11 de dezembro de 2005

REVIEW
Der Untergang

Image hosted by Photobucket.comAno: 2004
Realizador: Oliver Hirschbiegel
Actores: Bruno Ganz

A segunda guerra mundial como nunca antes tinha sido filmada. Quantas vezes já não nos fartámos de ver os cagões dos yankees a marchar triunfalmente sobre os despojos mortais do império nazi, com mais ou menos dificuldades? Desde hipérboles patrióticas e ridiculamente repuxadas ao americanismo até filmes sofridos e realistas, como Saving Private Ryan, pensávamos já ter visto tudo.

Até que foi preciso um alemão para contar uma história de alemães. A história do outro lado da barricada. A história de um líder cadente, temível, insano e demoníaco. A queda do Terceiro Reich e, com ele, do mais famoso e ignóbil ditador da história da humanidade, responsável pela morte estimada de seis milhões de judeus.

Este Der Untergang é uma história de desespero e de loucura, pois mostra Hitler como nunca o tínhamos visto num filme, rodeado por uma matilha de oficiais perdidos, desorientados, dissidentes, traidores e fiéis, todos misturados num pote de crescente decadência e cujo aproximar do final de um ciclo é irrealmente exacerbado pelos crescentes laivos de loucura de um Hitler que acreditava ainda poder controlar os crescentes ataques aliados. Quase sozinho. Desamparado. Contra a vontade dos seus tenentes, que já fugiam. E abatendo todos os que o faziam.

A realização é portentosa, alternando momentos de tremenda intensidade dramática e de alguma claustrofobia (provocado pelas bafientas paredes do bunker onde Hitler residia nas suas últimas horas, e onde viria a perecer) com outros de acção intensa, onde se assiste ao aperto do cerco por parte do exército aliado.
As cores dentro do bunker são baças e mortiças, um pouco como o reflexo de um império caído e do louco demónio que o dirigia. Mesmo nas últimas horas, nunca perdeu a compostura, nunca baixou os braços. Quis morrer, mas quis levar todos com ele, fossem mulheres, animais ou crianças inocentes.
Bruno Ganz interpreta Hitler. Engano-me. Bruno Ganz respira Hitler por todos os poros. É, sem dúvida, a mais portentosa encarnação do mais demoníaco e mefistofélico ditador.
Um filme de guerra diferente, alternativo e inquietante, que nos mostra o outro lado do mais desolador conflito da história.

O melhor: Bruno Ganz, como Adolf Hitler! Rouba todas as cenas e deixa-nos boquiabertos e arrepiados em partes iguais com a sua interpretação m-a-g-i-s-t-r-a-l do ditador.

O pior: Tanto tempo passado no bunker atrofia um bocado o espectador.

Classificação: 8.5 / 10

1 comentário:

Sandra disse...

caraças...ando há que tempos para ver este filme, e com esta critica ainda me puxa mais.

Sandra