27 de dezembro de 2005

REVIEW
Doom



Ano: 2005
Realizador: Andrez Bartkowiak
Actores: The Rock, Karl Urban

Oh meuzz amigozzz... que desilusão! Não habia nexexidade! O jogo até era um bom jogo...

Bom, deixemo-nos destas fantochadas pós-Natalícias que não abonam em nada a minha credibilidade enquanto escriba de renome.
Como já devem ter percebido, esta é a adaptação "oficial" de um dos jogos de PC mais famosos da história, cujo argumento se debruçava sobre a solitária epopeia de um marine perdido para fechar as demoníacas portas que se abriram na terra com ligação directa para o inferno.
No entanto, seria de esperar que este filme se baseasse no Doom 3, saído há cerca de um ano e tal, e cujo argumento era muito mais denso e complexo, envolvendo cientistas sem escrúpulos a fazer pesquisas arquelógicas em Marte e toda uma trama complexa de lobbies e interesses "a la Aliens", que pretendiam capturar demónios vivos para posterior estudo. Obviamente deu merda, e todos os cientistas ficaram feitos em puré de visceras.

Estranhamente, ou talvez não, o filme decide seguir um argumento diferente, baseado numa história obscura (e nunca muito bem explicada) de um suposto cromossoma 24 que, quando injectado em humanos, lhes daria poderes sobrenaturais ou, em alternativa, transformá-los-ia em monstros, variante esta que parece provir de factores completamente aleatórios, também nunca esclarecidos. Ou seja, argumento = queijo roquefort.
Assim sendo, nada de portais para o Inferno e merdas tais que poderiam assustar os meninos. Ficámo-nos por um meio termo xunga e deveras ranhoso, pondo meia dúzias de marines durante uma hora a perscrutar o escuro como baratas tontas atrás de barulhos, para depois termos 2 minutos de encontros imediatos com as famosas bichezas do Doom, em apenas 3 variedades, que fazem aparições tão fugazes como minimalistas. Eles, que deviam ser as estrelas do filme.

Em resumo, mau argumento, maus actores (os diálogos dão para rir, de tão falsos que soam em determinadas partes), sangue a menos, acção a menos, escuro a mais, cenário a menos e final de vómito. Pois... Depois do Natal, foram-se logo as nozes pela garganta.

Deixo para o último parágrafo a única parte boa. Uma cena de 5 minutos filmada na perspectiva do actor, que pretende ser uma homenagem ao jogo. "First Person Shooting", portanto. E que cena, meus amigos. É uma merda tão bem filmada e tão bem executada, com música de arromba, que até parece de outro filme. A fluidez da câmara, os efeitos especiais que aqui são aplicados, a divinal cena com o "Pinky", a música a esgalhar, as piscadelas de olho ao jogo, enfim... são 5 minutos de puro e divinal prazer, para quem jogou o jogo e para quem está a ver o filme. É um pedaço de bolo estupendo, que sobressai ainda mais quando olhamos para o balde de merdeca seca em que o mesmo está a flutuar. É como se todos os efeitos especiais tivessem sido gastos aqui. E seria assim que o "meu" filme sobre o Doom devia ser...

O melhor: A referida cena, realmente fantástica. Se possível, cortem-na dum filme, metam-na num clip e passem-na até à exaustão.

O pior: Tudo o resto. Bartkowiak devia ser impalado pelo rabo como castigo por estragar um jogo destes. Ainda mais, mostrando, com "aquela" cena, que poderia ter feito um filme bem melhor.

Classificação: 3/10 (juntar 1.5 pela referida cena)

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