25 de março de 2006

REVIEW
Jarhead


Ano: 2005
Realizador: Sam Mendes
Actores: Jake Gyllenhaal, Chris Cooper, Jamie Foxx

Sam Mendes é, para mim, um dos mais promissores realizadores da actualidade. Depois do absolutamente sublime American Beauty e dum Road to Perdition que ainda não tive oportunidade de ver, este Jarhead é um filme de guerra diferente. Será o primeiro filme de guerra onde não me lembro de ver alguém morrer. Pode parecer estranho, mas foi assim que sucedeu para muitos soldados da primeira Guerra do Golfo.

E é esta a pergunta pertinente que Sam Mendes põe ao longo do filme. Numa guerra, o que fazer quando não há nada para fazer? O que fazer quando se é um soldado sedento de acção, que espera sempre pelo momento certo para atacar mas que irá acabar o filme sem disparar um único tiro? Que sentimento passará pela cabeça destes magalas descerebrados, que partem para a tropa, à procura de um ElDorado numa vida de sonhos perdidos?

O filme debruça-se sobre um soldado em particular, que relata partes da sua experiência no Golfo numa voz-off de observações certeiras e cirúrgicas, e que conta a história de todos os que o rodeiam, incluindo aqueles cabrões burros que nem portas que apenas vêem tiros e mortes à frente, e que até são capazes de minar estradas só para verem algum animal a ser desfeito quando a pisa.

E Sam Mendes atira certeiro, pois consegue ridicularizar toda a guerra do Golfo sem, por uma vez que seja, o dizer directamente no écran. Deixa a interpretação da guerra entregue a cada um de nós, bem patente em tudo aquilo que os soldados (não) fazem, enquanto se preparam para a suposta grande batalha, que nunca virá a acontecer. E põe, indirectamente, a cabeça dos dois anti-cristos dos nossos tempos, os cabrões dos Bushs, no cepo, ao deixar-nos a questionar sobre a validade e a necessidade de uma guerra daquela dimensão, com centenas de milhares de tropas estacionadas no Golfo, onde muitas delas passaram meses a fazer... nada!

O melhor: A visão da guerra de Mendes. Ou seja, um filme de guerra, mas sem guerra.

O pior: Se forem amantes de acção, vão sentir a falta de uns tiritos e de uns gajos esventrados...

Classificação: 8/10

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