31 de agosto de 2007

REVIEW
The Black Book

Ano: 2006
Realizador: Paul Verhoeven
Actores: Carice Van Houten

Pujante regresso de Paul Verhoeven à ribalta do cinema, com esta obra de produção 100% holandesa, nacionalidade do reputado e controverso realizador.

O filme retrata mais uma história, entre tantas, da Segunda Guerra Mundial, numa Holanda já ocupada pelo terceiro Reich, onde uma jovem judia de nome Ellis começa o filme a escapar a uma impressionante cena de bombardeamento.
Após outra cena dramática, Ellis entra no submundo da resistência e começa a actuar como espia para minar o regime nazi por dentro.

As interpretações são soberbas, de uma credibilidade e de um primor artístico acima de qualquer suspeita, nomeadamente se tivermos em conta que nunca tinha visto nenhum dos actores mais gordo. A actriz principal não se inibe de mostrar todos os seus imensos dotes, quer artísticos, quer corporais, exibindo-se a grande altura neste papel de segunda versão de Mata Hari. A trama é deveras inspirada e, como seria de esperar, também não se poupa a eufemismos para retratar a chacina perpetrada por aquele bigodudo de merda. É como se o filme fosse um James Bond, na segunda guerra mundial, mais real, mais bem feito, e com uma gaja grossa como protagonista. Por outro lado, também faz lembrar o grandíssimo The Pianist, pela forma como centra a história na luta de um punhado de homens.

Enfim, é uma verdadeira gema escondida, um espresso encorpado e espumoso, um filme denso, mas fluido, digno deste estábulo onde passa todo o tipo de merda e que, parece-me, não teve a repercussão devida nos cinemas, aquando da sua passagem pelos mesmos. Uma bela peça de fruta a juntar ao variado cocktail de Paul Verhoeven, que construiu uma carreira deveras exótica, desde o metal de Robocop à famosíssima perna escanchada de Sharon Stone, passando por bichocas inteligentes e por pôr Schwarzenegger em Marte... não é para todos....

O melhor: A história, cativante, os protagonistas e a realização de Paul Verhoeven.

O pior: Ficar eclipsado no meio de outros filmes de guerra com maior visibilidade.

Classificação: 8/10

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