18 de junho de 2007

REVIEW
Apocalypto

Ano: 2007
Realizador: Mel Gibson
Actores: Uns quantos gajos de tanguinha

Aí está a última e controversa obra de Mel Gibson, um filme que retrata a queda do império Maia e a luta de um homem para fugir ao seu destino.

Fiquei entusiasmado com esta premissa, porque senão, imaginem... Apocalypto, queda do império... já imaginava uma merda visceral, com pedras em chamas a cair do céu e o fim do mundo mesmo aí à porta, perante o impotente olhar daquela que era considerada como uma das mais avançadas civilizações do mundo!

E, no entanto, sobre a queda propriamente dita... nada, nem uma só palavrinha. Em vez disso, temos uns gajos de tanga a viver na selva, que mais parecem nativos da Amazónia, que comem "cojones" de tapir e vivem uma vida feliz em sociedade, nas suas cubatas. Eis senão quando tanta paz é quebrada por uns gajos maus como as cobras que só querem sangue, mortes e levar uns quantos escravos pelo caminho para a civilização Maia, onde passarão o resto das suas vidas a trabalhar nas obras.

E quanto ao nosso herói, Jaguar Paw? Não obstante a impressionante palete de expressões visuais (notável, sendo ele um estreante da 7ª arte), só conhece duas situações ao longo do filme: preso ou a fugir desenfreadamente dos seus captores. Mas quando chega ao fim do filme e ele se esconde na sua selva, vi ali um plágio descarado ao Rambo I de 20 minutos de duração ao qual achei imensa piada, não fosse suposto aquilo ser a sério.

E a queda do império Maia? Nem uma palavra. O império propriamente dito não é mais de que um grupo de caçadores, "shamans" e imperadores sedentos de sangue e sacrifícios humanos, crédulos, religiosos e ignorantes, capazes de temer um eclipse solar (que, estranhamente, dura apenas alguns segundos), quando se sabe que, para eles, a astronomia era uma paixão.

Ou seja, percebe-se que o bom velho Mel desenvolveu aturadas pesquisas no que ao realismo histórico da coisa concerne, no entanto há partes da mesma que não são bem explicadas e cuja ideia original morre inexoravelmente na cabeça dele e não é transmitida para o espectador, que fica inapelavelmente confuso com situações que parecem pouco exactas.
No entanto, Mel Gibson compensa tudo isto realizando um dos mais prementes e originais filmes de acção dos últimos tempos, com recursos a cenas de tirar o fôlego, bem ritmadas e que mostram que ele tem feeling para a coisa, pecando apenas por alguma violência excessiva e gratuita em algumas cenas, desnecessárias (como a morte do jaguar), e que só parecem mostrar que ele está um bocado avariado da cabeça.
O filme não perde estaleca ao longo das mais de duas horas de duração, e enquanto mero veículo de entertenimento, é tão bom como aquilo que podíamos desejar dele.

Ou seja... nice execution, shame about some ideas!

O melhor: A qualidade da acção, imparável e original.

O pior: Algumas confusões históricas e a violência gratuita.

Classificação: 7/10

1 comentário:

Luis Monteiro disse...

Carissímo,

Merecia um "8" por causa do trabalho de realização!!!
O sr. atingiu um nível muito difícil de alcançar.
Abraço