17 de setembro de 2005

REVIEW
Beyond Borders

Ano: 2003
Realizador: Martin Campbell
Actores: Angelina Jolie, Clive Owen

Este é um filme que, pelo que sei, passou completamente despercebido nos cinemas. E é lógico o porquê. Não era conveniente. É um filme delicado e que aborda a temática da (falta de) ajuda humanitária a situações críticas como as da Etiópia e do Cambodja dos anos 80 ou a Tchechénia dos anos 90. É um filme sério, quase documentário, e que não tem o que é preciso para levar a maralha ao cinema. Assim sendo, passou discretamente pelo cinema e discretamente chegou ao DVD. Mas não é assim tão mau como é costume neste estereótipo de filmes que passam por este obscuro caminho.

Basicamente, Sarah Jordan (Angelina Jolie) é uma jovem noiva que fica sensibilizada para a causa humanitária quando Nick Callahan (o excelente Clive Owen) irrompe por uma festa a clamar ajuda para a sua causa. Estamos em meados dos anos 80, a Etiópia atravessa uma grave crise e Nick é um médico que tem a seu cargo um campo de refugiados de 30.000 pessoas.
Sarah parte então para a Etiópia e acompanha Nick ao longo do filme, através dos países supracitados no parágrafo anterior.

Este é um filme eminentemente incómodo, que aborda a falta de interesse e de atenção do mundo para a pobreza e condições precárias em alguns locais do mundo. Não há interesse, porque não há interesses. Assim sendo, reina a corrupção e a consequente batalha para conseguir fazer chegar a comida a quem realmente precisa. É com esta premissa que o realizador Martin Campbell começa o filme, num registo cru e quase chocante, mas tremendamente real, a retratar a extrema pobreza e gritante falta de condições básicas da população Etíope. Depois o filme descamba um bocado para a história de amor previsível, mas forçada e dispensável, mas consegue manter-se coesa e terminar com um final lógico e nada lamechas.

Clive Owen está impecável no papel de um médico desesperado por ajudar quem mais precisa, e que faz tudo pelos seus doentes. De tal forma que, em diversos momentos, transcende o seu papel, para se converter em negociador e garante da liberdade e dos direitos daqueles que defende. Angelina está mediana, um bocado eclipsada pelo fervor de Owen, mas safa-se razoavelmente.

Em resumo, um bom filme para abrir consciências para certas situações verdadeiramente injustas neste mundo, e que pode ajudar a sacar um pouco o altruísmo que mora em cada um de nós.

O melhor: A primeira hora, crua e com um "look" duramente real.

O pior: A lamechice do romance, a puxar ao vómito.

Classificação: 5.5/10

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