13 de março de 2007

REVIEW
Pan's Labyrinth

Ano: 2006
Realizador: Guillermo Del Toro
Actores: Ivana Baquero, Sergi Lopez

Após finalmente a Netcabo se dignar a religar-me ao mundo, debruço-me sobre um dos mais salivantes filmes que aguardei durante algum tempo.

Durante a Guerra Civil Espanhola, uma menina encontra nos contos de fadas uma forma ideal de fugir a tudo aquilo que a rodeia, nomeadamente uma mãe em mau estado que carrega o irmão no ventre e que se casa por interesse com um tirano e implacável capitão.

Nos mesmos, existe uma realidade paralela onde ela é um princesa há muito perdida, cujos pais a procuram desesperadamente e que precisa de prestar provas que verifiquem que a sua alma divina não foi manchada pela mortalidade humana.

As críticas classificavam este filme de Guillermo del Toro (realizador de Blade II, por exemplo) como a sua obra prima, um conto de fadas para adultos. Não andam longe. Não é uma obra prima do cinema, mas é um filme tremendamente refrescante e original, que sabe bem ver e saborear, no meio do marasmo criativo que são os argumentos de Hollywood hoje em dia. Cada vez mais me convenço que não há melhor do que um realizador estrangeiro (que não Americano), muita sensibilidade e um grande "budget" para produzir alguns dos melhores filmes de anos recentes. É só olhar, por exemplo, para o estupendo Children of Men.

Aqui também não é excepção e nota-se que a criatividade reina sobre o orçamento, e uns simples fatos e maquilhagens servem para produzir monstros do melhor que se viu, inclusive entre aqueles que desfilam nos filmes de terror. Mas são monstros com uma singularidade muito própria que, em algum momento, não desvirtuam toda a inocência da protagonista e do filme, tornando-o no falado "conto de fadas para adultos" em vez de um vulgar filme gore, como Del Toro tanto gosta.

Além disso, o argumento mostra também que, por vezes, temos que encontrar na inocência da nossa mente a criança que julgávamos perdida para fugirmos a alguns dos piores males que contaminam a humanidade e que a enchem de ódios vãos. E aqui, no mundo encantado de Ofelia, a protagonista, o próprio espectador sente-se confortado e protegido das atrocidades que o Capitão Vidal comete no mundo real, de modo a eliminar todos os seus oponentes.

Ou seja, a história parece não seguir os trâmites habituais nos filmes do género e, no entanto, o grande triunfo do mesmo é, precisamente, contar uma história. Del Toro fá-lo com muito mimo e nota-se, em cada momento, que ele cuidou de cada detalhe, para que saísse precisamente como pretendia. A música é magistral (daquelas que fica na memória), a cinematografia é cuidada e as interpretações adequadas. A ver!

O melhor: A originalidade e a magia da história.

O pior: Não é, como julgava, de fazer cair o queixo...

Veredicto: Conto de fadas moderno para maiores de 16.

Classificação: 8/10

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