16 de junho de 2006

REVIEW
The World's Fastest Indian

Ano: 2005
Realizador: Roger Donaldson
Actores: Anthony Hopkins e mais uns marmelos para fazer paisagem

Burt Munroe é um velhote neozelandês que passou toda a sua vida à volta de motores. Um mecânico do caraças, especializou-se nas duas rodas e sempre foi um amante da velocidade. No entanto, nunca desistiu de acalentar o seu grande sonho, ser o mais rápido do mundo e bater o record de velocidade em terra. Assim, com idade para supostamente ficar em casa a jogar à sueca, ele parte para a América, para a maior pista do mundo em Bonneville, Utah, para aí tentar então bater o record porque, como ele diz, toda a gente espera que os velhos fiquem a um canto e morram e ele, simplesmente, não está para aí virado.

Vai daí, o filme segue todo o seu percurso, com algumas peripécias singulares, desde a angariação de fundos na sua terra natal para arranjar dinheiro, passando pela sua viagem para a América, a bordo de um navio como cozinheiro (para pagar a passagem) até às "aventuras" que vive, lá, para poder arranjar um carro e rumar a Utah. Aí tem que convencer os juízes a deixarem-no correr sem se matar, perplexos estes que ficam com a evidente antiguidade da sua moto... e com a pessoa que a conduz.

O filme é baseado em factos verídicos e Anthony Hopkins tem o condão de, literalmente, levar o filme às costas e mostrar o quão grandioso ele é enquanto actor pois, quem se lembra dele como o psicótico e frio Hannibal Lecter vai ficar admirado com a transformação e com a forma como ele interpreta aqui um senhor de feitio absolutamente adorável, de bom coração, feitio optimista e vontade indomável, que nunca deixaria perecer um sonho seu. No entanto, há todo um carácter humanista no filme, pois existem momentos em que o personagem de Hopkins tem mesmo que se debater contra as suas próprias limitações enquanto ser humano e contra as limitações que a sociedade lhe impõe pelo simples facto... de ser velho. Isto tudo de uma forma natural, sem cair na tentação de dar a Hopkins ares de super-herói ou coisa que o valha, o que é bom.

É um filme carregado de moral e que consegue mostrar, da melhor forma e sem recorrer a toda aquela panóplia de clichés enjoativos a que Hollywood nos habituou, que os sonhos podem realmente ser cumpridos, não importa a idade que tenhamos ou o quão longe possamos estar dos mesmos.
Além disso é, como já se disse, um verdadeiro tour-de-force de Hopkins, que se exibe aqui cheio de força na verga e com vontade de mostrar aos jovens como se constrói um personagem. Muito bom!

O melhor: Anthony Hopkins, que grande actor, a mostrar que velhos são os trapos. A leveza do filme.

O pior: Dar a ideia, em determinadas partes, que só os carapaus de corrida é que se safam neste mundo.

Classificação: 8/10

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