3 de junho de 2006

REVIEW
Inside Man

Ano: 2006
Realizador: Spike Lee
Actores: Clive Owen, Denzel Washington, Jodie Foster

O filme começa. Um banco igual a qualquer outro. Um punhado de supostos canalizadores entram e cegam as câmaras de segurança com holofotes de infravermelhos. De seguida, assaltam o banco, mas parecem não querer levar dinheiro nem matar ninguém.
Porquê? Não se sabe.
Pelo meio, o director do banco, ao saber deste assalto, contrata uma gaja escanzelada para se assegurar que um determinado cofre com uma merda qualquer não é levado pelos meliantes.
Porquê? Não se sabe.
Obviamente, temos também o detective encarregado do caso, que personifica o cliché já muitas vezes usado do homem tarimbado em muitas batalhas, cujo valor é inquestionável mas que está envolvido num escândalo de corrupção.
Porquê? Também não se sabe, nem se chega a saber.


Os três vão se cruzar e o desenlace desta história é, sem dúvida, inesperado, fruto de uma excelente história de Spike Lee, esse anti-realizador, autor de filmes pouco convencionais como 25th Hour, Clockers ou Jungle Fever.
A cinematografia é muito boa, com a predominância dos duros cinzentos-mármores do banco e a escuridão da noite e o elenco é magnífico, com Clive Owen a mostrar que é realmente um actor do caraças e Denzel Washington a seguir-lhe os passos. Jodie Foster fica um bocado nas covas, esgravatando-se por algumas falas e algum tempo de écran mas sendo inevitavelmente engolida pelo poder emergente que é Owen.
A história tem o condão de ser original e de não ter o final pretendido, tornando-se num interessante "heist movie" (ide ver o que é isto, porque não me apetece explicar) que "engancha" (espanholadas...) o espectador do princípio ao fim, pecando apenas pela tendência em cair em alguns clichés aqui e ali.
De resto, fica aquela sensação que esta merda foi feita em velocidade de cruzeiro, enquanto os actores declamavam com uma mão no ar e limpavam o cu com a outra. Há uma certa e incomodativa ligeireza na forma como Spike Lee filma, como quem diz: "Tenho os actores, tenho o argumento, agora desenmerdem-se que eu tenho aqui umas revistas porno para ler...". Depois, ao fim do dia, ao ver as bobines, imagino-o a comentar, com um ar de aborrecimento: "Ya ya, tá fixe... siga pa bingo!".

E assim foi, seguiu para bingo e em piloto automático...

O melhor: A história e o elenco.

O pior:
O personagem de Denzel Washington, um cliché vomitivo.

Classificação: 6.5/10

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