14 de outubro de 2006

REVIEW
Da Vinci Code

Ano: 2006
Realizador: Ron Howard
Actores: Tom Hanks, Audrey "Tautau", Ian McKellen

Começo por dizer que li o livro bastante rapidamente. Como alguém já disse, Dan Brown pode não ser grande espingarda a escrever, mas é um tremendo contador de histórias e isso vê-se na forma descontraída e bem trabalhada como compôs o livro.

A Ron Howard, realizador competente, do qual aprecio bastante, por exemplo, Apollo 13 ou Beautiful Mind, coube a árdua tarefa de transpôr para o cinema uma das mais vendidas obras de sempre.

O resultado? Próximo do balde de caca de pombo. Porquê? Porque toda a gente já conhece a história do livro, quer por tê-lo lido, quer pelo "diz que disse". Toda a gente sabe que o interesse principal do livro está nas "revelações bombásticas" que Dan Brown espalha pelas suas páginas no que concerne às verdadeiras origens de Jesus Cristo e do Cristianismo. E as mesmas estão reduzidas a umas pálidas cenas, como que metidas a martelo para justificar aquilo que o livro tinha de mais sumarento.

Aliás, não são só essas cenas que são metidas a martelo, mas também tudo o resto. Toda a narrativa é contada de forma desajeitada, apressada e desordenada, não respeitando sequer, por vezes, a estrutura do livro o que, para mim, foi uma coisa muito enervante pois, por mais que me esforçasse, não consegui encontrar no filme o mesmo fio condutor do livro, que nos puxava a ler mais e mais páginas.

Aqui, é tudo substituído por força bruta, narrativa à pressão, diálogos forçados e artificiais e desempenhos que roçam o sofrível. Saltam-se partes importantes do livro e contam-se outras que não têm interesse nenhum.
Confesso que tive pena de ver o Tom Hanks, o melhor actor da sua geração, perdido por entre diálogos insidiosos que em nada dignificam passadas interpretações brilhantes... sim, porque era mesmo impossível brilhar com aquele guião. E Audrey "Tautau"? Horrenda! Um verdadeiro dejecto com pernas, enquanto actriz. Enquanto mulher, rebaptizava-a com o nome acima, pois aquelas nádegas estavam a pedir uns bons tabefes. Apenas Ian McKellen (o venerável Gandalf do Senhor dos Anéis) se safa, com uma interpretação tão british como a sua naturalidade.

Ou seja, poderia ter sido um filmaço. Em vez disso, é longo, chato (demora 2h30) e tem a subtileza de um elefante numa loja de loiças.

O melhor: A cena em que Teabing destrinça a "Última Ceia".

O pior: A duração do filme, o argumento horrível, os diálogos artificiais e as interpretações sofríveis.

Classificação: 3/10

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