23 de novembro de 2005

REVIEW
Don Juan DeMarco

Image hosted by Photobucket.comAno: 1995
Realizador: Jeremy Leven
Actores: Johnny Depp, Marlon Brando, Faye Dunaway

Enquanto psiquiatra, o que fazer quando o maior amante do mundo nos cai nas mãos e é tomado como um louco, porque anda de capa e espada pela rua, envergando uma máscara que, alegadamente, esconde uma promessa e uma vergonha antiga?
Este é Don Juan DeMarco, que se intitula como o maior amante do mundo, e cuja tentativa de suicídio para pôr fim a uma vida sem o amor da mesma é gorada pelo psiquiatra Jack Mickler (Marlon Brando).
Levado para uma instituição psiquiátrica, Jack começa então as suas sessões com o Don Juan, que lhe conta a sua fantástica história e como, na sua vida, houve sempre tempo para amar com paixão e, acima de tudo, conhecer a mulher até ao âmago para, deste modo, elevar o sentimento carnal e sentimental a um novo patamar etéreo e trascendental.
Ou seja, por outra, a lábia deste fulano era tal que qualquer gaja tombava sobre ele como mosca no mel.

Voltando à toada séria do review... À medida que ouvia as deambulações amorosas de Don Juan, Jack começa a aperceber-se de que algo se tinha perdido na sua vida. Não o amor, mas a capacidade de o exaltar e de trazer para o pináculo da perfeição todas as características que fazem da cada mulher, a começar pela sua, um ser único e irrepetível. E aqui está, para mim, uma das grandes forças deste filme e do excelente personagem de Johnny Depp. É, como ele diz, uma percepção diferente do mundo. A dada altura, ele sabe muito bem onde está (hospital psiquiátrico) e o que está ali a fazer. Mas prefere pensar que não. Que está noutro sítio. Tal como preferia ver as mulheres para além das coxas largas, mamas descaídas ou rabos flácidos. Preferia procurar a beleza interior de cada uma, que grita por ser encontrada, e que constitui a verdadeira natureza do sentimento que une duas pessoas, bem para além da superficialidade e efemeridade da carapaça exterior. E é esta poesia amorosa que Don Juan destila abundantemente ao longo do filme que acaba por deixar colados ao écran homens e mulheres, mais ou menos românticos. As mulheres suspirarão. Os homens tirarão notas no seu bloquinho. No fim, há um pouco de tudo para todos, na busca incessante do refinamento do amor.

Enganem-se aqueles que isto é um filme romântico e lamechas. É uma ode ao amor poético e subliminar, que não se vê, mas sente-se. Podem até começar a ver isto contrariados, que o filme não vai demorar a agarrar-vos pela cintura e a encher-vos de calores ardentes direccionados à pessoa ao vosso lado.

O melhor: O lirismo amoroso e exacerbado de Johnny Depp, capaz de fazer cair até o mais sisudo e empedernido coração feminino.

O pior: A "rábula" do hospital psiquiátrico, uma "desculpa" para Don Juan se chibar, que é o que interessa.

Classificação: 7/10

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