17 de junho de 2006

REVIEW
Equilibrium

Ano: 2002
Realizador: Kurt Wimmer
Actores: Christian Bale, Taye Diggs, Sean Bean

No futuro, as emoções e as sensações passaram a ser proibidas. Num estado totalitário, todo o ser que manifeste uma pinga de emoção é, desde logo, punido com a morte por incineração. Para ajudar a suprimir toda a pinga de emoção, a população é obrigada a tomar uma merda, uma droga que inibe a produção das hormonas responsáveis pelas ditas cujas. A fiscalização das pessoas está a cargo duma polícia especial, um grupo de homens intitulados "Clérigos", responsáveis por encontrar e, caso necessário, exterminar "in situ" os prevaricadores emocionais.

É aqui que entra Bale, um dos mais conceituados clérigos, mas que começa a ter dúvidas sobre a sua profissão e sobre o seu leit-motiv quando o melhor amigo (numa curta interpretação do excelente Sean Bean) se suicida após ser apanhado a "sentir". O que o terá levado a cometer tão vil e despropositado acto? É este o pensamento que ecoa na personagem de Bale, quando se relembra que ele próprio prendeu a mulher e condenou-a à execução pelo mesmo crime. E quando o principal clérigo se vira contra o governo, este que se cuide, pois ele pode ser capaz de o destruir sozinho, numa demonstração impressionante de artes marciais, rapidez de raciocínio e reflexos apuradíssimos.

Mas isto é só lábia gratuita de reviewer de pacotilha, meus caros. O que interessa é mesmo o sumo da questão. E que sumo é este?
- Uma interpretação magistral de Christian Bale que passa, psicologicamente, de homem pragmático, frio e glacial como um cubo de gelo para alguém que, subitamente, se vê esmagado pela realidade totalitarista que o rodeia, mas que não perde o discernimento que antes o caracterizava.
- Um argumento complexo, bem construído e repleto de bons diálogos, onde é passada a mensagem, ao início, de que "sentir" foi a causa de guerras e da decadência da humanidade e a forma que arranja para mostrar, por a+b, que sentir não é assim tão mau e que o mundo sem emoções seria uma merda completa.
- Cenas de acção fantásticas, empolgantes, orgásmicas, capazes de porem a arfar um frígido e de empalidecerem as que foram usadas em Matrix.
- Uma fotografia azulada, triste e monótona, que reflecte a pálida e amorfa mentalidade de um povo obrigado a não sentir.
- Toda a estética do filme, destinada a fazer dele um clássico.

E muito mais! Um compêndio de virtudes num filme de excelência que, vá-se lá saber, foi atirado para os clubes de vídeos em Portugal, sem passar pela casa de cinema..

O melhor: Os efeitos especiais! O argumento. A visão de futuro. Christian Bale, fantástico!

O pior: Ter passado despercebido...

Classificação: 8.5/10

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