28 de setembro de 2005

REVIEW
Old Boy

Ano: 2003
Realizador: Park Chan-wook
Actores: Min-sik Choi, Ji-tae Yu, Hye-jeong Kang

Dae-su Oh (Min-sik Choi) é um homem problemático que, sem saber porquê, é raptado e aprisionado durante 15 anos num apartamento “devidamente” equipado. Após a sua libertação, ele tem apenas 5 dias para descobrir o responsável pela sua penitência.

Esta é a premissa deste filme sul coreano, vencedor do Grand Prix do Festival de Cannes de 2004, que Quentin Tarantino (presidente do júri), confesso amante deste universo, fez questão de homenagear. Trata-se de mais uma prova (se é que ainda são precisas provas) da vitalidade e qualidade do cinema asiático.

No cinema é comum rejeitarem-se certas obras que, por diversas razões, nos são alheias ao olhar. No entanto, o oposto também é comum, ou seja: a simples exaltação de tudo aquilo que é diferente de certos modelos ocidentais completamente esgotados. Foi o caso de «Sin City», que não tendo quase nenhum conteúdo cinematográfico, apresenta-se como uma verdadeira malha visual, diferente de tudo aquilo a que estamos habituados. Sem me querer tornar num dos muitos mensageiros que profetizam o fim de certos modelos narrativos tipicamente ocidentais, devo admitir que muito do que se tem trazido de novo para o cinema provem do oriente – a graphic novel de Frank Miller e «Kill Bill» bebem muito da cultura asiática.

O caso de «Old Boy» é diferente (se não esquecermos o seu ano de realização). Trata-se de uma junção eficaz de vários géneros cinematográficos, muito característicos do cinema asiático, que culmina num festim de sentimentos, onde a vingança, o ódio e o amor são retratados com complexidade mas exteriorizados de forma crua e selvagem. Todos os movimentos e acções são programados com vista a um único objectivo.

Em suma: trata-se de um filme bem feito para o seu género, onde os diálogos e o desenrolar da história quase que obrigam o espectador a não desviar o olhar (só nas cenas mais hardcore). Sem querer adiantar muito posso dizer que começa bem e acaba ainda melhor…

O melhor: A transformação da personalidade de Dae-su Oh, o festim de sentimentos primitivos e a ironia da banda sonora.

O pior: A quase obrigatoriedade de ver o filme mais que uma vez para contemplar a sua beleza e subtilezas.

Classificação: 6/10

2 comentários:

Quisto disse...

Depois de uma critica tão positiva, dás 6 em 10 ao filme..Nem imagino que nota irás dar quando não tiveres gostado de um filme. Oldboy na minha opinião é um filme fantástico. Eu dava mais.. Abraço

Luis Monteiro disse...

Caro quisto,

É verdade que este filme é muitíssimo bom para o seu género. No entanto não nos podemos esquecer de uma premissa muito importante da crítica: não se deve classificar um filme por género, mas sempre por um critério universal, que neste caso varia entre 0 e 10. E, com base nisso mesmo, tenho de admitir que não se trata de uma obra merecedora de maior nota.

Cumprimentos