2 de novembro de 2007

REVIEW
Sicko

Ano: 2007
Realizador: Michael Moore
Actores: Michael Moore

O novo documentário de Michael Moore ataca, com objectividade e galhardia, o mais que decrépito "sistema de saúde" americano, controlado actualmente por poderosíssimos lobbies e alianças entre farmacêuticas e seguradoras, responsáveis pelos cuidados de saúde primários no território. E ali, nos States, a saúde é mesmo um negócio, no qual as seguradoras não se privam de não prestar cuidados, se isso significar amealhar mais uns trocados para os lucros da empresa.

Moore mostra até que ponto a falta de escrúpulos dos mesmos vai, passando a ideia de que, inclusive, as seguradoras "atraem" as potenciais "vítimas" para um seguro de saúde, apenas para depois estas verificarem que, quando precisam dele não lhe poderão chegar porque foi-lhes negado o tratamento a esta ou a aquela doença por, como num caso concreto, "a pessoa ser muito nova para ter cancro".

Depois de todos vermos, através de várias histórias dramáticas, como aquilo vai tudo mal... Moore leva-nos até onde a saúde está bem e recomenda-se, como o caso da Inglaterra ou da França, onde os cuidados de saúde são completamente gratuitos e suportados pelos impostos dos contribuintes, acabando a sua viagem com um grupo de voluntários do 11 de Setembro (a padecer de várias maleitas, causadas pelos detritos desse dia) em Cuba, lar de um dos melhores sistemas de saúde no mundo.

Não obstante isto, um pormenor que, para mim, foi significativo da (não?) qualidade do documentário: a presença da tabela da Organização Mundial de Saúde, ou o raio, sobre os sistemas de saúde mundiais, onde Cuba aparecia apenas a meio, bem atrás de... Portugal que, por sua vez, estava à frente dos supostos exemplos de Moore, como a Inglaterra ou a França. Ou esta estatística foi feita com os dedos dos pés, ou então a credibilidade do documentário de Moore é aqui facilmente posta em causa.

No entanto, Moore redime-se mais à frente, acertando em cheio no cerne da questão, ao perguntar "Foi nisto que nós nos tornamos?". Aqui o espectador sente um nó na barriga ao ver a mais poderosa nação do mundo a cair sob o peso dos seus próprios pés de barro, pela forma sub-humana com que trata os seus doentes e pela forma cáustica e cirúrgica com que Moore põe o dedo na ferida.

No geral, é um documentário que segue, com afinco e carinho, o já importante legado que Michael Moore está a deixar e que, mais uma vez, não quer apenas dizer que tudo é mau na América, mas quer retirar as palas dos olhos dos americanos para que eles pensem bem no rumo que a sua grande nação está a tomar... Não tarda nada, estão piores que nós!

O melhor: O documentário "per se".

O pior: Mais um prego no caixão da "democracia" americana.

Classificação: 7/10

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