22 de julho de 2007

REVIEW
Grindhouse: Death Proof

















Ano
: 2007
Realizador: Quentin Tarantino
Actores: Kurt Russell, Rosario Dawson

Tarantino é um gajo doente. Alucinado. Basta ver uma qualquer entrevista dele, em que ele fala dos seus filmes, para testemunhar isso, mas também serve para ver a paixão de um gajo que adora o cinema, adora aquilo que faz e mete todo o seu entusiasmo ao serviço das mais originais obras do celulóide.

E quando o espectador visiona este Death Proof, apercebe-se de várias coisas sobre Tarantino:

1) Escreve diálogos como ninguém. As cenas entre as gajas são puro "Tarantino-vintage", dos melhores tempos de Reservoir Dogs e Pulp Fiction.

2) Filma cenas de acção como poucos. Na perseguição final, os ângulos de câmara e os travellings são alucinantes e não se priva de mostrar sangue quando é preciso. E sim, Death Proof é violento, muito violento.

3) O sexo, meus amigos, o SEXO!!! Estou a brincar, não existe tal coisa aqui, mas figura uma lap-dance de fazer os pêlos do cu baterem palmas com estrépito.

4) É o mestre em ressuscitar actores. Veja-se o que fez com John Travolta em Pulp Fiction. Aqui é Kurt Russell que recebe um novo impulso na carreira, com o seu notável papel de duplo psicopata que mata as raparigas no seu carro à prova de morte.... mas apenas para o condutor (que é ele, claro).

Tarantino disse, e passo a citar:

"I realized I couldn't do a straight slasher film, because with the exception of women-in-prison films, there is no other genre quite as rigid. And if you break that up, you aren't really doing it anymore. It's inorganic, so I realized—let me take the structure of a slasher film and just do what I do. My version is going to be fucked up and disjointed, but it seemingly uses the structure of a slasher film, hopefully against you."

E se assim o disse, melhor o fez. E para dar todo aquele feeling dos anos 70, época onde filmes deste género proliferavam, sendo que Death Proof constitui uma homenagem ao género, Tarantino deu à fotografia um tom mais... seventies, usou banda sonora da altura, chegou ao ponto de cortar, literalmente, a fita, para dar aquele aspecto de filme usado que já passou por várias salas e cujo celulóide já está desgastado e até usou o infame logo, no ínício, que declara "Filmed using TECHNICOLOR". Delirante.

No entanto, saí do cinema com uma sensação estranha, de quem tinha acabado de provar um prato requintado, mas que não seria capaz de o degustar novamente. No entanto, umas horas depois, e já de barriga cheia após um faustuoso jantar, é fácil lembrarmo-nos dele com carinho e pensarmos que, naquela sala, repousou a mais refrescante experiência cinematográfica do ano...

O melhor: A originalidade, a imprevisibilidade, os diálogos, as cenas de acção, a banda sonora e a realização de Tarantino.

O pior: Termos que esperar até Setembro por Planet Terror...

Classificação: 8/10

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