18 de setembro de 2005

REVIEW
Crash

Ano: 2004
Realizador: Paul Haggis
Actores: Don Cheadle, Sandra Bullock, Matt Dillon, Brendan Frasier

Continuando numa de filmes sérios, e sem desancar ou aparvalhar, segue-se esta magnífica e actual obra de Paul Haggis, realizador que se aventurou no cinema após longa carreira na televisão, e que agora, pelos vistos, espalha talento por Hollywood fora, como uma cadela com o cio a espalhar ferormonas.

Realizado, escrito e produzido pelo dito, esta obra reduz-se a duas palavras: preconceito e estereótipo. Mas trata uma temática bem mais vasta pois, ao analisar "à lá Pulp Fiction" as histórias separadas de diversas pessoas, escrutiniza ao detalhe a extrema complexidade de cada ser humano e a suprema dificuldade que ele tem em coexistir com o vizinho do lado, se ele não compartilhar a sua raça, crença ou religião. Ao mesmo tempo, estirpa com precisão cirúrgica o quão erróneas podem ser as primeiras impressões sobre determinada pessoa, analisando "o lado de lá" e mostrando que, por vezes, esse lado pode não ser o que aparenta ser. Mas por vezes também é.

Cinematicamente, tudo está alinhado e afinado pelo melhor diapasão. O elenco é escolhido a dedo, Don Cheadle está a um nível oscarizável, Brendan Frasier é ressuscitado... até Sandra Bullock parece boa actriz! De referir o "cameo" de Tony Danza, desaparecido há muito destas lides. Todos sabem o seu papel e todos o desempenham com naturalidade, fluidez e eficácia, fruto de um argumento e de uns diálogos realmente bons.
Em termos de estrutura, aproxima-se muito do excelente Magnólia, e ao qual também não falta uma "chuva de sapos" perto do fim.

No geral, é uma história de realidade, de vidas, de seres, de pessoas intrincadas, onde sobressaem ódios estereotipados e sentimentos mesquinhos para com o próximo, em vez de uma saudável convivência geradora de evidentes benefícios para o futuro da espécie humana.

Mas não é um filme pessimista. Aliás, acaba por ser uma história de redenção, ao mostrar ao espectador que as circunstâncias da vida podem fazer com que os "pretos" não sejam todos ladrões, os "árabes" não sejam todos terroristas ou que os "mexicanos" não sejam todos ressabiados preguiçosos, e que, acima de tudo, não devemos deixar que quaisquer diferenças possam ser geradoras de atritos. Aceitemos o próximo tal como ele é, com as suas virtudes e defeitos, porque a vida é muito curta para ser desperdiçada...

O melhor: A cena do filme que ilustra o poster deste post.

O pior: Não reparei em nada de importante...

Classificação: 9/10

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