6 de novembro de 2005

REVIEW
Death to Smoochy

Ano: 2002
Realizador: Danny DeVito
Actores: Edward Norton, Robin Williams, Danny DeVito, Jon Stewart

"Absolutely priceless", esta sátira tremenda e obscura ao modo como os programas de televisão podem ser controlados por lobbies impiedosos e implacáveis, sempre na busca de mais e mais audiências.

Danny DeVito levou a sátira ao extremo, aplicando-a ao universo dos programas infantis, onde o mais visto tem como anfitrião o Randolph Smiley (Robin Williams, sublime), um hipócrita merdoso que é todo sorrisos no programa, mas que, nos bastidores, torna-se num porco sádico, corrupto, vingativo e praguejador, sempre com um pau de bambu enfiado no cu, tal a má disposição constante que acarreta.
O seu programa é o mais visto da estação. No entanto, alguém descobre um suborno que Randolph aceitou e este acaba na rua, com um chuto no cu. Para o seu lugar, a empreendedora Nora Wells (Catherine Keener) decide contratar Sheldon Mopes (Edward Norton), um parolo ingénuo que irá encarnar Smoochy, um rinoceronte roxo tão aberrante como enjoadamente correcto e rectilíneo. Com o beneplácito do director da estação (um agora conhecidíssimo Jon Stewart, pelo seu Daily Show), o programa ganha pernas para andar e torna-se num sucesso. No entanto, Randolph, a morrer de inveja pelas audiências atingidas e ainda a procurar vingança pelo seu despedimento, decide planear a morte de Smoochy, para poder voltar para o seu querido programa e lá coçar os tarecos.

Entretanto, os gananciosos abutres que pairam à volta do sucesso de Smoochy aproveitam-se da sua ingenuidade para o chuparem até mais não e... o resto não digo, tal o desfilar de situações absurdas e distorcidas, em relação aos cânones habituais do cinema. Talvez por não ser convencional, foi jogado para o circuito de vídeo, como quem deita fora um preservativo usado, condenando assim ao semi-ostracismo uma das mais originais sátiras dos últimos anos.

Porém, que se note. O filme não é nada de especial. A história contava-se em15 ou 20 minutos. Mas, quando vemos Robin Williams a desfilar chorrilhos de desvarios vingativos pelo écran e Edward Norton a fazer de tótó, constantemente encavado pelos que o rodeiam, ficamos com a sólida sensação que estamos na presença de uma ave rara da sétima arte.

O melhor: Robin Williams, o anti-herói que todos amamos odiar.

O pior: Como se referiu, a história bem chupadinha cabia em meia hora.

Classificação: 6/10

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