22 de julho de 2006

REVIEW
Devil's Advocate

Ano: 1997
Realizador: Taylor Hackford
Actores: Al Pacino, Keanu Reeves, Charlize Theron

Kevin Lomax (Keanu Reeves) é um advogado provinciano que não consegue deixar de ser um bocado cagão. Afinal de contas, as suas 64 vitórias seguidas no tribunal falam por si e isso, só por si, é suficiente para tornar o ego de cada um praticamente impenetrável a qualquer bitaite mais negativista que venha de fora.

E como é lógico, tal série prodigiosa de vitórias chama a atenção de uma das mais prestigiadas firmas de advogados de New York, desejosos que estão de contar com um dos mais jovens e ambiciosos advogados da praça, que não olha a escrúpulos para defender os seus clientes, mesmo sabendo à partida que muitos deles são culpados.

O que se passa é que o dono desta firma, John Milton (Pacino) é, nada mais nada menos, que o Belzebú em pessoa, Diabo himself, em carne e osso (ou quase) e que está desejoso de converter Lomax num dos seus acólitos de elite, sob a premissa de que, ilibação após ilibação (de criminosos, entenda-se), far-se-á chegar a podridão ao âmago dos céus.

E assim se conta a premissa deste filme fantástico e sumamente entretido, onde assistimos à ambição desmedida de um advogadozeco rumo ao sucesso, deixando para trás inclusivamente a sua mulher podre de boa, que começa a pressentir que todo aquele dinheiro e fama súbitos são fruto de algo de muito mau. Infelizmente, quando Lomax se apercebe do poço de merda onde se meteu, é tarde demais e só aí abrirá os olhos.

Quanto ao filme propriamente dito... é uma absoluta delícia, do início ao fim. Até Keanu Reeves, eternamente criticado pelos seus supostos dotes de actor faz bem de advogado redneck desejoso de sucesso, mas um verdadeiro cordeiro no meio dos lobos advogados que pululam por uma New York decrépita, entorpecida e conformista. Milton tira partido desta ingenuidade de Lomax, levando-o aos undergrounds novaiorquinos, numa interessante e "infernal" analogia, pois raras são as vezes que vemos os protagonistas em "pontos altos", tirando a deliciosa ironia que é o facto do gabinete de Milton ser na penthouse de um arranha-céus, porta de entrada para o paraíso, sinal de que, no filme, Milton já está a fazer coceguinhas nos pés do Todo-Poderoso.

Al Pacino... é Al Pacino, puro vintage, de princípio ao fim. A subtileza do Diabo e a forma como preenche as entranhas de Lomax com subterfúgios tendencialmente pecaminosos é reflexo do magnífico escriba que está por trás desta obra e do demoníaco actor que é Pacino. E o diálogo final, entre ele e Keanu... são uns 20 minutos m-a-g-i-s-t-r-a-i-s, onde Pacino enfia no bolso todos os aspirantes a actor com um monólogo de uma intensidade sem paralelo! E como se não fosse pouco, Charlize Theron aparece nua. E como se também não bastasse, o filme é diabolicamente bom... do princípio ao fim!

O melhor: A soberba e magistral interpretação de Al Pacino, um diabo delicioso. Os diálogos sumarentos. O argumento. As tentações do Demo. A fragilidade humana de Lomax. A espiral de insanidade de Mary. E por aí fora...

O pior: Realmente nada...

Classificação: 9.5/10

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