14 de setembro de 2006

REVIEW
Silent Hill

Ano: 2006
Realizador: Christophe Gans
Actores: Radha Mitchell, Sean Bean

Rose da Silva, provavelmente de ascendência tuga (digo eu, porque só mesmo os tugas para se meterem em alhadas destas), tem uma filha sonâmbula. O pior é que durante o sono ela se põe a falar duma cidade, Silent Hill, que por acaso até é fantasma e tudo, vejam lá.

O que faz a inteligente Rose? Toca a pegar na filha e a ir para a cidade em questão, à revelia do preocupado marido, pois ela julga, num assomo de inteligência sem precedentes, que a viagem poderá servir para curar o sonambulismo da filha.

Mas esta parte da história é até a que menos interessa e o realizador mostra aqui já uma certa sensibilidade para o assunto, despachando esta parte inicial em questão de minutos e indo ao que realmente interessa, que é Silent Hill. Esta abordagem deixou-me de sobrolho franzido porque, habitualmente, quantas mais expectativas se levantam num filme de terror, mais elas se vêem goradas no final.

No entanto, a coisa começa a agradar à vista pois, quando chega à cidade, após um despiste, a filha desaparece e Rose mete-se pelas ruas desertas atrás dela. Aí, depara-se com uma estranha névoa que se abate fantasmagoricamente sobre a cidade, uma chuva lenta e calma de cinzas e, a dada altura, um assustador alarme de incêndio, daqueles que faz levantar um arrepio na espinha. Tudo se faz escuro e começa o pesadelo...

E o que é melhor é que o grau de surpresa que o filme provoca em nós vai crescendo à medida que o filme passa, em paralelo com o grau de impressão que nos provoca, reflectido nos constantes "Eishhhhh" que vocês irão soltar quando, em laivos bem orquestrados de terror antecipado, o realizador faz desfilar ante nós a diversa e originalíssima galeria de horrendos monstros que povoam a cidade de Silent Hill. E fá-lo quase com amor, de uma forma que mostra bem como deve ser este género tantas vezes maltratado. Música sumptuosa, travelling em slow-motion e entra o bicho, perante o pavor da protagonista. Nada de saca-sustos gratuitos e hollywoodescamente pipoqueiros. Aqui é terror do bom, daquele que vai ficar a ecoar na vossa cabeça durante alguns dias.

E a história não fica atrás pois, se não interessa saber como Rose vai parar à cidade, o desenrolar do filme levanta muitas questões ao espectador astuto e o filme, a dada altura, encarrega-se de as revelar, no momento preciso, e nunca antes.

Não revoluciona o género, mas constitui, sem dúvida, uma evolução, um passo em frente no género. E isto sem eu nunca ter jogado o jogo que lhe dá o nome. Porque quando os efeitos especiais são de encher o olho, verdadeiramente de estalo, o ambiente criado é magnífico, a caracterização assombrosa e a música entra sempre no momento certo, o terror sai a ganhar e, para um gajo como eu, assumidamente fã do género, isto foi um orgasmo cinéfilo em potência.

Além do mais, é daqueles filmes que, daqui a uns anos, quando se falar em películas de terror, se vai dizer: "Lembram-se do Silent Hill? Aquela merda era potente..."

E pensar que, por norma, adaptações de jogos de computador nunca dão bons filmes...

O melhor: O ambiente criado, a música, os efeitos especiais e a qualidade do terror.
O pior: Não reinventa o género, mas também não esperava que o fizesse.
Classificação: 7.5/10

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