17 de julho de 2005

REVIEW
Madagascar

Uma peça destas constitui o típico filme de "sobrolho franzido". Ao ver-se, ficamos com a dúvida se vai sair merda ou pudim.
A última obra dos criadores de Shrek (Nota: quando se diz que é "dos criadores de...", geralmente sai caca) afina por um intermédio estranho, com um subtil e delicado cheiro a esterco.
Isto porque por vezes tem piada, mas noutras é enfadonho, e em outras avança aos tropeções. Enfim, é um filme que, no cômputo geral, é dedicado às crianças (e à criança em cada um de nós), mas que não esconde um indisfarçável défice de criatividade dos realizadores. Parece que se quer espremer o filão dos filmes de animação computorizados até ao tutano. Parece também que já vejo os "big bosses" em prolongadas e arrastadas sessões de brainstorming para sacar, qual rolha de champanhe, uma nova ideia para o seguinte filme do género.

E foi numa dessas sessões que, concerteza, nasceu este filme, que nos conta a história de quatro animais de um zoo de New York (um leão com a mania, uma hipopótama com manias maternais, uma zebra com a mania que é cool e uma girafa com a mania das doenças) desejosos de descobrir a "wildlife", ou seja, tudo o que vai para além das limitadas paredes do zoo. Para tal, contarão com a ajuda de 4 pinguins psicóticos, com a mania da tropa e das tácticas militares, para levarem a missão a bom porto.

Ou seja, em termos de moral, temos aqui uma lição subreptícia sobre a manutenção de animais em cativeiro, quando o seu lugar pertence à natureza. Mas é uma lição ténue, que passa quase despercebida, porque o filme divaga para diversas infantilidades, destinadas a entreter o público mais novo. Além disso, a ilha de Madagáscar, ao que sei prolífera em fauna, vê-se inundada por uma horda de lémures festivos com uma panca por "raves" e por hienas famintas... de lémures. E o resto? Não é uma fauna um bocado redutora? É como se os argumentistas se preocupassem mais em caracterizar as avarias mentais dos 4 personagens do que em criar um universo coerente à sua volta.

Em resumo, um filme engraçado, que se deixa ver, mas que avança apenas baseado na força dos personagens e não na força do argumento (ao contrário dos excelentes Finding Nemo ou Shrek, que combinavam de forma sublime ambas as partes) e que suscitará muitas dúvidas nas cabeças das crianças mais atentas...

O melhor: Os pinguins, o pequeno lémur e a girafa hipocondríaca.

O pior: O argumento risível, os clichés e as ideias já muito gastas.

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