12 de agosto de 2006

REVIEW
Miami Vice

Ano: 2006
Realizador: Michael Mann
Actores: Colin Farrell, Jamie Foxx

Regressado que estou de umas vigorosas férias, venho compartilhar convosco esta peça de Michael Mann, realizador que muito estimo, principalmente pelos excelentes Heat e Collateral.

Nunca fui grande fã da série que o filme pretende recriar, admito. Era eu um pitareco ranhoso quando ela passou na TV, penso que já enquanto reposição e preferia, de longe, vibrar com o saudoso Knight Rider e o inefável David Hasselhoff tendo, por isso, a mesma passado-me ao lado.
No entanto, fontes próximas dizem-me que este filme é um fiel recriar do espírito da série. Acredito. Tem cara disso. Tem os famosos bons carros que tornaram a série célebre (como, por exemplo, o invejável, lindíssimo e rápido cumó car.... Ferrari dos protagonistas), tem gajas acima da média (não são de sonho, mas davam para uma trancada casual) e, acima de tudo, guarda um pouco daquele estilo foleiro da altura, tudo cuidadosamente adaptado aos dias de hoje. Exemplo disto é a excelente banda sonora, que injecta o filme com pinceladas de modernidade, à base de Linkin' Park ou Audioslave.

Por outro lado, e isto é, se calhar, o mais impressionante, o realizador Michael Mann já passou, há muito, a barreira dos 60 anos. E, como diria o Nuno Markl no seu blog, o gajo filma como se tivesse 20. Impressionante a forma muito própria como ele monta as cenas, com o meu destaque a ir para os "travellings" aéreos, o uso do grão na fotografia nocturna ou as cenas de tiroteios, que dão um cunho muito, mas muito pessoal ao filme. É daquelas merdas que um gajo vê e, mesmo sem conseguir descrever diz: "Isto é coisa à Michael Mann". Para criar escola, portanto.

Apesar disto, a história não é nada de outro mundo. É "apenas" uma história de um episódio da série, dizem-me novamente fontes próximas, que envolve redes de tráfico de droga, influências e outras coisas igualmente pecaminosas. Os detectives Crockett e Tubbs tropeçam nesta mesma rede e fazem-se de agentes infiltrados de modo a conseguirem desmascará-la por completo.

Tudo isto seria muito bonito se o filme não tivesse uma das piores colecções de "one-liners" da história recente. Há bastante tempo que não via diálogos tão mal engendrados e pior executados, cheios de artificialidade e teatralização, o que num filme que se quer sério e de ritmo rápido é o equivalente a um tiro no pé. Aliado a isto, temos esse erro de casting que é Colin Farrell. Não nego o talento ao moço, longe disso, mas uma coisa é ser um bad-boy com jeito para a representação e outra, bem distinta, é ser um bom actor, e Farrell ainda não fez a passagem entre estes escalões. Crockett devia um gajo duro, vá... o líder daquela merda. Em vez disso, é um panhonhas que passa meio filme a pensar com a pila. Ao menos Tubbs (muito bem personificado por esse mimo de actor que é Jamie Foxx) mostra alguma força na verga, quer enquanto actor dramático, abarbatando-se das melhores falas do filme, quer enquanto actor de acção, efectuando um resgate arriscado e empolgante que quase acaba mal.

Em resumo, alguns dir-me-ão que é um filme que reflecte bem aquilo que era essa mítica série dos saudosos eighties. Eu digo, apenas, que não é o melhor filme de Michael Mann...

O melhor: A direcção de Michael Mann, Jamie Foxx e o reviver do espírito da série.

O pior: Sem dúvida, os diálogos, deveras pavorosos.

Classificação: 6.5/10

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