1 de setembro de 2006

REVIEW
United 93

Ano: 2006
Realizador: Paul Greengrass
Actores: Um monte de inocentes ou de culpados, segundo a perspectiva.

Vale mesmo a pena contar a história? O filme pretende ser uma espécie de reconstituição cinematográfica do único vôo do 11 de Setembro que não atingiu nenhum alvo, acabando por se despenhar inexoravelmente nos solos campestres da Pensilvânia.
É, portanto, o retrato de toda a situação, desde os momentos iniciais, com o embarque dos terroristas no fatídico vôo até ao desastre final, passando pela eminente impotência de controladores aéreos, militares e outras posições de chefia perante o desastre global que se ia desenhando à frente deles.

O realizador bem tenta ser imparcial, dando uma péssima imagem da organização americana em alturas de crise, coisa que também já ficou bem patente no caos pós-Katrina. Mas, por outro lado, continua, implicitamente, a apontar "culpados" e "inocentes", quando já sabemos que as coisas não são assim tão lineares como isso.
A nível organizativo, é dado realçe ao gritante vazio de poder que se sente durante todo o dia 11, pois ninguém, ao longo do filme, tem autoridade suficiente para executar decisões radicais (como, por exemplo, abater os aviões intersectados). Essas decisões cabem ao "presidente" e esse, como se sabe do filme Fahrenheit 9/11, andava a coçar os tomates e a pensar na morte da bezerra numa qualquer escola durante intermináveis minutos até se decidir... a tomar uma decisão.

Como o "presidente" não tirava os dedos do cu, as pessoas que realmente se esforçavam para tentar resolver o problema foram obrigadas a assumir uma posição de expectativa, e os resultados foram os que se viram.

Mas o ponto mais "positivo" do filme é, sem dúvida, o ambiente que se conseguiu reproduzir dentro do fatídico voo 93, com uma opressão de cortar à faca, e onde o terror e o medo dos passageiros era absolutamente palpável, mais do que qualquer outro filme do género.

Em resumo, é verdade que já se sabe o final, mas continua a ser uma coisa que toda a gente deve ver... quanto mais não seja, em memória de um dia fatídico.

O melhor: O terror angustiante dos passageiros, que dá um nó na garganta. Ser uma espécie de documentário que funciona muito bem enquanto filme.

O pior: Um certo americanismo e falta de imparcialidade nos julgamentos implícitos.

Classificação: 7.5/10

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