21 de março de 2007

REVIEW
Casino Royale

Ano: 2006
Realizador: Martin Campbell
Actores: Daniel Craig, Eva Green

Necessitada que estava a série de uma mudança radical, Martin Campbell foi o escolhido para este novo começo da saga James Bond, ele que já tinha sido responsável pelo excelente Goldeneye, que relançou a série nos asas de um cool Pierce Brosnan. No entanto, a série foi murchando lentamente como um velho com impotência até se alojar vergonhosamente nos mais profundos interstícios intestinais do esquecimento cinéfilo.

E eis que surge Daniel Craig. Amado por uns poucos, odiado pelo restante mundo, aparentemente incapaz de calçar tão pesados sapatos. E no entanto.... não sei se foi do excelente trabalho de produção, se foi da direcção, se foi do raio que o parta, mas a verdade é que todas as propaladas fraquezas de Craig (não saber jogar póquer ou lidar com caixas de velocidades manuais... ou seria automáticas? Já não me lembro. Who cares? É o tipo de merda que só interessa mesmo aos nerds) foram obliteradas na versão final e o que saiu cá para fora foi um James Bond diferente, rude, ambicioso e, até por vezes, um pouco trapalhão no seu modo de actuar, fruto da inexperiência de alguém que começa nestas lides de agente secreto (o filme retrata os primeiros tempos de Bond enquanto agente secreto, e como ele ganha a alcunha de 007).

Ele é, também, implacável e duro como um calhau de granito quando luta contra os mau-maus de serviço, coisa que não se podia pedir a Pierce Brosnan, por razões óbvias, situações nas quais ele preferia umas boas Uzi's automáticas à brutal força de punhos que exibe Craig nas esparsas situações a que é chamado a intervir. Sim, esparsas porque a grande força deste James Bond é o seu requintado perfume a espionagem pura e dura, conspirações, jogos de bastidores (que têm o seu auge no jogo de póquer)... a fazer lembrar, um pouco, o Mission Impossible de Brian de Palma.

E é aqui que Craig exibe aquela subtileza de agente secreto que se está a iniciar nestas lides mas que, ao mesmo tempo, faz lembrar a porra dum elefante numa loja de cristais. E as mulheres, perguntam vocês, verdadeiro ex-libris da série? Onde o Bond de Brosnan as conquistava usando o seu charme e um punhado de chavões ultra-usados, o Bond de Craig faz lembrar um toiro de cobrição, tal a ânsia que tem em saltar-lhes à espinha o mais depressa possível e sem contemplações, o que até torna o filme um pouco mais anedótico pois, à força de pensar com a cabeça da pila, Bond vê-se envolvido em mais do que uma argolada.

De resto, nota-se a competência de Martin Campbell a realizar pois a cinematografia, fotografia e realização em geral são bem sólidas, assim como as cenas de acção, muito bem filmadas e com uns altos "travellings" que dão à série todo um novo aspecto e fazem deste filme o ideal para ver para quem não gosta de James Bonds e acha que os filmes do dito são sempre iguais!

O melhor: A inovação e a lufada de ar fresco na série.

O pior: O final destoa.

Veredicto: James Bond de pila grande!

Classificação: 7.5/10

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