17 de fevereiro de 2007

REVIEW
The Last King of Scotland

Ano: 2006
Realizador: Kevin MacDonald
Actores: Forrest Whittaker e o gajo que faz de médico...

O filme conta a história de um médico recém-licenciado (que mais parece um pitareco acabado de sair do liceu) e que decide viajar para o primeiro lugar que o dedo apontar num globo. Acaba por lhe calhar o Uganda dos anos 70, onde assiste à ascensão ao poder de um dos mais terríveis ditadores da história, o pérfido Idi Amin.

Chegando lá, predispõe-se a ajudar os necessitados, com o auxílio da bela médica que rege o local (a "regressada" Gillian Anderson, a Scully de X-Files). No entanto, ele demonstra, desde logo, uma tendência a pensar mais com a pila do que com a cabeça, fazendo com que a sua missão humanitária se torne, aparentemente, numa mera desculpa para afinfar umas berlaitadas nas nativas. Ora bem, isto fez, desde logo, com que o personagem me caísse no goto, tornando-se bem cedo no ponto mais negativo do filme.

Fora isso, a ficção torna-se num pretexto para o verdadeiro leit-motiv do filme, Forrest Whitaker como Idi Amin, numa interpretação soberba, magistral, magnífica de exuberância e... de loucura, à semelhança da personagem que se dispõe a retratar. É tão bom, mas tão bom, que ficamos com um genuíno arrepio sempre que ele entra na sala com aquele olhar alucinado e mira o médico como se lhe fosse espetar um tiro ou uma katanada a qualquer instante. E é preciso ser-se realmente bom actor para se poder fazer tanto com apenas um olhar...

Temos também o retrato de um Uganda de contrastes, onde toda a pobreza que grasa pela população apenas encontra contraste com a luxúria e opulência em que vive Idi Amin e o seu séquito de mulheres e respectivos filhos. Se o filme estivesse um bocadinho melhor construído, podíamos sentir alguma coisa pelos destinos do médico e pelo que ele pensa ou faz, mas desta forma, fica-nos apenas o deleite de uma soberba interpretação, do retrato bem conseguido de uma terra de discrepâncias, e da subtileza mostrada pelo realizador, ao optar (e muito bem) por mostrar apenas implicitamente todas as consequências do regime de terror de Idi Amin, não optando pela via fácil do sangue a rodos.

É um daqueles filmes que traz "Óscar" cuspido e escarrado na "testa". Podem já entregar a estatueta ao Forrest, que os outros nomeados nem precisam de pôr os pés na cerimónia...

O melhor: A interpretação de Forrest Whittaker, soberba.

O pior: O médico, personagem detestável e sem carisma.

Veredicto: Biopic de um ditador, showroom de um actor e duas belas palavras inglesas metidas neste veredicto!

Classificação: 6.5/10

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