2 de julho de 2005

REVIEW
Batman Begins

Ano: 2005
Realizador: Christopher Nolan
Actores: Christian Bale, Katie Holmes, Morgan Freeman

"Mas este não é o gajo que não gosta de comics e o caraças? Já agora, vai ver o Fantastic Four, queres ver..."
Vai daí...

A verdade é que conheço muito pouco do background comic de Batman. E ao ver o Batman de Tim Burton a pavonear-se pelo écran, um qualquer indíviduo pensa: "Ok, é um gajo com uma panca por morcegos que malha nos mefistofélicos mauzões". Michael Keaton até era credível como Batman, não obstante o seu ar apaneleirado que já aqui referi. Mas o grande empurrão foi dado por Jack Nicholson, ao ser um Joker p-e-r-f-e-i-t-o. Mas o filme deixava muitas questões por responder, para quem não era fã do comic. Seguiu-se o Batman Returns (que, com justiça, seria Batman vs Catwoman...) e o afundar completo da série com os dois lamentáveis arrotos de Joel Schumacher.

Ou seja, é inevitável que este novo opus do homem-morcego, que explica as suas origens, seja comparado à pequena obra prima de Tim Burton (como aliás o são quase todas...). E a verdade é que ambas são muito boas. Burton explorava o carácter BD do personagem. Gotham era fantasiada ao extremo, com os seus néons e prédios exageradamente apertados e claustrofóbicos. E Michael Keaton era "apenas" um super-herói que combatia maus. O Batman de Christopher Nolan é um Batman que pretende ser realista, quer contar a história de um indíviduo igual a tantos outros, com fraquezas e medos que procura dominar e canalizar sob a forma de uma força interior superior. É um Batman que existe em Gotham City, mas que poderia estar em Lisboa, New York ou Tóquio. Foi intenção de Nolan, parece-me, tornar Batman num personagem credível, realista, com profundidade dramática e esporadicamente rasgado por dúvidas e medos.
Mais uma vez, poderão dizer-me: "Ah, mas o Spiderman também tinha disso, ou o Daredevil...". E eu respondo: Please! Chega do dramatismo exacerbado de um paneleirote cego que insiste em combater o crime ou das dúvidas puberes de um adolescente que lança teias pelos dedos e que é, claramente, um frustrado sexual. Spidermans e Daredevils, olhem e aprendam como se transpõe um super-herói para o cinema.

Para além disso, o filme de Nolan é, também, claramente adulto. Não é para as criancinhas rirem com as caretas idiotas do Jack Nicholson ou para baterem palmas quando o Batman aparece. O enredo mantém uma temática séria, insistindo em temas controversos como a corrupção ou a apatia perante a mesma. Além do mais, as cenas com o gás alucinogéneo, por exemplo, não ficam a dever em nada aos standards dos filmes de terror. Bem executadas e melhor filmadas, com um excelente uso de distorções de imagem. Ainda na filmagem, destaque para a direcção de Christopher Nolan e para a fotografia, a retratar uma Gotham moderna, repleta de arranha-céus, mas putrefacta, escura, corrompida, chuvosa e nocturna. Um ambiente taciturno, ideal para o homem morcego e que faz lembrar o mítico The Crow.

As cenas de combate podem não agradar a todos, pois são filmadas com planos de câmara muito rápidos, que alternam incessantemente entre os zooms exagerados e as panorâmicas. Ou seja, se pestanejamos, arriscamo-nos a perder alguma coisa.

Quanto ao casting, a escolha de Christian Bale pode ser discutível para muitos, que preferem o ar mais adulto e veterano de Michael Keaton. Pessoalmente, e tendo visto todos os Batmans anteriores, acho que Bale é um excelente homem-morcego e não destoa em absoluto. Katie Holmes esforça-se por ser mais do que a noiva de Tom Cruise, Michael Caine é demasiadamente impertinente para um mordomo british, Morgan Freeman está um bocado deslocado como técnico de armamento e Liam Neeson aguenta-se muito bem, quer a representar, quer a distribuir fruta. Nota final para Rutger Hauer, o mítico pendura de The Hitcher, cada vez mais a ressurgir das cinzas cinéfilas onde se tinha enfiado.

O melhor: A estética geral, a história e o humanismo do personagem.

O pior: É tudo muito equilibrado e nada destoa verdadeiramente.

Classificação: 8/10

1 comentário:

Sandra disse...

Bem palavras para k acho k disses-te tudo....e sim o christian bale fez um papel mt bom e está mt bem para este papel.

jokas