9 de abril de 2006

REVIEW
Fun with Dick and Jane

Ano: 2005
Realizador: Dean Parisot
Actores: Jim Carrey, Tea Leóni

Necessitado que estava duma comédia refrescante, virei-me para esta, onde Jim Carrey interpreta um jovem e honesto executivo que, iludido pela possibilidade de ser promovido, é levado a servir de bode expiatório da empresa num programa em directo onde é "esmagado" pela surpresa da iminente falência da empresa.

Para ajudar, a mulher despede-se, porque julga que o marido vai ser promovido e o casal, desesperado pelo acumular de dívidas, decide começar a assaltar bancos e lojas, como forma de recuperar o "cash-flow" da sua esquálida conta bancária.

Jim Carrey é grande. Pelo menos, assim acho. Papéis como o de Andy Kaufman em Man on the Moon, Truman Burbank em Truman Show e, acima de tudo, Joel Barish no fantástico Eternal Sunshine of the Spotless Mind deram-lhe, a meu ver, o estatuto de actor mais injustiçado de Hollywood, sabendo estes da sua inata capacidade para a comédia palhaça.

Pois bem, Carrey lá cagou de alto para eles todos e voltou mesmo para o meio onde se sente bem, que é a fisicalidade exuberante dos seus actos "on screen". Mas algo está diferente de um, digamos, Bruce Almighty. Lá, as piadas fluiam naturalmente, numa comédia suave e abundante. Aqui há um esforço nítido de Carrey em carregar um filme pálido e sem chama, não obstante a latente mensagem social e política que lhe é inerente ao longo da sua hora e meia.

Só que, enquanto filme, arrasta-se lânguidamente, e só mesmo o malho da Téa Leóni a meio do assalto ao café e o próprio Jim a descer do tecto quase no final é que me conseguiram arrancar uma gargalhada séria. O resto, apenas sorrisos. Muito pouco para um filme que se quereria um fartote de riso.

O final não é tão rotineiro como é costume, mas o realizador devia mesmo estar mais preocupado em fazer brilhar Carrey do que em dar-lhe um bom filme onde ele pudesse exibir algo mais do que umas palhaçadas esporádicas.

O melhor
: O esforço de Jim Carrey e as piscadelas de olho à actualidade política e social.

O pior: A horrível Tea Leóni e o argumento ultrapassado.

Classificação: 4/10

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