16 de fevereiro de 2006

REVIEW
Syriana

Image hosting by PhotobucketAno: 2005
Realizador: Stephen Gaghan
Actores: George Clooney, Matt Damon, Chris Cooper

Uma coisa confusa, esta. Devia ser um thriller político, que tratava das mais complexas tramas da actualidade, como por exemplo a guerra pelo petróleo.

No entanto, e não obstante todo o meu inicial entusiasmo para com o quão prometedor parecia o argumento, o mesmo desvaneceu-se após, aproximadamente, uma hora do filme, ao verificar que a suposta complexidade da trama apenas encontrava paralelo com a complexidade da mise-en-scéne da mesma.
Ou seja, vemos algumas falhas do sistema Americano, reflectidas pela forma como jogam a personagem de George Clooney de um lado para o outro como se fosse uma bola de pinball ou a de Matt Damon, rasgado entre conflitos morais internos e tragédias externas, vemos as guerras pela frente com o Médio Oriente e os acordos por trás com os sheiks e assistimos à ascenção económica cada vez mais evidente da China.

Mas tudo isto é feito numa amálgama disforme, atirada para o écran de uma forma na qual nunca se percebem muito bem as motivações dos protagonistas e que acaba por saltitar demasiado depressa entre estes, o que desfere um golpe fatal na nossa atenção e na nossa capacidade de nos preocuparmos com o destino das personagens. Acabamos por dar por nós a pensar no que estará a dar na TVI ou qual será o documentário da semana no Odisseia...

Em resumo, é um filme demasiado complexo que, enquanto veículo cinematográfico, desvia-se demasiadas vezes de uma ideia inicial tremendamente interessante. Podia ter sido outra coisa bem melhor! No entanto, deve agradar, por exemplo, ao Nuno Rogeiro...

O melhor: O potencial da ideia.

O pior: A falta de jeitinho para a pôr em prática.

Classificação: 4/10

1 comentário:

viking disse...

Olá outra vez!

Vi este filme ontem e achei que era um bom filme, muito embora exija um esforco pessoal por parte do espectador de forma a seguir o fio à meada ao longo da narrativa. O realizador escolheu um estilo que se tem tornado popular nos ultimos anos, isto é, o de contar várias histórias paralelas que acabem por se cruzar num ou outro ponto do filme. Vários escritores norte-americanos contemporâneos utilizam este estilo nos seus romances e é interessante ver a formula aplicada ao cinema. A trama política evidenciada no filme é densa e é fácil para o espectador menos atento ou ligeiramente distraído perder-se a meio do filme. O próprio climax, o final, é apresentado numa tradicão quase europeia de fazer cinema: sem grande fanfarra na banda sonora de fundo, sem grandes planos em slow motion ou plano americano, o final é narrado duma forma quase jornalística e impessoal.

No entanto, a mensagem que é transmitida por este filme (muito à semelhanca com o outro hit do George Clooney neste momento, nomeadamente, "Good night, and good luck") é extremamente actual e importante. Não tenho seguido em pormenor como é que esta questão tem sido seguida no resto da Europa, mas neste momento comecam a surgir grandes questões no Norte da Europa associadas à questão do final dos ressursos não-renováveis que têm sido utilizados massivamente nas últimas décadas e dos quais todo o estilo de vida e civilizacão ocidental se baseia. O petróleo e o gás natural estão a atingir o seu pico de extraccão e utilizacão agora e a partir daqui a extraccão destes materiais entrará em decínio e a sua utilizacão aumentará com o crescimento das grandes economias asiáticas (como a China ou a Índia, por exemplo). Daí surgirem tantos conflictos em relacão ao asseguramento da prioridade no que se refere às nacões responsáveis pela producão destes. Convém lembrar o público em geral de que cedo estaremos todos confrontados com uma situacão insustentável e que exigirá um esforco suplementar por parte da humanidade para superar essa situacão.

:-)
Paulo.