13 de setembro de 2007

MASS REVIEW #3 - Filmes para dores de cruzes

Enquanto carpia as mágoas de umas costas em péssimo estado, aproveitei para pôr em dia o estaminé, com algumas críticas novas e outras antigas que ficaram na gaveta da mente, numa amálgama anárquica de "reviews" que agora se seguem:


The Reaping trata as ralações de uma pequena cidade que se vê a contas com aquilo que parecem ser as 10 pragas bíblicas e que chamam uma cientista especialista em desmistificar tais eventos para analisar a coisa.
A oscarizada Hillary Swank (Boys Don't Cry, Million Dollar Baby) aparece aqui como cabeça de cartaz para vender esta peça que, sem ela, não valeria um frasco de peçonha. Mas nem com ela aqui a ter (poucas) hipóteses de exibir os seus tremendos dotes este filme vai às filhozes pois um argumento que tinha imenso potencial é tratado a martelo, com a força bruta e desajeitada de uma bigorna, transformando-se num saca-sustos sem sumo e com o único pretexto de mostrar uns efeitos especiais normais. Só o final consegue levantar meia sobrancelha, fora isso nota-se que é um tremendo desperdício de uma boa ideia que, noutras mãos, poderia ter sido mais bem sucedida.

O melhor: O final, é algo do tipo "Vá lá, ao menos não conseguiram estragar tudo!".
O pior: A história sem interesse, que faz com que nos estejamos a borrifar para os protagonistas.
Classificação: 3/10


Edmond é um filme original e diferente, baseado num argumento do "teatral" David Mamet que conta a história de um indivíduo que se cansa da vida que tem, da sua mulher e do seu trabalho e, numa noite específica, decide correr as ruas à procura do melhor putedo. No entanto, a coisa não corre muito bem e um Edmond efemero e aparentemente equilibrado transforma-se num lunático à procura do seu verdadeiro "eu".
O filme tem várias coisas boas: para começar, a duração, apenas 1 hora e 15 minutos, o que manda ao charco a regra não escrita de que qualquer filme deve ter, pelo menos, uma hora e meia, o que resulta em enchimento de chouriços. Para continuar (e acabar), a excelente interpretação de William H. Macy e aquela sensação geral de que o filme, por ser tão curto, não se perde em rodriguinhos e acompanha com precisão cirúrgica a queda em espiral de um homem trabalhador com sangue de filósofo, mas que vê a sua percepção do mundo progressivamente distorcida por um meio ambiente onde se insere que não se coaduna consigo... O final, então, é surpreendente!

O melhor: O protagonista principal.
O pior: Estar condenado ao ostracismo das prateleiras dos clubes de vídeo.
Classificação: 7/10


The Painted Veil é mais uma xaropada de carácter histórico-cultural, numa adaptação da obra literária de F. Somerset Maughan leva-nos a uma China antiga, tomada de assalto pela cólera, e para um Edward Norton, médico de doenças infecciosas, encolerizado por ter sido encornado pela mulher, uma Naomi Watts que se casou com ele apenas pelo status social, mas cujo pito flamejante e ardente de desejo a fazia saltitar para outras camas que não a dela. Como castigo pela traição, Norton leva-a para a China, onde se desencadeou um surto de cólera... e pode ser que ela morra lá. No entanto, a miséria reinante acabará por aproximá-los, em vez de afastá-los.
Sinceramente, não tenho pachorra para filmes destes, e se não fosse o excelente e competente duo de actores principais (Edward Norton e Naomi Watts), este filme provavelmente não passaria da primeira meia hora no meu DVD. No entanto, há algo de eminentemente masoquista que nos impele a ver (ainda que de forma pausada) mais e mais minutos até ao excelente desenlace final e que faz com que esta pastelada vitoriana não seja, afinal, tão difícil de digerir.

O melhor: O duo de actores principais.
O pior: A ambientação do filme.
Classificação: 6/10


Mr. Bean's Holiday é o regresso de Rowan Atkinson no único papel que sabe fazer. E quem poderá dizer que, por esta altura, não conhece Mr. Bean. Aqui, ele ganha uma viagem a Cannes onde, no meio de algumas tropelias, acaba por ser o herói do famoso festival de cinema da região.
Outrora de uma comicidade inteligente, o personagem de Bean subverteu-se ao humor pueril que grasa ao longo da hora e pouco de filme e que irá agradar, principalmente, aos mais jovens. A mim aborreceu-me bastante e tive saudades da originalidade dos sketches que, volta e meia, ainda passam na RTP...

