do cisne branco e do cisne negro que, em determinados momentos, atinge píncaros de filme de horror.

É um filme desagradável de se ver e que faz comichão no cérebro reptiliano de cada um de nós e que, por isso mesmo, é absolutamente indispensável. Quanto mais não seja, para ver o monumental tour de force da Natalie Portman naquele que é, de certeza, o melhor papel do ano!

Classificação: 9

REVIEW
The Walking Dead



Ano: 2010
Realizador: Frank Darabont


Dentro de uma gama ecléctica de gostos, aqui o escriba tem um verdadeiro "sweet spot" por um género que é, muitas vezes e com justiça, visto de uma forma tão "brainless" como os seus protagonistas: os filmes de zombies.

Frank Darabont também deve achar o mesmo. No entanto, o realizador de "Shawshank Redemption" é dono de uma sensibilidade artística que escasseia noutros, mais virados para o gore gratuito e excessivo.

E "Walking Dead" é o resultado dessa sensibilidade. Porque fazer uma série pós-apocalíptica de zombies que faz com que nos importemos com os personagens e com os seus destinos, relegando o gore (que, apesar de correctamente doseado, é extremo em alguns momentos) para um plano mais do que secundário.

O primeiro episódio, então, é uma coisa assombrosa, um verdadeiro "workshop" na área da televisão. A tensão criada e a desolação subsequente são dignas de vários prémios e, embora o fio condutor da trama se perca um bocado em floreados e dilemas linguísticos e morais desnecessários em episódios seguintes, este "Walking Dead" é, ainda assim, muito, muito bom de se acompanhar!


Classificação: 8

24 de fevereiro de 2011

REVIEW
Blue Valentine


Ano: 2010
Realizador: Derek Cianfrance
Actores: Ryan Gosling, Michelle Williams

Imensos filmes já foram feitos sobre relações amorosas, uns mais sérios que outros. Este Blue Valentine é mais um desses exemplos. No entanto, contrariamente aos outros, é um filme que mostra, se calhar pela primeira vez, o exacto momento em que uma relação morre. E morre não porque haja traição, falta de amor, de química ou qualquer outro factor. Morre apenas porque definha, porque desfalece progressiva e inexoravelmente, porque ambas as partes sabem que a relação está em crise, mas ainda não chegou ao ponto de não retorno. E aí estão, debatendo-se contra aquilo que parece inevitável, mascarando aquilo que já é evidente, e que culmina numa das mais desagradáveis cenas de sexo que me recordo. Não porque esta seja violenta ou dura, mas porque o desconforto gerado faz-nos mal, arranha, entra-nos no âmago e incomoda profundamente sabendo nós que, a partir dali não há retorno possível. Porque ele ainda gosta dela (e muito), no seu jeito meio juvenil e trapalhão, mas ela já não está lá, mentalmente já seguiu em frente com a sua vida e já não resta uma centelha de paixão entre eles.

E quando se tece uma história deste calibre com flashbacks dos primeiros momentos de romance em conjunto e da química então transbordante entre o casal de pombinhos (não obstante a evidente falta de "bases" desse amor, que acabaria por ser o motivo da sua perdição), não podemos deixar de sentir uma profunda admiração e fascínio pelo quão triste é o fatalismo a que estão destinadas certas relações, apenas porque sim, porque tem que acontecer mais cedo ou mais tarde, e pelo quão poderoso, magnífico, arrebatador, melancólico e fascinante é este filme, estupendamente personificado na dupla de actores que o encarnam, em duas performances que irão reverberar na memória deste esmagado escriba. Uma obra visceral e memorável.

...Because "you always hurt the ones you love"...

Classificação: 10

22 de fevereiro de 2011

O regresso!

Quase 6 meses depois, eis-me de volta à minha caverna, a tempo dos Óscares, essa inegável montra de interesses, favores e hipocrisia cinéfila.

24 de outubro de 2010

Pois é... 5 anos depois, mais de 500 posts e 40.000 visitas (muitas delas minhas, apenas para me encher o ego) e este humilde estaminé vai, finalmente, fechar as portas.

Não posso deixar de transmitir o meu profundo e sincero obrigado a todos os que, ocasional ou frequentemente, passavam por aqui para me ver debitar alarvidades várias sobre filmes, mas sempre com a paixão assoberbada de quem não conseguiria viver sem cinema.

