30 de setembro de 2007

REVIEW
300

Ano: 2007
Realizador: Zach Snyder
Actores: Gerard Butler + 299 gajos com muito músculo

Recriação ficcionalizada da Batalha das Termópilas, onde 300 espartanos duros de roer deram água pela barba a pazadas de persas, o filme de Zach Snyder (responsável pelo surpreendente Dawn of the Dead) é, também, uma adaptação de uma banda desenhada de Frank Miller (autor de Sin City).

Tudo está bem em Esparta até que um santo dia, um emissário de Xerxes, o Deus-Rei persa vem ameaçar o bom velho Rei Leónidas, soberano local, augurando escravatura e miséria para o povo de Esparta, caso o mesmo não se renda às vontadinhas do Rei.
É claro que a ideia de escravatura eterna não assenta bem a um rei que cresceu a aprender a não temer nada, por isso ele pega em 300 dos seus melhores homens e parte rumo ao inimigo, para defender a sua terra de um destino sombrio.

A dureza e falta de misericórdia de Leónidas e dos seus soldados para com o inimigo persa só tem, ao longo do filme, paralelo com a *soberba* realização técnica e direcção de Zach Snyder. Os travellings, as cenas de combate em "bullet-time" inspiradas em Matrix, a *sublime* fotografia, os efeitos especiais tremendos... o filme é visualmente espantoso, toda uma experiência capaz de deixar aguado o espectador. Ainda sobre a fotografia, referir que se abusou das filmagens em "blue screen" (e, provavelmente, de posteriores retoques em Photoshop, Alias, 3D Studio ou coisa que o valha... mas feitos com tal bom gosto, que se tornam num mimo para os olhos).
E a nível sonoro não fica atrás, com consecutivos sons agudos e clarividentes de lanças e espadas a trespassarem carne, e onde quase sentimos o agreste som do aço a penetrar os ossos. Arrepiante.

Nota-se que o realizador foi aqui buscar algumas referências a outros filmes do género, como por exemplo Braveheart, quer pela forma como encena as grandes batalhas, quer pelo modo como põe Leónidas a declamar frases de incentivo heróicas para as suas motivadíssimas tropas.

Quanto à história... não existe. Persas desafiam Leónidas. Leónidas, mau como as cobras, vai para a guerra. Morrem quase todos. Mas quem precisa de uma história densa e complicada quando se quer relatar uma batalha épica e quando se domina com esta mestria todas as técnicas de realização de um filme de acção de excelência?

O melhor: A PERFEIÇÃO técnica do filme.

O pior: Não tem história que preste.

Classificação: 8.5/10

1 comentário:

Luis Monteiro disse...

Não fosse a qualidade estética de «300» e estaria-mos perante uma seca de quase 2 horas. Mas mesmo assim, depois daquele espectáculo visual, chegou o momento em que pensei: onde está a densidade e profundidade do argumento?
Não nos devemos esquecer de que estamos a falar de uma banda desenhada - neste caso uma adaptação. E, como tal, não se pode pedir muito mais.
A verdade é que já vi o filme por duas vezes - na primeira, foquei a minha atenção no argumento; na segunda, limitei-me a apreciar aquele festim de efeitos visuais e estética CGI. Tenho de admitir que me diverti muito mais no segundo caso.
Abraço