11 de fevereiro de 2006

REVIEW
Munich

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Ano: 2005
Realizador: Steven Spielberg
Actores: Eric Bana, Geoffrey Rush

O último filme de Spielberg, que retrata a vendetta de um agente da Mossad israelita contra os autores do infame atentado dos Jogos Olímpicos de Munique de 72, e que vitimou 11 atletas israelitas, é uma obra de difícil digestão.
Não por estar mal feita ou mal contada (o que seria improvável num filme de Spielberg) mas porque não segue os cânones habituais das histórias do realizador, demasiado cândidas para os standards actuais de cinema sério (também chamado pelos geeks como "cinema de autor"). Por isso, quem esperar mais um ET irá sair da sala a gritar impropérios.

Escalpelizando um pouco mais o argumento, Eric Bana interpreta um agente encarregado de limpar o sarampo a todos os que participaram no referido atentado. No início, assistimos ao crescimento do personagem enquanto agente, e a sua dificuldade em lidar com o conceito inerente à missão. Á medida que o filme cresce, também Bana amadurece, passando-lhe a custar cada vez menos cumprir os objectivos propostos pois, afinal, é o trabalho que lhe põe comida na mesa e lhe permitirá garantir o seu futuro e da família.
No entanto, um forte sentimento de remorso e de culpa apodera-se dele quando começam a persegui-lo e à família e onde ele se começa a questionar sobre a sua legitimidade enquanto "juíz da vida humana". Embora recuse, por uma integridade intrínseca, a morte indiscriminada, Bana questiona-se sobre a legitimidade moral dos assassinatos cometidos, mesmo que pela pátria sendo este, se calhar, o ponto forte do filme. Ou seja, embora seja um agente com ordem para matar, há uma centelha de dignidade e até de nobreza no protagonista que permanece indelével.

Spielberg não é condescendente connosco e não nos dá respostas fáceis. Apresenta-nos os factos tais como eles são e faz-nos construir a nossa própria interpretação dos momentos. O medo e a paranóia de Avner (Bana), o seu sangue-frio enquanto "hitman", a densidade psicológica de cada personagem, as conjecturas políticas que se levantam a cada instante e a inegável actualidade do tema, agora que cartoons e Hamas causam apreensão e fricções, são pontos muito fortes deste thriller.
Do outro lado da balança, a repetitividade relativa das acções de assassinato faz isto parecer mais um jogo de computador do que um filme e, a dada altura, aborrece um bocado, pois quase que já adivinhamos o desfecho exacto da cena. Além disso, o filme é inchado artificialmente com chouriçada desnecessária, o que faz com que as 2.40h de duração dêem umas dores de cu que nem vos conto.

Em resumo, é um filme de inegável qualidade e que mostra que Spielberg tanto realiza filminhos fantasistas, mágicos e totós (Jurassic Park, ET, A.I., etc...) como pérolas de sobriedade e seriedade (Saving Private Ryan ou Schindler's List).
Munich não tem a dimensão grandiosa, por exemplo, deste último mas, não obstante os pontos fracos que referi, é um filme altamente oscarizável e mostra, como se fosse preciso, que Spielberg domina esta merda de trás para a frente e pode fazer o que lhe der na real gana pois nunca sairá um filme realmente mau daquelas mangas.

O melhor: A cena de sexo no final do filme. E não me refiro ao sexo, mas às expressões de Bana.

O pior: As chouriçadas que se enfiam no meio e os assassinatos repetitivos.

Classificação: 7/10

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