25 de agosto de 2005

REVIEW
Garden State

Sem mais demoras, inicio-o o expediente.
«Garden State» assume-se como uma daquelas películas que, de vez em quando, são forçadas a aparecer para mostrar ao mundo (Europa) que o cinema independente americano ainda existe. As expectativas para o filme não eram muito elevadas, mas, contudo, precisava de o ver para diminuir a ansiedade.
Podia resumir o filme em meia dúzia de linhas, mas se assim fizesse, o Edgar era capaz de se chatear comigo; e se há coisa que eu prezo é a estabilidade emocional dos meus patrões.
Escrito, realizado e protagonizado por Zach Braff, «Garden State» é um estranho exercício de cinéfilia, mais ou menos situado entre o teen movie (na acepção positiva do termo) intimista e o drama com descargas pontuais de humor.
Andrew Largeman (Zach Braff) é um jovem viciado em lítio que volta à sua cidade natal, passados dez anos, para o funeral da sua mãe. Durante a sua estadia, o jovem reencontra várias personagens, que não são nada mais nada menos que os seus comparsas da adolescência, bem como o amor da sua vida (Natalie Portman). Largeman, escondendo alguns segredos, vê-se também obrigado a enfrentar o seu pai – e seu médico; estas são as cenas mais tensas, mas que se revelam como os momentos mais sérios e maduros do filme.
O mais desconcertante em «Garden State» é o ritmo descompassado das cenas entre si, ou seja, a incapacidade de manter o espectador colado ao ecrã durante longos períodos de tempo. Possivelmente, este filme com um cariz mais comercial seria mesmo um desastre completo, logo aí temos de dar valor ao autor por ter feito o que fez. Diga-se, a bem da verdade, que o argumento também não dava para muito mais.
Resumindo: Depois de acabado o filme, fica uma estranha sensação de vazio que só desaparece quando nos esforçamos por relembrar algumas cenas mais marcantes; e quando isto acontece (termos de nos esforçar) é quase sempre mau sinal. Há de facto momentos bastante interessantes, mas são logo abafados por alguns fait-divers entediantes. No entanto permanece a dúvida se daria para fazer algo muito melhor.

O Melhor: Os momentos em que Andrew Largeman conversa com o pai, Gideon Largeman (Ion Holm); Natalie Portman; a metáfora do abismo.

O Pior: Um argumento mediano camuflado por alguns artefactos desnecessários.

2 comentários:

Kardoso disse...

É pá e então a excelente banda sonora que o filme tem? Não falas sobre isso, é possivelmente uma das boas bandas sonoras saídas do cinema americano nos ultimos anos. Aponta o nome de uma das Bandas que ouves The Shins. :-) O filme é bem melhor do que o que dizes, mas eu sou um pouco leigo neste aspecto.

:-) Abraço e até setembro...

Luis Monteiro disse...

Olá Nuno Kardoso,

Amigo, longe de mim querer impor a minha visão sobre um determinado filme. Um texto meu é simplesmente a minha (redutora) visão sobre algo; nada mais do que isso.
Cada um com a sua opinião, para assim pudermos lutar contra a atitude acrítica que assiste hoje em dia.
Abraço