No entanto, a partir do momento em que vir aqui escrever se tornou uma obrigação e não um prazer, este blog passou a não ter mais razão de existir.

Talvez ele ressuscite, um dia, num outro formato, mais sucinto, noutra plataforma... Até esse dia chegar (se é que chega) fica um grande obrigado e um bem-haja sentido a todos!

10 de outubro de 2010

REVIEW
Date Night

Ano: 2010
Realizador: Shawn Levy
Actores: Steve Carrell, Tina Fey

Um casamento rotineiro e monótono. Uma noite no restaurante, para um jantar especial. Uma troca de identidades. Uns ladrões que queriam alguma coisa que, francamente, já não me lembro. Um casal de brilhantes comediantes, perdido no limbo. Um filme monumentalmente merdoso, aborrecido, sem piada e sem qualquer rasgo de imaginação ou de comédia. Uma noite bem dormida...


O melhor: Curou-me a insónia.
O pior: Steve Carrell. Começou no Daily Show e tem o excelente The Office. De resto... tudo onde ele toca é merda.
Classificação: 1

8 de outubro de 2010

REVIEW
Predators

Ano: 2010
Realizador: Nimrod Antal
Actores: Adrien Brody, Lawrence Fishburne

Havia um frémito de esperança perante a possibilidade deste realizador sueco semi-desconhecido poder resgatar um dos mais adorados ícones da sétima arte de um certo ostracismo a que tinha sido vetado com os dois aberrantes tomos que o juntavam ao seu amigo Alien.

E a partir do momento em que o personagem de Adrien Brody aterra num planeta estranho, parece, desde o primeiro momento, que já vimos aquilo em algum lado, nomeadamente há 23 anos com o senhor governador ao leme de um filme memorável.

E é aqui que reside o maior trunfo do filme, nunca tentanto ser algo que não é e nunca se escudando em subterfúgios bacocos nem em argumentos de merda para justificar a existência de seres que valem por aquilo que são.

Aqui o filme conta também com outro atributo: o elenco, pois ao contrário de outros filmes, está cheio de gente conhecida (como o nosso querido "Machete") o que faz com que nos importemos um bocado mais com quem é trinchado ou não.
E, por falar nisto, reside aqui um dos defeitos do filme, quanto a mim. Não há sangue, não há vísceras, não há braços pendurados, nem um resquício de gore violento que exiba o carácter implacável deste caçador... Parece uma versão capada para miúdos que, não obstante, é bem agradável e tira o sabor a merda da boca que lá residia desde que vi o Alien vs Predator...

O melhor: A personagem de Brody é credível.
O pior: É um remake demasiado denunciado.
Classificação: 6.5

21 de setembro de 2010

REVIEW
Prince of Persia: The Sands of Time

Ano: 2010
Realizador: Gore Verbinsky
Actores: Jake Gyllenhaal, Ben Kingsley

Adaptação do excelente videojogo homónimo, este Prince of Persia conta-nos a história de um zé-ninguém que chega a príncipe e que descobre, de uma forma algo enviesada, que uma adaga de que ele se apodera contém areias mágicas capazes de fazer o tempo retroceder.

Príncipes, princesas, tios maléficos e reis néscios... Todos os ingredientes de um belíssimo jogo de computador, executado de forma soberba.... e que estava fadado a falhar na transposição para a tela. Tudo isto é muito bonito quando estamos a jogar e transpiramos perante a necessidade de efectuar um crescente e inimaginável número de "combos".
No entanto, isto no écran não passa de uma história passiva, onde o espectador apenas assiste e, principalmente, para aquele que jogou, sabe-lhe sempre a pouco.

No caso concreto deste Prince of Persia, o que temos aqui é um slideshow elaborado (não obstante ser de uma beleza cinematográfica ímpar - fruto do seu exagerado orçamento) de "set-pieces" e de "templates" já vistos em tantos e tantos outros filmes do género... e não é o facto de este se localizar nas arábias que o liberta do sempre estigmatizador epíteto de.... bola de esterco esquecível!


O melhor: A cinematografia é excelente.
O pior: Mais uma adaptação de videojogo = merda.
Classificação: 4.5

20 de setembro de 2010

NEWS
Auschwitz

Graças ao Cineblog, soube eu que o Uwe Boll está de regresso. Ou seja, temos um alemão a filmar um dos mais negros capítulos da história alemã. Irónico, ah?

