1 de março de 2006

REVIEW
Good Night And Good Luck

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Ano: 2005
Realizador: George Clooney
Actores: David Strathairn, George Clooney, Robert Downey Jr.

Nos anos 50, em pleno clima de guerra fria e com os comunas como mau-maus, um senador americano houve que decidiu explorar esse medo e, qual Inquisição / Holocausto, começou a incitar à perseguição dos comunistas ou simpatizantes de comunistas que residissem em território yankee. No entanto, o jornalista da CBS, Edward R. Murrow decide tomar uma posição contra o senador e, no seu programa semanal, desmonta cabal e eficazmente a propaganda do medo que o senador espalha. No entanto, este tem amigos poderosos e as carreiras pessoais e profissionais do jornalista e dos produtores do programa podem estar em risco.

O segundo filme de George Clooney como realizador é um portento de eficácia e precisão cirúrgica. Filmado totalmente em preto e branco, no sentido de emprestar uma maior fidelização histórica aos acontecimentos, vê-se também dotado de uma cinematografia exemplar, com um contraste fotográfico notável, conferindo uma grande nitidez aos personagens e um rigor situacional e histórico como há muito já não via.
Ou seja, falando curto e grosso, parece mesmo uma merda dos anos 70.
As interpretações são de verdadeiro luxo, nomeadamente a de David Strathairn que, enquanto Edward Murrow, é de uma sobriedade e de um rigor jornalístico notáveis e que muita falta fazem nos dias de hoje. Quem vê os jornais da TVI sabe do que falo...
Além disso, aquele ar muito "seventies" de ler as notícias é delicioso e faz o espectador surfar confortavelmente por entre as revoltas ondas intriguistas da política da altura e dos interesse em instituir uma cultura do medo, apenas comparável àquela que o infame Bush espalha diariamente nos yankees de agora.

Em resumo, um triunfo absoluto de Clooney, na forma como dirige, monta e executa tudo isto, desde os personagens à fotografia, passando pelo argumento e acabando nos diálogos e na estética "retro" (estética essa que o faz parecer um Casablanca do século 21).

O melhor: Os personagens. O argumento. O protagonista. O não ter chouriçadas pelo meio (demora 1.30h). A sobriedade das notícias. O rigor jornalístico da altura. A fotografia. A cinematografia. A mise-en-scéne. O conceito de "film-noir" por excelência.

O pior: Realmente, não encontrei nada de significativo.

Classificação: 9/10

4 comentários:

viking disse...

Olá,

Não leves a mal, mas década de 70???? Acho que descurastes o trabalho-de-casa em relacão a história. O período McCarthy foi no início da década de 50, o presidente Eisenhower é mencionado no filme várias vezes, e a tecnologia e o estilo do filme é totalmente década de 50. É preciso estar mesmo a leste no que se refere a história dos EUA para cometer um erro destes!!! Este pormenor é essencial na compreensão do filme! Se fosse a ti reescrevia o post.

(não leves a mal, esta crítica é para ser construtiva, eu tenho um blog de cinema também e gosto que as pessoas me apontrem as falhas quando estas existem. Cada um escreve o seu blog como quiser, mas eu gasto sempre algum tempo a pesquisar na net sobre ois filmes e os assuntos de que quero escrever antes de publicar os meus posts).

:-)
Paulo.

Edgar disse...

Caríssimo Viking / Paulo,

Antes de mais, o meu obrigado pela visita.
Quanto à gralha em questão, é claro que não levo a mal.
Aliás, para não pautar os meus textos por uma total anarquia e falta de credibilidade, coisa que, como é lógico, não abonaria em favor da minha fama de cinéfilo, costumo ir buscar as sinopses dos filmes ao IMDB.

Como lá está, realmente, "década de 50", posso apenas deduzir duas coisas: ou realmente enganei-me e cometi um erro crasso, pelo qual me penitencio, ou então a droga já tinha feito efeito :P

De qualquer forma, as minhas desculpas por tal falha.
Convido-o a deixar o endereço do seu blog de cinema para eu lhe prestar uma visitinha.

Edgar

RC disse...

Muito bom filme. Acabei de o ver. Este ano comprei o cartão do festival de cinema de Estocolmo mais cedo e tenho acesso a ante-estreias gratuitas e esta foi uma delas. Foi um bocado difícil de seguir aquelas discussões jornalisticas de grupo sem as legendas, mas no essencial, a mensagem do filme ficou. É curioso e triste verificar que o tema deste filme continua actual e que o Mcaartismo não desapareceu daquela sociedade que muitos dizem ser a mais avançada do mundo...

CUmprimentos

RC

viking disse...

Olá outra vez,

Primeiro queria deixar as minhas desculpas pelo tom com que escrevi o ultimo comentário. Acho que acordei de mau humor naquele dia e comecei a descarregar metralha em todas as direccões. Acho que exagerei na forma com que escrevi o comentário.

Eu costumo escrever críticas de cinema em 3 blogs diferentes, mas não posso dizer que nenhum deles é expressamente destinado a críticas de cinema. Um é www.rodada.blogspot.com (português). O outro é www.northvoice.blogspot.com (inglês) e o terceiro é www.bivrost.blogspot.com (norueguês/escandinavo). Não escrevo apenas sobre os filmes em questão, mas debruco-me mais sobre as ideias e os temas que são abordados no filme.

Bem, bons posts e acho que vou tornar-me visitante assíduo deste blog.

:-)
Paulo.