1 de setembro de 2005

PIT STORIES
O cinema...

O quão ridículo pode isto ser? Pit Stories? Estarei sob o efeito de anfetaminas, barbitúricos ou merda que o valha? Vá lá que isto é um blog em que se pode dizer quase tudo... E é mesmo nessa óptica que vos venho deixar a minha curta posta de pescada sobre um tema que me inquieta, principalmente quando estou a enviar faxes para a Alemanha ou o Burkina Faso.

Sim, eu já sei que esse tema foi por demais debatido em outros blogs, mas que raio... este é o meu antro de perdição, e se não puder debitar os bitaites todos que me apetecer aqui, onde o farei? Em qualquer caso, espero ansiosamente, como se não houvesse amanhã, pelos vossos comentários ao crescente declínio do cinema de acção e até do cinema em geral. Até mesmo ao estado da minha sanidade mental a esta hora.

O que causa isso? Porque é que as pessoas vão cada vez menos vezes ao cinema? Há quem diga que é a pirataria, o crescente domínio dos DVD's, o crescimento do mercado dos "home-cinemas" que querem, com cada vez maior exactidão, emular as grandes salas de cinema com Dolby Digital EX, certificações THX e plasmas cada vez maiores...

Há quem diga também que se vive uma época de vacas magras na criatividade. E, pessoalmente, não poderia concordar mais.
As ideias estão gastas como uma pila de 80 anos e assistimos a um crescendo de clichés reciclados até mais não. É como uma pastilha que é mascada vezes sem conta e é embrulhada novamente para ser servida, como se de uma nova se tratasse.

A pirataria é um flagelo. Concerteza que é. Mas, na minha opinião, não devia ser erradicada, mas sim controlada. E não é, para mim, nem de perto, a principal causa na queda das receitas da indústria. É uma questão de estratégia e de criatividade.
Editoras há, como a BBC, que apostam agora no "streaming" de séries através da Net, ao mesmo tempo que elas são emitidas, para evitar a pirataria das mesmas. A ideia é de louvar e é, na minha opinião, um passo na direcção certa. Se não se pode vencer a pirataria, "juntemo-nos" a ela. Reduzindo o intervalo de tempo entre o lançamento dos filmes nas salas e o consequente lançamento em DVD, lançando séries de renome na Net a baixo preço e promovendo outras iniciativas do género que tornem a pirataria num acto desinteressante. E essa é a palavra chave. Desinteressante.

As limitações que se estão a preparar no futuro dos nossos PC's e, até, electrodomésticos são deveras preocupantes, e quando ouço que o novo Windows Vista não poderá correr DIVX ou MP3, quando leio que as novas boards da Intel terão mecanismos "on-board" de DRM e merdas do género, fico genuinamente preocupado, porque assisto, quase que inerte, à pressão das grandes companhias e dos grandes lobbies, dispostos a morder-nos a jugular, fazendo-nos ouvir e ver apenas aquilo que eles querem que nós vejamos.

O mesmo se passa com o cinema, que é a nossa vaca fria. Actualmente, o utilizador não tem hipótese de "filtrar" toda a merda que chega de Hollywood. Leva com tudo, induzido que é pelo trailer pomposo ou pelo marketing de estalo. Daí a minha percepção recente de que tudo o que é "blockbuster" será logo de fugir. E, por consequência, cria-se o estereótipo do "filme independente". Se é independente, veio de Sundance ou coisa que o valha e foi aclamado, será bom concerteza. E este é, para mim, um estereótipo cada vez mais válido para efectuar a referida filtragem.

Sim, porque durante quanto tempo mais teremos de assistir a comédias ressabiadas com cheiro a leite azedo com a Jennifer "eu não sei cantar, nem actuar, nem dançar, nem fazer um cu, mas farto-me de ganhar dinheiro" Lopez ou a filmes de acção do cada vez mais defenestado Michael Bay? Não, não vi "A Ilha", mas também não quero ver. Bastou-me ver o trailer para me asseverar que seria mais do mesmo, ou seja, fantochada acéfala que até tenta construir um argumento, mas que terá de dar imediatamente lugar ao fogo de artifício gratuito.
E quem diz estes, diz tantos outros. É por estas e por outras que o público começa a virar-se para outros mercados e a quantidade de filmes asiáticos a estrear, por exemplo, tem vindo a aumentar.

Provavelmente, havia muito mais por dizer. Mas as pestanas fecham-se, é hora de comer um Nestum e ir fazer pela vida...

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