17 de julho de 2005

REVIEW
Bad Santa

O Natal é mesmo uma época do caraças. As famílias juntam-se em fraternidade e comunhão, trocam-se presentes, os jantares de família são cheios de risos, enfim, é uma felicidade que reina em toda a parte.

Será?

Ou então não. Porque gente há, da mais baixa estirpe, (Willie, interpretado por Billy Bob Thornton) que já desceu tão baixo na vida que a única consolação, nos dias que correm, é vestir-se de Pai Natal para assaltar centros comerciais de merda e conseguir um saque jeitoso para sobreviver o resto do ano á custa de shots de whisky.
Enquanto faz o seu trabalho (ou tenta), e se não estiver podre de bêbado a micar algum cu que vai a passar, este Pai Natal sui generis urina-se por excesso de álcool enquanto recebe no colo os chatos pirralhos que lhe pedem as prendas ou fuma uns charros nos bastidores até cair para o lado com monumental pedrada. Pelo meio, se conseguir arrancar alguma gaja com quem ter sexo, (normal, oral... whatever) tanto melhor. Mas, mesmo aí, e mesmo sem nunca despir o seu fato de Pai Natal (fetiches...), há todo um sentido maquinal e rotineiro nos maneirismos de Willie e na forma como o faz, como quem lava os dentes ou muda de cuecas.

Até que surge "o" puto da praxe neste tipo de filmes. Chato como a merda, não descola de Willie, embora ele o rejeite como um cão sarnento, pois acredita que ele é mesmo o Pai Natal. Mas será o puto que fará Willie ver a luz, mudar o seu comportamento e descobrir que afinal até tem um coração a bater dentro de si.

Tudo isto já foi visto noutros filmes, dir-me-ão. Mas este constitui a súmula do politicamente incorrecto, muito bem interpretado por Billy Bob Thornton, que domina o filme, mesmo na sua transformação, muito natural e nada forçada. De realçar também o seu irritante sidekick, um minorca que, supostamente, é o cérebro dos assaltos a shoppings de segunda.
Terry Zwigoff mostra a sua qualidade a realizar filmes alternativos, de minorias, como já o tinha feito com o incompreendido Ghost World, conduzindo o filme com punho firme, nunca o deixando escapar para o desvario sentimental ou para a lamechice completa. É sempre coerente com o enredo e com a profundidade das personagens.
Em resumo, se pensavam que o Natal era o que referi no primeiro parágrafo... think again!

O melhor: A personagem de Billy Bob Thornton, feia, porca, suja, cínica e sarcástica q.b. para nos pôr a mijar de riso ao longo do filme!

O pior: A descrição enfadonha da "América Profunda", que transpira em algumas partes do filme.

Sem comentários: