7 de janeiro de 2007

REVIEW
Babel

Ano: 2006
Realizador: Alejandro González Iñárritu
Actores: Brad Pitt, Cate Blanchett

Quatro histórias diferentes são a pedra de toque do novo filme do realizador mexicano, que une um casal desavindo de férias em Marrocos, os filhos destes numa aventura com a ama no México, uma família de pastores das montanhas e um pai e uma filha surdo-muda japoneses com problemas de comunicação.
Curiosamente, o elemento comum de todas as histórias é uma bala, disparada quase que inocentemente, e que reflecte desde logo o papel estupidamente unificador que as armas têm no desenrolar do mundo.
É também uma história de solidão, inadaptação, mas, ao mesmo tempo, "do que nos une", como disse Iñárritu.

Não é um filme de fácil digestão. É comprido. Tem partes lambonas. Ainda por cima tendo em conta que estava com uma gripe de fazer levantar os mortos que, com o calor crescente da sala de cinema, me deixou no limite do discernimento, o filme de Iñárritu soava-me, cada vez mais, como uma alucinação de um realizador pretensioso que, ao tentar emular um Magnólia na forma complexa como intrinca as histórias entre si, perdeu-se na megalomania de tentar superar um 21 Gramas que, já de si, era tão pesado como uma bigorna.

Depois, mais a frio, e com uma ponderação que não consegui encontrar naquela sala bafienta, reconheci ao filme os atributos que o catalogam como um dos grandes filmes do ano. Sobriedade, seriedade, uma análise aos sentimentos e ao estado do mundo e, acima de tudo, um estudo duro e realista de algumas hipocrisias e estereótipos que povoam o nosso mundo actual e que contribuem para o lamentável panorama de ódios que vivemos todos os dias nos Telejornais da noite...

Brad Pitt tem um papel deliberadamente envelhecido, cansado, abatido, muito por culpa de uma tragédia familiar que atira o casal para umas férias que deveriam ser reconciliadoras. É também um papel secundário, em grande parte devido à forma como é ofuscado por Rinko Kikuchi, a jovem japonesa que faz de Chieko, a surda-muda cujo desespero pela integração na sociedade é apenas ultrapassado por um inenarrável sentimento de se estar "sozinha no meio da multidão", como é exemplo a cena da discoteca, se calhar a mais pujante do filme.

Mesmo assim, continuo a dizer que, em partes, Iñárritu deu um salto maior que a perna e ficou declaradamente a perder para Crash, neste estudo de animosidades e na forma como (não) nos amamos actualmente. Outros poderão dizer, com igual justiça, que os dois filmes se complementam e que esta visão do mundo é tão alternativa como qualquer outra...

O melhor: A solidão, a arma como elemento unificador das histórias

O pior: Uma certa cagonice de Iñarritu na realização, convencido que estava que poderia superar o negríssimo 21 Grams. Uns vão amá-lo, outros vão odiá-lo.

Veredicto: Tear alternativo de histórias...

Classificação: 7.5/10

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