O melhor: É o Bean...
O pior: Humor demasiado infantil.
Classificação: 4/10



Surf's Up é um filme de animação com a chancela da Sony que pretende aproveitar um bocado a onda de pinguins que por aí anda, principalmente depois do propalado Happy Feet. Um pinguim chamado Cody Maverick, numa piscadela a Top Gun, ambiciona a ser o surfista mais famoso do mundo. A originalidade do filme baseia-se no facto de ser contado em forma de documentário, com uma equipa a seguir Cody para todo o lado e a registar os seus pensamentos e dos outros intervenientes do filme. Além disso, conseguiu apanhar muito bem os trejeitos dos surfistas e caricaturizá-los numa mescla agradável de humor.
Para acompanhar com umas pipocas.

O melhor: É original e tem boas piadas.
O pior: Não ambicionar a ser mais do que aquilo que é... um filme de classe média.
Classificação: 6.5/10



Hot Fuzz é, diziam por aí, a melhor comédia do ano. Ponto final. Nicholas Angel é um polícia quase perfeito mas, como é perfeito demais e está a fazer os outros polícias passarem vergonha, é "promovido" e deslocado para uma vilazita onde nada acontece... ou quase.
A melhor comédia do ano? Não. Aliás, a primeira meia hora é enfadonha que chegue e tão difícil de engolir como uma espinha de carapau. Mas depois o filme ganha um ritmo interessante e até há piadas que surgem de forma natural. No entanto, eu não me ri com elas, apenas fiquei a pensar "Isto sim, é humor inteligente". Já se sabe que há por aí muito boa gente ansiosa por um filme que os faça mijar de riso, mas parece-me que não é este o alvo a escolher.
Mesmo assim, não deixem de o ver, porque é original, interessante, bem realizado... e tem umas cenas gore, pelo meio, capaz de fazer corar o Peter Jackson dos tempos de Braindead... daquelas em que o sangue jorra a rodos, como se tivesse explodido uma artéria. Nice!

O melhor: Original e diferente.
O pior: Não carrega metade do riso que julgava.
Classificação: 7.5/10


Music & Lyrics traz-nos novamente Hugh Grant numa comédia romântica, a fazer aqui de ex-estrela de uma banda pirosa de pop dos anos 80 e que agora está inapelavelmente vetada ao esquecimento. No entanto, uma das actuais divas da pop-rock contemporânea, caracterizada pela sua opacidade lírica e desprovida de conteúdo, convida-o para gravar um dueto, apenas precisando este de escrever uma música nova. Só que ele não vale 3 tostões de cu a escrever pelo que acaba por contratar a gaja que lhe rega as plantas (!) para o fazer.
Como não havia mais premissas ridículas de filmes de comédia-romântica onde se pudesse enfiar o Hugh Grant... aí vai mais uma, só para encher mais um bocado. Já não há pachorra para o registo unidimensional deste senhor que, admita-se, até é bom no que faz, só que já começa a parecer a Meg Ryan dos gajos. Quanto à parceira, é trocar sempre por uma nova para o público nem dar pela diferença, rodando Julia Roberts, Renee Zellweger ou Sandra Bullock com igual galhardia. Vá lá que a mensagem do filme é válida e enaltece, em grande medida, a falta de verdadeiros ícones na música actual, onde o marketing vende mais que o conteúdo ou que o valor musical.

O melhor: A mensagem.
O pior: Hugh Grant... again!
Classificação: 4/10


Slither é um filme dos meus. Uma minhoquita extraterrestre chega à terra através de um meteorito e penetra, desde logo, num incauto Michael Rooker que se começa a comportar de forma estranha. Passado um tempo, já está a comer meio mundo na sua pacata vilória e passado outro bocado, já temos a vila cheia de zombies prontos a comer os últimos habitantes sãos que ainda restam.
Digno e puro descendente de filmes como Braindead ou Evil Dead, o filme é, em iguais partes, uma festarola de gore e nonsense. Nunca tem pretensões a ser mais do que isso e, por causa disso, fica uns furos abaixo de outros filmes do género. Mesmo assim, é digno de se ver, pois tem cenas memoráveis, como a do barracão em que a gaja explode...

O melhor: O gore e o nonsense da história.
O pior: No género, há bem melhor.
Classificação: 6/10

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