9 de julho de 2006

REVIEW
Running Scared

Ano: 2005
Realizador: Wayne Kramer
Actores: Paul Walker, a mulher, boa como tudo, um russo avariado, um polícia corrupto, dois putos precoces e pazadas de mafiosos

Isto é um filme atrofiante como poucos. Paul Walker é um mafioso de baixa estirpe, um moço de recados cujo trabalho mais proeminente é esconder as armas "sujas" usadas pelos seus patrões nos diversos crimes que praticam.
Ele tem uma vida familiar estável, com uma mulher boa como tudo e um filho tranquilo. O pior é mesmo o melhor amigo deste, um moço perturbado, muito por culpa do pai, um mafioso russo que cultiva marijuana no quintal. Pois bem, o filho deste acaba por se assenhorar da pistola e afinfa um balázio no pai.

Depois é um ver se te avias, com Walker a passar meio filme a correr atrás dele, enquanto também é perseguido pelos "patrões" mafiosos e pelos rivais russos, desejosos de apanhar o gajo que enfiou uma bala no russo, que por acaso era sobrinho do "Padrinho" da camorra russa.

Ou seja, um valente molho de bróculos que o pobre Walker tem que resolver, sempre com o tempo muito contadinho e contra-relógio, aspecto que é muito bem focado, estilizado e filmado pela forma "nervosa" como o realizador Wayne Kramer filma a acção, num ritmo trepidante e non-stop que nos surpreende a cada minuto que passa.

Além do mais, o filme não faz concessões à galeria, ou seja, nada de amaciar as merdas para agradar aos censores americanos. Muito sangue, sexo, mamas e palavrões à labúrdia que apimentam um argumento de estalo cheio de flip-flops à retaguarda e de boas interpretações, em especial a de um Paul Walker surpreendente, que eu só via como um gajo com pose e voz grossa. E já falei da mulher dele? Que pedaço. Nem precisa de abrir a boca para ser uma grande actriz. E então o sangue? Alturas há em que o filme é verdadeiramente brutal, atingindo limites de sadismo na forma como a máfia tortura para obter informações. Não é para os fracos de estômago.

Além do mais, e como exemplo da excelente estilização do filme, atentemos à cena final do filme, onde Walker é sádicamente torturado no meio de um ringue de hockey. A utilização daquelas luzes, pseudo-ultravioletas, são de um bom gosto extremo e acabam por dar um toque muito particular à cena de massacre que se segue e que, enquanto pináculo de um filme de acção, se distingue notavelmente de todas as outras barbáries que vemos em cacadas do género.

Em resumo, é um bombom de acção e bons twists. Mas um rico bombom, não um daqueles caramelos ranhosos que se compravam ao virar da fronteira de Espanha há uns anos atrás. A não perder.

O melhor: Sangue, sexo, acção desenfreada... que mais pode um gajo pedir?

O pior: Não haver nomes sonantes no elenco que levassem mais gente ao cinema.

Classificação: 7.5/10

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