11 de outubro de 2006

REVIEW
X-Men Last Stand

Ano: 2006
Realizador: Brett Ratner
Actores: Hugh Jackman, Halle Berry, Famke Janssen, Ian McKellen

Estão a ver o olhar conturbado desta senhora? Ela é que é a verdadeira protagonista do filme e a única que dá algum dramatismo ao mesmo. A renascida Phoenix é uma personagem conturbada, cuja luta interna entre uma Jean Grey ponderada e a mulher descontrolada, dona de um poder inimaginável, é a pedra de toque de todo o filme, pois ficamos constantemente na expectativa para ver quando é que ela se passa da pinha e destrói tudo à volta.

Isto tudo para dizer que, ao contrário dos opus anteriores, este X-Men tem a espessura psicológica de uma folha de papel vegetal onde, salvo a caótica personagem de Jean Grey, abundam as clássicas e descerebradas lutas entre humanos e mutantes, com o realizador Brett Rattner (que nunca foi nada de especial) a apostar tudo na acção e nos fantásticos efeitos especiais, deixando a história no limbo. Sim, porque a "desculpa" da invenção de uma cura para os mutantes, que a ela se quiserem submeter não é mais do que um pretexto para vermos berlaitada da grossa, com cada mutante a exibir à grande o seu poder especial, a sua mutação única.

É uma fantochada, é verdade, mas há algo ali que desperta a criança que jaz latente em nós, pois o filme é tão cuidado visualmente, tão negro e tão pessimista que irá agradar muito mais aos adultos que cresceram a ler BD's do que a crianças/adolescentes que procurem um filme de super-heróis.
É poderoso e isso reflecte-se no excelente elenco, sólido e com muitas batalhas travadas na sétima arte, de onde nunca poderia sair um mau filme. Porque embora toda a história gravite em torno da Jean Grey, o resto do elenco (à excepção do esquecido Cyclops) não consegue destoar, nem mesmo quando o argumento é tão fino como uma fatia de fiambre.

Dizem os entendidos na matéria das BD's dos X-Men que o filme foi beber várias influências a diversas "sub-plots" da BD e que não conseguiu uma boa coesão entre todas elas. A verdade anda lá perto. Se está coeso ou não, não sei, mas mesmo tendo em conta que é um excelente filme de acção, nota-se que havia ali potencial para muito mais, principalmente para enterrar definitivamente filmes de heróis como... por exemplo, o Superman, mas o realizador mostra uma manifesta falta de tomates e de ambição para construir aquilo que poderia ser uma obra-prima. Que pena. Não obstante, é muito recomendado por moi-même para nos fazer sonhar durante 1 hora e quarenta.

O melhor: Os efeitos especiais, magníficos, e a personagem de Jean Grey.

O pior: A falta de profundidade, melhor explorada em X-Men's anteriores, e de "cojones" do realizador.

Classificação: 7/10

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