29 de agosto de 2006

REVIEW
The Lake House

Ano: 2006
Realizador: Alejandro Agresti
Actores: Keanu Reeves, Sandra Bullock

Sandra Bullock é uma médica solitária e Keanu um arquitecto frustrado, que sempre fez prédios de merda e não conseguiu nunca livrar-se das grilhetas criativas do seu pai, um guru no ramo da arquitectura.

Ambos habitam uma estranha casa no lago.... mas separados por 2 anos de diferença! Começam a corresponder-se através de uma caixa de correio "fantasma" e a apreciarem-se mutuamente através da escrita. Uma espécie de romance de IRC à moda antiga, digamos.

E assim se passam uns bons 30 minutos de filme, entre cartas enfadonhas de dois gajos que ainda não são namorados, mas que não têm intimidade suficiente para escrever mais do que patacoadas do género:

Alex: "Cara Kate, como está?"
Kate: "Estou bem, obrigado."
Alex: "Hoje comi corn-flakes ao pequeno-almoço."
Kate: "Eu não."
Alex: "Então?"
Kate: "Ando com o intestino solto."
Alex: "Ah..."
Kate: "Pois..."
Alex: "O tempo hoje está estranho... vai chover?"

Pronto, admito, não é bem isto, mas dá para ver o tipo de diálogo engonhado que sai daqui, com um ligeiro travo a caca seca e que tornou as minhas sobrancelhas em pesadas bigornas, impossíveis de sustentar lá no alto do olho. Ou seja, não é romântico, não é comédia, não é coisa nenhuma. Durante meia hora, temos dois totós que escrevem cartas de merda um ao outro, separados por uma improbabilidade temporal e cinéfila.

Quando eu já torcia irremediavelmente o nariz, a coisa começou a mudar de figura, a partir do momento em que os protagonistas se decidiram a quebrar a barreira temporal. Aí o realizador começa a mostrar alguma coisa (visto que até aí tinha sido só estrume) quando brinca com o tempo e com o fatalismo da inexorável cronologia da vida. Ou seja, por mais que os protagonistas se esforcem por se juntarem, as coisas sucedem-se como se deviam suceder, dando um cariz eminentemente determinista aos destinos dos personagens.

Obviamente, e sendo um filme romântico que se preze, o "happy-end" é indispensável. Admito, não posso ver "happy-ends" à frente, ainda mais quando são metidos a martelo. São a pior praga que pode infestar um filme.
No entanto, perdoa-se quando, num caso destes, o realizador consegue conjugar bem o realismo da parte intermédia do filme, acima explicado, com a necessidade de um "happy-end" e dos motivos que nos levam a ele, o que até torna a coisa agradável.

Keanu Reeves está ao seu nível, ou seja, não aquece nem arrefece, e Sandra Bullock atira-se para mais um registo da eterna fragilizada que não consegue encontrar o amor, um pouco o espelho da sua vida real. Não obstante, nota-se bem a química entre ambos, em especial na cena da dança no alpendre da casa dela, muito bem conseguida.

Em resumo, se conseguirem aguentar o monumental balde de ronhonhice sem sentido que é a primeira meia hora, espera-vos um filme bem agradável para ver com a cara-metade (ou aspirante a isso).
Se esta crítica ajudar a proporcionar marmelanço entre aspirantes a pombinhos, podem-me sempre agradecer. Donativos são bem vindos.

O melhor: A fatalidade do tempo.

O pior: A parte inicial do filme, que faz desmotivar qualquer um. A real pain in the ass.

Veredicto: Não tão mau como pode parecer à partida.

Classificação: 6/10

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