24 de julho de 2005

REVIEW
Coach Carter


Samuel L. Jackson é um bom actor. Acho que disso ninguém tem dúvidas. E aqui tem um excelente veículo para ter protagonismo e levar o filme às costas, na pele de um treinador de basket chamado Ken Carter, que aceita o trabalho de liderar a equipa de liceu onde ele próprio jogou (e foi jogador do ano por dois anos seguidos) e que agora está entregue a um bando de egos inflaccionados, estupidificados e com um espírito demarcadamente perdedor.
Através de métodos pedagógicos tão simples como eficazes, Carter consegue transformar um grupo de derrotados em gente com espírito vencedor. No entanto, o mesmo sobe à cabeça dos jogadores, divergindo-os para outras actividades menos lícitas que pouco têm a ver com a conjugação desporto-estudos que Carter profetiza, como meio de atingir um futuro melhor. Vai daí, cancela os jogos e tranca o pavilhão até que as notas sejam consentâneas com aquilo que ele pretende.

Estamos, portanto, na presença de um filme de basket cujas cenas de jogo, ao que sei, foram filmadas sem cortes, de modo a proporcionar mais realismo. Aliado a isto, temos uma lição de moral que quer escorregar para o chunga, mas que faz um esforço para ser diferente dos clichés habituais, (como se se quisesse escorregar num bosteirão de rottweiller, mas, ao mesmo tempo, abanando os braços para não cair) e cuja mensagem passa por dizer que não se pretende apenas formar atletas, mas também homens.

E nisto, há sempre o mau da fita, encarnado aqui por uma directora da escola artificialmente conservadora. Carter luta estoicamente contra o mau da fita para impôr a sua ideologia de jogo e os seus jogadores, que antes eram putos ranhosos de rua obstinados e insolentes tornam-se, de um momento para o outro, em alunos aplicados e dedicados a mostrar ao "coach" o quão bons podem ser. "É só quererem", e essa merda. Enfim, same shit, different flies.
Ou, por outra, o invólucro é diferente, os diálogos, volta e meia, são apurados, há frases que se entranham, todo o ambiente desportivo é diferente dos chavões habituais no género mas, no fundo, lá no fundo, acaba por ser a mesma merda...

Resumindo, só vale a pena porque é um bom filme de desporto e porque Samuel L. Jackson está sempre bem!

O melhor: A pedagogia de Ken Carter a mudar a filosofia de jogo dos seus pupilos.

O pior: Para mim, o filme tem 30 minutos a mais...

Sem comentários: