13 de maio de 2006

REVIEW
The Libertine

Ano: 2004
Realizador: Laurence Dunmore
Actores: Johnny Depp, Samantha Morton, John Malkovich

Johnny Depp é John Wilmot, a.k.a. Conde de Rochester, um distinto membro das altas esferas de poder da Inglaterra do séc. 17, íntimo do rei, poeta de alta craveira, dramaturgo, bêbado e fodilhão em partes iguais. Mas tinha um sentido inato de... libertinagem, na medida em que fazia o que bem lhe dava na gana e cagava para que os outros dissessem ou pensassem dele, sendo sempre visto de soslaio pela emproada e púdica sociedade da altura.

O filme é uma espécie de biopic da sua vida, desde os tempos em que se pavoneava garbosamente pelas enevoadas ruas de uma Londres economicamente conturbada, sempre à busca de uma putéfia ocasional onde pudesse ferrar o dente, enquanto arquétipo de uma vida vivida sem preconceito e sem restrições morais aparentes. No entanto, não esquecia a sua veia teatral, ocupando-se a escrever "a" peça pela qual viria a ter reconhecimento póstumo, até à altura em bate a bota, carcomido irremediavelmente por uma sífilis de cariz marcadamente pecaminoso, não deixando de mostrar, nos interlúdios, o seu grande valor enquanto dramaturgo e encenador, e também como amante.

No entanto, quem o vê executar, ao início, um monólogo de apresentação como o que ele faz, proclamando-se quase o maior amante do mundo não pode senão sentir-se absolutamente defraudado com a eminente falta de pipis e mamas a deambularem pelo filme, enquanto troféus de caça do insaciável Conde.

E esta será, para mim, a grande pecha do filme. É que não obstante um punhado de poderosas interpretações, não deixamos de sentir uma incomodativa comichão na micose com a impressão que temos de que isto se trata de um parente pobre de uma fusão entre o Don Juan DiMarco e Shakespeare in Love. Mas pronto, é uma comichão intermitente, pois assim que Depp abre a matraca para declamar um dos excelentes textos do filme, quase que nos esquecemos deste pormenor. E, basicamente, é Depp que leva o filme às costas e açambarca todas as cenas importantes.

A modo de epílogo... é um filme de paciência, pois se não se estiver na onda de ver um filme sério podem morrer, literalmente, de aborrecimento, pois é uma merda tão pesada, mas tão pesada que quase mete dó. Acentuada pela cinematografia de tons amarelados e pastéis, que dá ao ambiente da altura uma cor ainda mais mortiça, isto foi, sem dúvida, fruto de muitas edições até chegar ao produto final. A consumir... mas com muita prudência!

O melhor: A qualidade do guião, dos diálogos e das interpretações.

O pior: É um filme muito difícil de digerir, não é para toda a gente. Tem o peso de uma bigorna na cabeça! Igualmente, numa história sobre um libertino, deviam figurar mais mamas e mais carne!

Classificação: 5.5/10

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