3 de agosto de 2005

REVIEW
Eternal Sunshine of the Spotless Mind

"Change your heart, look around you..."

A música de Beck marca o momento fulminante deste grande, enorme e majestoso filme.
E não há palavras para descrever o quão bom ele é. Tão bom que este escriba, habitualmente avesso a filmes românticos e lamechas, ficou absolutamente arrebatado pelo encantador e surreal argumento de Charlie Kaufman.

Num dia cinzento, Joel, um tímido e introvertido homem conhece Clementine, uma libertina mulher de cabelo laranja / azul. Quando o dia acaba, a atracção é inevitável. Só que, passado um tempo de feliz namoro, Joel descobre que a sua Clementine, farta do desgaste da relação e do quão insonso era ele, dirige-se a um neurocirurgião para que este apague todas as memórias de Joel da mente dela.
Ele, com raiva, faz o mesmo. Só que, durante o processo de "apagamento", e enquanto está inconsciente, redescobre a ternura do amor que está prestes a perder e faz tudo para acordar e salvar as memórias da sua única e verdadeira paixão.

O facto deste filme não ter tido o reconhecimento devido deve-se, quanto a mim, a que muita gente não captou a mensagem, por não se identificar com o contexto do filme. Todos os outros, os que amam, os que gostam de amar e os que apreciam navegar pelos argumentos distorcidos de Charlie Kaufman, terão arrepios na espinha ao visionar cada momento, cada segundo desta deliciosa viagem ao surreal subconsciente de Joel, magnificamente interpretado por um Jim Carrey em pleno de forma e a destilar com toda a naturalidade o seu amor puro e tímido por Clementine (personificada por uma exuberante Kate Winslet).

O melhor: A cena na praia, ao som de Beck. Jim Carrey. Kate Winslet. A força do amor. Ser tão bom, no seu género, como Before Sunrise. O argumento, magnífico e cativante. Os efeitos especiais aplicados no surrealismo da mente de Joel. O início do filme. O final.

O pior: As cenas do elenco secundário, no quarto de Joel. Necessárias, mas com aquele irritante sabor a "enchimento de chouriços".

Classificação: 9.5/10

3 comentários:

Maria João Diogo disse...

Sem ter a ver com este filme, que (ainda) não vi...

Algumas sugestões: dos recentes Colisão, Charlie and the chocolate factory

Dos antigos: Memento, Requiem for a Dream, Y Tú Mamá También, Amores Peros, Lilya 4ever, El Lado oscuro del corazón, Sin Notícias de Dios, Le Violon Rouge, A Cidade de Deus, A Carta, Nowhere in Africa... Ó pá...

Desculpem lá, eu sei que isto n são os discos pedidos da Renascença, mas cheguei agora do cinema e tou a lembrar-me de tantos que gostava que vissem e criticassem! :-)

Edgar disse...

Cara Maria João,

A "gerência", no seu esforço constante para agradar, promete, para breve, uma crítica sem espinhas de alguns dos títulos mencionados!

Maria João Diogo disse...

Os visitantes agradecem e asseguram a permanência por estas andanças ;-)