Conhecendo Uwe Boll e a sua subtileza de bigorna, este filme tem tudo para ser um escândalo!


11 de setembro de 2010

REVIEW
The Expendables

Ano: 2010
Realizador: Sylvester Stallone
Actores: Sylvester Stallone, Dolph Lundgren, Jason Statham

Finalmente, e após algum tempo de "retenção", lá fui eu ver esta monumental ode à batatada "eighties", para a qual Stallone convidou a fina flor da castanhada (só faltou um bocado de Chuck Norris e de Van Damme, na minha modesta opinião).

E fico triste, velho e cabisbaixo ao verificar que este festival de pancada não me despertou grande interesse, sendo que ao fim de meia hora de filme já estava mais preocupado com a comichão que me grassava os tarecos e com a cera que me inundava os ouvidos e que escarafunchei ferozmente com a minha unhaca de meio metro.

Enfim, lá para o fim do filme, e depois de já se ter perdido algum tempo em perseguições automóveis inúteis e "plot-directions" que não levaram a lado nenhum, lá se lembraram de, em 10 minutos, entrar pela mais bem guardada fortaleza a sul do pacífico como quem entra pela loja do Ti Zé, sem sequer pedir licença.

Chamem-me exigente, velho, obtuso, o que quiserem... mas até um bom filme de berlaitada (e este tem muita, e com bastante gore) tem que ter algum fundo, alguma substância, nem que seja do tamanho de um pintelho. E aqui, lamentavemente, não temos nada disso, apenas um argumento desinteressante e que é quebrado, aqui e ali, por algum gore gratuito.

Deu-me saudades do Rambo IV, bem mais amargo na sua essência, e até do Commando do Schwarzenegger, bem mais palhação, pois apesar da qualidade do elenco, Stallone e Statham abarbatam-se das melhores cenas e deixam, lamentavelmente, eclipsado um Mickey Rourke que arranca os melhores diálogos do filme.

O melhor: Os cameos e a "velha guarda" toda junta.
O pior: Não tem grande interesse.
Classificação: 5.5

5 de setembro de 2010

REVIEW
Kick Ass


Ano: 2010
Realizador: Matthew Vaughn
Actores: Aaron Jonhson, Chloe Moretz

Kick Ass. Só o nome fazia augurar um incomensurável arraial de berlaitada como nunca antes se tinha visto, porque a banda desenhada que serve de mote a esta adaptação é ultra-violenta, no limite do bom gosto.

E não, não obtemos nada disso, nem sequer um vislumbre da visceral BD que lhe deu origem. O que nós temos, caros leitores ávidos de sangue, é um filme de super-heróis para miúdos, uma palhaçada pueril e inconsequente que, daqui a um ou dois anos, pode ser metida a martelo por entre os filmes da Disney que passam todos os fins de semana nas tardes da SIC e da TVI.

Não há nada de novo aqui, nada que antes não tenha sido tentado com mais sucesso, nenhum conceito que antes não tenha sido experimentado de uma forma mais feliz. Lembro-me, assim de cabeça, do conceito "ser um super-herói para poder superar a minha inadaptação na escola e, assim, poder ser visto de outra forma pela menina que amo".

Bah. Que os pariu a todos. Meia hora de filme e já estava desejoso que aquela merdonga verdasca apanhasse com um bastão de basebol no meio dos cornos que é para eu poder ir à minha vidinha. No entanto, o nosso cagalhão de herói é néscio e sortudo q.b. para se ir safando quase sempre pela nesga de um pintelho e se não fossem as intervenções da Hit-Girl para lhe salvar o coiro (única personagem que me conseguiu levantar um sobrolho) e ainda hoje andavam-no a raspar do alcatrão...

Nem a ironia de o filme (e o personagem principal) se chamar Kick-Ass quando passa grande
parte do filme a apanhar no rabo o salva de ser uma estrumeira esquecível.

Deixo-vos com uma belíssima imagem da BD, para alegrar o vosso pequeno almoço de amanhã. Mas não esperem ver nada remotamente parecido com isto no filme...


O melhor: A Hit-Girl, fadada para mais altos vôos.
O pior: Demasiado mundano para ser interessante. E nem me façam falar do Nic Cage...
Classificação: 4