23 de dezembro de 2005

REVIEW
Corpse Bride

Image hosted by Photobucket.comAno: 2005
Realizador: Tim Burton
Actores: Johnny Depp, Helena Bonham-Carter

A última obra de Burton é um regresso à animação em stop-motion que já marcou, creio, o Estranho Mundo de Jack. Mas isto é outra história bem diferente. Através de um processo de chinês, a equipa de Burton montou o filme frame por frame, o que dá uma ideia do amor e do carinho que foram postos nesta noiva putrefacta.

A história não prima pela originalidade. No período vitoriano, Victor é um jovem enfiado e tímido que vai ter que se casar à força com Victoria, uma menina abastada que nunca viu (vêem as coincidências...?). No entanto, quando se conhecem, a atracção é imediata. Mas a pressão dos pais, desejosos de ver aumentar a conta bancária e o estatuto social, tudo ao mesmo tempo, fazem com que Victor não consiga aprender decentemente os votos de casamento e acabe a treiná-los na floresta, onde acaba por fazer, inadvertidamente, uma promessa de amor eterno a uma noiva morta que apenas esperava algo do género para ressuscitar. Victor é então levado para o mundos dos Mortos onde, obviamente, não se sente propriamente em casa, e de onde vai tentando escapar frequentemente, sempre a contragosto da sua apaixonada noiva.

O final do filme não surpreende ninguém mas também não é a lamechice completa que se podia esperar de uma animação, o que reflecte também um pouco a natureza deste filme, típica e absolutamente Burtoniana / alternativa / surreal / distorcida.
A ironia é uma constante ao longo do filme, com "gags" muito bons, com destaque para o contraste entre o mundo dos vivos, cinzentão e macambúzio e o dos mortos, um pagode constante, onde os esqueletos fazem números de dança dignos da Broadway. O olho periclitante da noiva cadáver, cujo interior é habitado por uma minhoca irritante também é motivo para umas boas risadas, até uns "eishh" de nojo ocasionais.

A banda sonora é surpreendente e tremendamente adequada, composta por um Danny Elfman em forma. Especial destaque para o arrebatador solo de piano de Victor, logo ao início, lúgubre e belo q.b.

Por fim, de referir o supremo cuidado e mimo posto nas personagens e nas suas animações, a fazerem lembrar talvez bonecos de Edgar Allan Poe e dos seus contos macabros. Exemplo disto é o pastor, estupidamente alto e esguio ou o "sogro" de Victor, absurdamente atarracado. A animação é extraordinária, suave e estilizada e a fotografia a condizer, mais uma vez, com a ironia reinante no filme, predominando os cinzentos no sisudo mundo dos vivos e o verde-alface ou o rosa-choque no animado mundo do além.

O melhor: A animação, deliciosa e o irónico pastor, com o seu aspecto medonho!

O pior: A previsibilidade da história...

Classificação: 7.5/10

1 comentário:

Francisco Rocha disse...

Corvão, tens aqui um belo blog. Dá uma vista de olhos no meu, acabadinho de começar.