19 de agosto de 2007

REVIEW
Ratatouille

Ano: 2007
Realizador: Brad Bird
Actores: Patton Oswalt, Ian Holm, Peter O'Toole

Para começar, Ratatouille é um conto, uma história. É a definição daquilo que o cinema deve ser. É um bilhete para um mundo alternativo que, durante uma hora e meia, nos faz esquecer de tudo o que há lá fora. Durante uma hora e meia, coisas como o nosso governo, o Iraque, George W. Bush, o Benfica, os Transformers, o aquecimento global e todas as outras preocupações do nosso mundo actual são momentaneamente arrumados numa gavetinha da cabeça, o que nos permite mergulhar ingenuamente num mundo de fantasia adulta, feito para pequenos e crescidos, para igual deleite de ambos.
É todo um compêndio de virtudes, desde a realização técnica impecável (pormenores como o pêlo molhado da rataria, a chuva a cair ou os diferentes vegetais e sabores da haute cuisine) até à história (um rato que sonha em ser chefe de cozinha no mais fino restaurante francês), passando pelos diálogos, pelo elenco, o argumento e o ritmo do filme.
Até tem a proverbial lição de moral adulta, que pretende desmistificar os ratos como seres desprezíveis que merecem apenas ser mortos à primeira oportunidade.

É um filme sensibilizante e tocante que mostra, mais do que tudo o resto, que foi feito por pessoas que adoram o cinema e que conseguiram a cada vez mais difícil tarefa de capturar em apenas 1.30h a mais pura essência da sétima arte, o que deveria ser um filme e, ainda mais, sem usar um único actor de carne e osso.

É uma obra fascinante de carinho, de mimo, de cuidado e de savoir-faire que coroa, de forma incontestável, a Pixar como produtora rainha dos filmes de animação. Depois das desilusões pueris que foram The Incredibles e Cars, este é, sem dúvida, um triunfo absoluto, um tour-de-force na arte de bem fazer cinema e... acabaram-se-me os elogios.

E vejam se chegam a horas à sessão, porque a curta metragem que passa ao início, Lifted, também da autoria da Pixar, é magistral...

O melhor: A história, a criatividade e a suprema sensibilidade do filme.

O pior: Talvez não me tenha enchido tanto as medidas como Finding Nemo, mas até isso é relativo...

Classificação: 9/10

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