11 de setembro de 2006

MASS REVIEW #1
Filmes de fim de semana

Este foi um fim de semana beatífico, deveras profícuo na visualização de filmes medianos que já pululavam no meu sádico desejo há algum tempo.

Sem mais delongas...

The Great Raid é um daqueles "Baseado em factos verídicos", o que habitualmente equivale a dizer que é uma valente xaropada. E é verdade. Supostamente, é um filme de guerra, mas passamos mais de uma hora a ver a tropa a preparar-se e a juntar-se para protagonizar um dos mais arriscados salvamentos da história da infantaria americana, para libertar um elevado número de POW's (prisioneiros de guerra) de uma prisão japonesa.
Ou seja, tentam-se discutir questões metafísicas, o sexo dos anjos, a guerra é má, etc. etc., mas sempre de uma forma tão oca e superficial como a cabeça da Paris Hilton. Só no final é que a coisa aquece, com uma cena de tiros decente e que dura uns bons 20 minutos. Fora isso... é merda seca.

O melhor: O elenco, de qualidade, merecia outro filme.
O pior: A superficialidade de todo o filme.
Classificação: 5/10

Hard Candy é uma tentativa de hipérbole justiceira no conturbado tema da pedofilia. Hayley é uma adolescente de 14 anos, demasiado madura para a sua idade, que se deixa atrair para o covil de um potencial pedófilo, apenas para lhe dar uma lição e o submeter a retorcidos jogos psicológicos e torturas várias. Como, pergunta o espectador incauto enquanto rapa os pêlos das pernas? Através de todos os vastos recursos mentais desta rapariguinha com mente de mulher vingativa, uma verdadeira bitch justiceira que não pretende ver escapar mais um pedófilo impunemente.
A escassez de meios é por demais evidente neste filme, pois apenas entram 4 actores, sendo que, durante hora e meia apenas 2 é que falam. O realizador tenta compensar isto com um complexo diálogo tipo "10 Razões para não 'Pedofiliar' ", mas, pelo menos para mim, não revelou nada de novo sobre o modus operandi destes seres aberrantes e acrescentou alguma inverosimilhança à personagem principal, capaz de manietar sozinha um homem adulto durante hora e meia.
No entanto, tem o mérito de ser um filme diferente e o condão de poder despertar uma certa justiça popular contra estas espécies execráveis de homens que, concerteza, ficarão com os tomates a arder caso tenham oportunidade de ver este filme!

O melhor: O querer assumir-se como um filme diferente.
O pior: Não traz nada de novo.
Classificação: 5/10


Punch Drunk Love é uma obra do excelente realizador e argumentista Paul Thomas Anderson, responsável pelo excelente Boogie Nights e pelo magistral Magnólia. Aqui, ele foi buscar Adam Sandler para fazer de Barry Egan, um gajo com problemas de integração que, ainda por cima, tem 7 irmãs, cada uma mais vaca que a outra, que parecem fazer tudo por lhe infernizar a vida. Além disso, ele gere um negócio que faz não sabemos bem o quê e compra quantidades industriais de pudim para acumular um número ilimitado de milhas aéreas. Não obstante tudo isto, consegue arranjar uma namorada por quem se apaixona perdidamente (a sempre adorável Emily Watson), enquanto tenta resolver um assunto pendente relacionado com uma linha erótica e consequente extorsão na forma de 4 gajos maus como as cobras.
Confuso? Nem por isso. Está muito bem explicado, como é apanágio de P.T. Anderson, e o destaque vai, sem dúvida, para a personagem de Barry Egan, no limite, mesmo no limite entre a singularidade bacoca e a anormalidade freak de um esquisitóide sem ponta por onde se lhe pegue, com graves problemas de relacionamento, quase um sociopata.
Nunca gostei de Adam Sandler por aquele ar de genuíno atraso mental que ele empresta sempre às personagens, mas admito que, aqui, ele transcende-se e até parece que tem emoções e tudo. No entanto, pareceu-me que faltou a este filme alguma da centelha mágica que pautou as realizações anteriores de P.T. Anderson. Mesmo assim, a ver sem reservas, porque também é um filme diferente e porque as histórias de amor não são todas iguais!

O melhor: A história de amor singular, Adam Sandler e a cena do acidente de carro.
O pior: Não é tão bom como Magnolia.
Classificação: 6.5/10


Last, AND least, Santa's Slay diz-nos que, afinal, o Pai Natal é um acólito do demónio que perdeu uma aposta com um anjo há mais de mil anos, que o impedia de praticar o mal durante esse tempo. Como os mil anos acabaram, toca a estraçalhar e a esventrar tudo o que apareça pela frente, pessoas, símbolos natalícios de toda a espécie, etc...
Este é um filme típico de série B que já li ser hilariante e imperdível. Pessoalmente, achei uma estopada de todo o tamanho, sem qualquer interesse palpável, nem sequer pelo surrealismo do argumento.
É vazio, oco, desprovido de qualquer boa interpretação, bom diálogo, boa piada. Que raio, nem sequer é sádico, nem tem muito sangue, nem tão pouco é cínico. Mostra algumas mamas, mas o espectador contemporâneo exigente já sabe que não é um qualquer par de marmelos entumescidos que pode fazer crescer o valor cinematográfico de uma peça de esterco como esta...

O melhor: ?
O pior: Ter a ambição de uma unha do pé.
Classificação: 2/10

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