21 de agosto de 2005

REVIEW
Sorte Nula

Nunca ouvi falar do Fernando Fragata. Nunca o vi mais gordo. Mas a verdade é que, após ver este filme, verifico com grado que ainda existe alguma criatividade no cinema português e, acima de tudo, algum arrojo para fazer um filme diferente, que foge aos cânones habituais do género "Manoel-Oliveiresco", que consegue chorudos patrocínios dos inócuos e sensaborões chefões do ICAM.

Desconheço se este filme teve tais patrocínios. Mas, sinceramente, não tem ar disso, porque é demasiado "fresco".
Indo ao que interessa, António é um gajo qualquer que tem viagem marcada para o Brasil com uma gaja boa, cuja identidade é desconhecida. No entanto, o seu amigo Xico desconfia que a dita gaja é a sua mulher, que António anda a comer, e "intersecta-o", levando-o para um cemitério de automóveis para lhe limpar o sebo. Mas, no referido cemitério, o Xico acaba por aparecer morto, sabe-se lá como, e o pobre António passa o resto do filme a tentar fugir daquele pesadelo, rumo à ansiada viagem.

Pelo meio, descobrimos que parte do elenco anda a comer metade e a encornar outra metade, e que é tudo uma bem tecida teia amorosa de enganos, amores e desamores, dirigida com supreendente perícia e levada a cabo por um elenco rejuvenescido, onde pontifica o muito natural Rui Unas, o enganador Bruno Nogueira e sempre boa Adelaide de Sousa, para já não falar num - tão excelente quanto desnecessário para o enredo - strip da Carla Matadinho (se não sabem quem é, gogglem a moça).

Em resumo, este filme, se fosse americano, não valeria um pum furado. Mas cá, em Portugal, onde a inovação cinematográfica anda à velocidade de uma velha com artrites, louva-se a iniciativa de promover um argumento destes, com actores destes, e com uma duração destas, pois tendo o filme apenas hora e vinte, é tempo a menos para um gajo se começar a aborrecer.

O melhor: O arrojo da mise-en-scéne e o elenco, em especial o Unas. Os restantes filmes tugas envelhecem, este rejuvenesce.

O pior: a Isabel Figueira e o argumento, bom para os padrões nacionais, mas muito gasto em termos gerais. Tramas de encornanço, há-as aos pontapés, e bem melhores que esta, não obstante as surpresas que ela encerra. A sonoplastia, um mal generalizado nos filmes portugueses. É preciso levantar bem o som para perceber metade dos diálogos.

1 comentário:

Sandra disse...

Ora aki está... sempre quis ver esse filme mas não tive coragem para isso ..lol
mas é mais um para a lista....

Jokas