25 de dezembro de 2006

MASS REVIEW #1
Filmes de Natal (e esquecidos na gaveta)

The Sentinel é daqueles filmes com argumento tipo "agente da CIA altamente condecorado sofre uma traição interna e é acusado de um delito que não cometeu. Passa o resto do filme a fugir para tentar desmascarar a tramóia para, no fim, conseguir matar os maus todos e salvar o mundo... ou quase".
É coisa de Steven Seagal. Infelizmente, em vez de Seagal, temos um elenco de luxo, com Michael Douglas e Kiefer Sutherland à cabeça, a prostituirem-se por um filme que não vale um naco do meu tomate esquerdo. O mais surreal é mesmo quando o realizador força deliberadamente o filme a seguir pelo estereótipo acima descrito, violando-o à bruta e obrigando-o a seguir por um caminho que nem os actores (nem o próprio filme) mereciam...

O melhor: O elenco.
O pior: O argumento.
Veredicto: Conspiração governamental para gregoriar.
Classificação: 3/10


Kung-Fu Hustle é a mais estranha bizarria dos últimos tempos, onde os (aparentemente) pacatos habitantes de um beco são governados por uma senhoria que berra como a Júlia Pinheiro, corre como o Bip-Bip e sabe kung-fu como o Bruce Lee. O marido não fica atrás e, entre os dois, tentam defender o beco do "terrível" Gang do Machado que, como o nome indica, tem uma estranha predilecção por trinchar as pessoas à machadada.
Tecnicamente quase perfeito, o filme tem o condão de gozar com o género do kung fu, de uma forma nunca antes vista, e juntando-lhe umas pitadas de outros filmes, como Shining, Matrix ou, até, Street Fighter. É como se Dali ressuscitasse e pintasse a sua visão do kung-fu. Exemplo disso é a alegoria recorrente dos chupas. Mas a verdade é que o filme só fica melhor à medida que avança...

O melhor: As cenas de acção.
O pior: Falta uma pitada de épico. É tudo muito... urbano.
Veredicto: Surrealismo kungfuziano.
Classificação: 7/10


World Trade Center é a última obra de Oliver Stone e, sinceramente, mais valia ele ter estado quieto pois, ao centrar toda a tragédia na história de dois bombeiros que passam todo o filme presos sob os escombros das torres consegue, não só, desvirtuar todo o sofrimento das famílias das restantes 3000 e tal vítimas como também proporcionar ao espectador uma monumental estopada enquanto assistimos aos diálogos entediantes dos dois bombeiros, que trocam banalidades entre si de modo a ficarem acordados e não irem desta para melhor.
Não é que seja insensível, só acho que não era realmente necessário fazer um filme com tão pouco sumo, e onde o "happy-end" metido a forceps como forma de deixar uma mensagem de positivismo é tão desnecessário como absurdo, pois não há forma de contar uma história como esta, fazendo-a acabar bem. Nicholas Cage? Nem com Tom Hanks esta merda lá ia...
Tiro na água.

O melhor: A cena da queda das torres.
O pior: A sonolenta hora seguinte.
Veredicto: Too little... too late!
Classificação: 3/10

Little Miss Sunshine conta a história de uma família disfuncional onde a única centelha de racionalidade restante parece residir na viagem que estão prestes a fazer, através da América, para levar a filha Olive a um concurso de beleza. O pai de família é um crente cego em teorias de auto-motivação, o irmâo deste é um gay suicida, o filho fez um voto de silêncio para entrar na marinha e não fala há 9 meses e o avô snifa droga e só pensa em sexo.
Querem melhor prenúncio para ver um filme? As interpretações são magníficas, os diálogos soberbos, a comédia é constante e a lição de vida é um dos pontos altos do filme... A carrinha da foto é palco dos melhores momentos. Uma das pérolas do ano e um dos mais refrescantes filmes que já vi.

O melhor: Quase tudo.
O pior: Maaaaaaais uma road-trip pela América...
Veredicto: ...mas que viagem!
Classificação: 8.5/10

Grady Tripp (Michael Douglas) é um professor daqueles tipo "one hit wonder", ou seja, escreveu um livro que foi um monumental sucesso e depois disso deparou-se com o quase inevitável bloqueio criativo, que transformou a sequela do livro supracitado numa odisseia impossível de acabar.
Também conseguiu emprenhar a directora da escola onde lecciona, que por acaso é casada. Tem também uma aluna (Katie Holmes) com um fraquinho por ele. E existe, igualmente, um aluno marado e meio drogado que nutre sentimentos paternalistas por Tripp. Pelo caminho, ambos conseguem matar o cão da directora, numa cena deveras surreal, ao procurarem roubar um casaco da Marilyn Monroe...
Nesta salganhada toda reina, sobretudo, um filme de grandes actores e de um tom de comédia inesperado pois, o que parece um filme para intelectuais é, afinal, uma comédia nonsense recheada de gargalhadas com requisito de fraldas. Menção especial para o papel de um Michael Douglas que passa o filme todo aos papéis.

O melhor: O tom de comédia inesperado.
O pior: Ter sido rotulado de outra forma, fazendo-o passar por uma xaropada intelectualóide.
Veredicto: Comédia de escritores.
Classificação: 7/10

Clerks II é a sequela do "grande êxito" de 94, que lançou Kevin Smith para o estrelato dos filmes underground. Por acaso, vi o segundo sem ver o primeiro mas também, sinceramente, passados 10 minutos de filme já se apanhou o fio à meada pois, para contar a história de dois maganos que não fazem um peido e cuja principal ambição de vida é cuspir para os hamburgers que fazem na sua loja de fast-food, não é preciso nenhuma proeza cinematográfica digna de Senhor dos Anéis. O que temos aqui é, afinal, um desfilar de personagens e freaks que constituem a América Profunda, e que passam a maior parte das suas ocas existências a falar das vicissitudes do Senhor dos Anéis ou do filme dos Transformers que aí vem...
Kevin Smith tem muito jeito para contar histórias de gente que não interessa nem a um monte de esterco de vaca, mas a verdade é que, do que já vi da obra dele (ex: Mallrats), esta temática começa a cansar e, a páginas tantas do filme, já só pensamos... Why the fuck should I bother??

O melhor: Os diálogos.
O pior: Só os diálogos é que enchem, a golfadas de hélio, a vida aborrecida e oca dos americanos de classe baixa...
Veredicto: Dogmas de Kevin Smith - Parte 5 (ou 6).
Classificação: 6/10

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