3 de junho de 2006

REVIEW
The Thing

Ano: 1982
Realizador: John Carpenter
Actores: Kurt Russell e uma pazada de gajos para morrer

O filme começa de uma forma deveras estranha. Vemos o que parece ser um husky ou um malamute a correr desalmadamente por uma árida planície coberta de neve da Antártida, enquanto é perseguido por alguns nórdicos que, num helicóptero, tentam, a todo o custo, afinfar-lhe dois ou três balázios nas trombas.

O bicho tanto corre que chega a uma estação de observação, onde reside um grupo de cientistas, que o acolhe. Os nórdicos chegam logo a seguir e, entre ameaças mútuas que não percebemos bem, acabam por morrer baleados no que parece ser um acto de auto-defesa dos cientistas.

O que estes não sabem é que o cão que acabam de receber é um alien que toma a forma das presas que mata. Dito isto, os cientistas começam paulatinamente a desaparecer, vítimas do insaciável extraterrestre. Quando os cientistas remanescentes se apercebem da sua verdadeira natureza é quando o filme triunfa verdadeiramente, sob a égide de uma portentosa realização de Carpenter, capaz de demonstrar no écran toda a paranóia que assola os gajos que sobram pois, afinal de contas, o senhor ao nosso lado pode ser o alien.

Por isso, há que desconfiar, há que olhar sempre de soslaio, há que ter triplos cuidados para não se denunciar a posição e para nunca se ficar sozinho. Porque se não o matarem, morrem. Como tal, é o instinto mais primário de sobrevivência que vigora. E o melhor é que Carpenter consegue transmitir esta sensação em toda a sua plenutude para o espectador, que passa o filme todo com uma ardente comichão na barriga e ficará, concerteza, a olhar de lado para o seu cão.

O que há de melhor neste The Thing é que é muito parecido com o Aliens na forma como aborda o thriller e a paranóia subjacente ao facto de perseguirmos uma coisa que não sabemos muito bem o que é. No entanto, são filmes completamente distintos, isto porque Carpenter, com aquele seu jeitinho especial, consegue dar uma ambientação única a esta obra prima, com a utilização de pouca luz, a predominância da noite, espaços ainda mais exíguos e o fogo como forma de afastar os predadores.

Porque na noite da solitária Antártida... "no one can hear you scream".*

* foi um epílogo gay, eu sei, mas pareceu-me adequado para concluir o texto... E quem arregalou o olho para ler isto é porque também é gay. Porque arregalar o olho é coisa de gay!

O melhor: O terror induzido, os efeitos especiais, a história e a paranóia crescente.

O pior: Nada de significativo me vem à memória...

Classificação: 8.5/10

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