27 de janeiro de 2007

REVIEW
Blood Diamond

Ano: 2006
Realizador: Edward Zwick
Actores: Leonardo DiCaprio, Jennifer Connelly, Djimou Hounsou

Leonardo DiCaprio é um mercenário sul-africano que se vende ao melhor preço para poder levar os melhores diamantes do coração da África a quem lhe pagar mais, seja o governo britânico, sejam as milícias reinantes no país onde possa estar. Djimou Hounsou é um pescador que, após ser brutalmente separado da sua família, é levado para os campos de diamante, onde encontra uma rara e preciosíssima pedra rosa. Ambos se encontram na prisão e, quando Danny (DiCaprio) sabe que Solomon (Hounsou) escondeu a pedra, o destino de ambos ficará ligado numa aventura que dará a liberdade ao pescador e à sua família e uma segunda oportunidade na vida a um Danny desejoso de dinheiro para poder sair daquele ninho de vespas que é a constante luta pelo poder.
Pelo meio, são ajudados por uma jornalista, cujas boas intenções são, por vezes, toldadas por um ideal jornalístico que passa sempre pela busca daquela grande manchete que poderá dar a realização profissional desejada.

Passado na Serra Leoa, a pedra de toque do filme são os diamantes. E são estas pedras, tão desejadas no mundo ocidental para ostentar os pescoços e pulsos das vãs e ocas beldades, cuja profundidade da carteira é inversamente proporcional ao tamanho do cérebro, que são a... pedra de toque de todo o filme. E o realizador Edward Zwick não se cansa de ilustrar, ao longo de toda a película, o quanto sangue tem que jorrar para se poder obter um diamante, principalmente através do sacrificado e esforçado trabalho de escravos, que são forçosamente separados das famílias para irem peneirar rios e ribeiros na busca das ambicionadas pedras.
Estas percorrem então um circuito tão complexo como obscuro, com diversas "lavagens", vendas e revendas que acabam sempre por encher ainda mais os bolsos dos já endinheirados comerciantes de pedras preciosas.

Leonardo DiCaprio, esse histórico quisto da classe de actores mostra que está aqui em total "remissão", assinando uma fantástica interpretação, não sem fazer lembrar a de Nicholas Cage no também excelente Lord of War, onde se mostra como um homem sem escrúpulos que, a princípio, se está a cagar para o facto de morrerem 10 ou 1000 homens só para se poder obter um diamante. E o que é engraçado é que o realizador Edward Zwick resistiu aqui à tentação de claudicar perante uma mudança na personagem e o máximo que obtemos da interpretação de DiCaprio são apenas laivos esporádicos de humanismo que, no fundo, são o fiel reflexo do mundo decadente e corrompido de muitas daquelas zonas, onde subsistem as párias mercantilistas e aproveitadoras para tirar partido dos sucessivos governos corruptos que se esgatafunham pelo poder, alternadamente, e sempre entre guerras sangrentas onde, quem paga, é sempre o povo.
Menção honrosa para o pungente papel de Djimou Hounsou, como o estóico pescador que luta implacavelmente para se reunir com a sua família, com a ajuda do "desinteressado" DiCaprio. Este expressivo actor mostra aqui, uma vez mais, o quão subvalorizado é e o quão alto poderia subir a sua carreira, caso lhe dessem mais papéis deste calibre.
Nota final para a realização de Edward Zwick, "hard as a rock", pois consegue a difícil tarefa de fazer um filme tremendamente viciante, que agarra o espectador à cadeira (ajudado também pela excelente cinematografia e fotografia, com destaque para a predominância de tons quentes), aproveitando este facto para, ao mesmo tempo, transmitir algumas mensagens sérias sobre o que vai mal no continente Africano...

O melhor: Quase tudo.

O pior: Quase nada.

Veredicto: Diamante em bruto.

Classificação: 8.5/10

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