5 de janeiro de 2007

REVIEW
The Illusionist

Ano: 2006
Realizador: Neil Burguer
Actores: Edward Norton, Jessica Biel

Edward Norton, na minha opinião, provavelmente o melhor actor da sua geração (atrás apenas de Tom Hanks), regressa ao cinema no papel de Eisenheim, um mago de outros tempos que entretia plateias com os seus truques surreais, que misturavam ilusionismo com misticismo. Pelo caminho, tenta recuperar um amor de infância, uma agora princesa oprimida que está prestes a casar-se com o tirano pretendente ao trono da Áustria.

O desconhecido Neil Burguer assina aqui uma obra bem cuidada, onde usou uma fotografia principalmente baseada em tons cremes e pasteis, que recria perfeitamente a época onde o ilusionista Eisenheim se inseria. No entanto, é impossível ao realizador, não obstante todos os seus bons esforços, evitar um certo tom de pastelada que todo aquele ambiente provoca, o que também é típico de todos os filmes de época, sempre capazes de me escancarar a boca à força de bocejos, qual doca de Leixões.
Por outro, e continuando na parte má do filme, temos Jessica Biel. O objecto amoroso de Eisenheim é uma personagem vã e pouco construída, talvez porque o realizador sabe que Biel também não dá para mais. É boa ao ponto de cortar a respiração, mas como é um filme de época, deve-se ter armado em púdica e nem uma porra duma mama mostrou, nem mesmo quando Norton a possuía à doida num casebre bafiento. Ou seja, nada de carne = zero.

Por outro lado, temos Edward Norton, que é incapaz de fazer um mau filme, e que aqui, apenas com o olhar, nos consegue convencer que, enquanto ilusionista, é capaz de qualquer coisa, tal a forma e a expressividade com que se exibe nos palcos do teatro Austríaco, palcos esses que fazem voar o lado crédulo que há em cada espectador, que se deixa levar pelas enleantes magias de Eisenheim. Só ele (com a ajuda do "omnipresente" Paul Giammati) consegue levar avante um filme que, volta e meia, emperra um bocado.

No entanto, o final deixa um certo sabor amargo na boca, aquele travo de quem lambe um cinzeiro, pois embora o mesmo não esteja desprovido de lógica, falta-lhe alguma espectacularidade e ficamos a pensar "É só isto?".

O melhor: Edward Norton e a magia victoriana.

O pior: Jessica Biel.

Veredicto: Magia agridoce.

Classificação: 6.5/10

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